Autor

António Peters

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Em boa hora Lisboa, pela prerrogativa de ser uma cidade com mais 500 mil habitantes, candidatou-se ao estatuto de “Capital Europeia do Desporto”, galardão atribuído a uma só cidade em cada ano.

Algumas cidades de Portugal já foram protagonistas e contempladas com o título de “Cidade Europeia”, são vinte por ano. Em 2016 acompanhámos Setúbal, pela sua forte ligação ao seu plano de águas que é o rio Sado. O resultado foi surpreendente pelo facto dos desportos náuticos serem um dos objectivos propostos para o desenvolvimento local, de forte tradição marítima, tanto de pesca como comercial.

Portugal, pela primeira vez candidatou-se a “Capital Europeia do Desporto”, na corrida para 2021 houve duas finalistas Lisboa, por Portugal, e Haia pela Holanda. A eleita foi Lisboa, confirmação ocorrida durante o Jantar de Gala com o Comité de Avaliação de candidatura realizado a 25 de Novembro, no Espaço Tejo do Centro de Congressos de Lisboa. A Revista de Marinha teve o privilégio de assistir a tão prestigiante prémio para a cidade, que “está na moda”.

Magnífica imagem da Volvo Ocean Race de 2012, em Lisboa (foto Ian Roman, VOR)

Os argumentos para tal escolha são inúmeros; se Lisboa é bonita e tem potencial, muito deve ao rio que lhe pertence, o Tejo, que através do seu porto se torna em simultâneo, a grande porta de entrada para a Europa e de acesso ao Atlântico. A aptidão para a prática de desportos náuticos é já um dado consolidado e assumido no mundo da vela.

 

Ouvimos com entusiasmo, por parte de Gian Lupattelli, presidente da ACES Europe – European Capital and Cities of Sport Federation, a entidade que atribui os títulos de “Capital” e “Cidades Europeias do Desporto”, a declaração antecipada de Lisboa como Capital do Desporto 2021, com igual entusiasmo percebemos a satisfação e orgulho de Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, pela distinção alcançada e promovida pelo pelouro desportivo da edilidade, na altura sob a batuta de Jorge Máximo.

No discurso de agradecimento de Fernando Medina, escutámos as suas preocupações com a valorização dos espaços desportivos da cidade e das facilidades que ela oferece durante todo o ano para a prática desportiva, salientando a capacidade organizativa para  eventos de reconhecido gabarito internacional, que Lisboa está capacitada para continuar a mostrar ao mundo. Ao todo está anunciado o investimento de 26 milhões de euros.

Contudo durante estas divulgações para o futuro ano de 2021, não ouvimos qualquer referência à náutica desportiva, nem à possibilidade de aproveitar e valorizar o plano de águas do Tejo.

O Tejo, um excelente campo desportivo. (Foto Armindo Ribeiro, CML)

Apesar da cerimónia ter decorrido na sua margem, a única alusão sobre o local, foi a sua apetência à prática de running. Confessamos, soube-nos a pouco, mas como nautas e desportistas, no final do discurso a Revista de Marinha abordou Fernando Medina e em tom de conselho construtivo, alertámo-lo para que não se esquecesse dos desportos náuticos, lembrando-lhe que o Tejo é o maior e mais bonito campo desportivo da cidade. Acolheu a observação, prometendo que esta iria ser alvo de atenção.

Entretanto é Marselha que se despede desta honra, em 2018 será Sófia a distinguida, sendo posteriormente Málaga a passar o testemunho à capital portuguesa. Mas agora é o momento das felicitações.

PARABÉNS Lisboa!