Autor

João Gonçalves

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Ter os dois submarinos na superfície em simultâneo é uma demonstração clara da nossa proficiência no Árctico

Os submarinos nucleares de ataque norte-americanos USS HARTFORD (classe de LOS ANGELES) e USS CONNECTICUT  (classe SEAWOLF) emergiram juntos no Ártico, no passado dia 10 de março, durante o exercício multinacional ICEX 2018.

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A torre do USS CONNECTICUT . Os submarinos da classe SEAWOLF são considerados os mais avançados do Mundo.

O ICEX, é um exercício de cinco semanas dedicado ao treino e validação das capacidades de combate de submarinos em condições extremas de água fria.

De acordo com o Contra-almirante James Pitts, do  Centro de Desenvolvimento da Guerra Submarina (UWDC), o Oceano Ártico continua a ser um dos “ambientes oceânicos mais desafiadores da Terra, do ponto de vista militar, geográfico e científico”.

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Tripulante do USS HARTFORD na ponte. A ponte dum navio é o local onde se dirige a manobra durante a navegação. Os submarinos têm uma ponte no alto da torre, que só é usada com o navio a navegar à superfície.

A ICEX proporciona à Força de Submarinos dos EUA e aos parceiros da Royal Navy uma oportunidade para testar sistemas de combate e armas, sistemas sonar, sistemas de comunicação e navegação naquelas condições extremas. O ambiente subaquático acústico único é ainda agravado pela presença da capa de gelo, cujas formas reflectem as ondas acústicas submarinas de forma irregular.

Durante o exercício, os participantes vão praticar os procedimentos para a vinda à superfície através do gelo, as técnicas de medição da espessura do gelo para encontrar as zonas onde fazer superfície,  as técnicas de navegação em altas latitudes sem referências externas, a deteção de perigos submarinos, como quilhas de gelo e icebergs que se podem prolongar dezenas de metros abaixo da superfície, e as técnicas de comunicação rádio debaixo da calote gelada.

Vão ainda estudar como operar no frio extremo e qual o impacto das baixas temperaturas nos sistemas do navio, quais as características mecânicas do gelo e sua distribuição e como as variações abruptas de densidade da água afetam a flutuabilidade do submarino.

Segundo o Contra-almirante Pitts, operar no gelo do Ártico condiciona métodos e práticas tradicionais de operação, comunicação e navegação submarinas, pelo que “ter os dois submarinos na superfície, em simultâneo, é uma demonstração clara da nossa proficiência no Árctico”, afirmou ainda.

As primeiras operações de submarinos no Ártico foram feitas em 1947-49.

O primeiro trânsito debaixo duma placa de gelo foi realizado em 1 de agosto de 1947, pelo submarino  diesel-elétrico USS BOARFISH no mar de Chukchi. Levava a bordo como “piloto de gelo” o Dr. Waldo Lyon, cientista e investigador especialista em acústica submarina da Marinha norte-americana, que viria a ser o fundador do Arctic Submarine Laboratory (ASL).

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O USS NAUTILUS, o primeiro submarino de propulsão atómica do Mundo e o primeiro a cruzar o Pólo Norte debaixo da calote de gelo.

Em 1958, o USS NAUTILUS, primeiro submarino de propulsão nuclear, fez a primeira travessia em imersão do oceano Ártico sob o gelo e, no ano seguinte, em março, o USS SKATE fez a primeira emersão através do gelo. Em 1960, o USS SARGO foi o primeiro submarino a realizar um trânsito no inverno no Estreito de Bering.

As unidades que participam no exercício são apoiadas por um acampamento temporário, o Skate Camp. A base, administrada pelo ASL, é uma estação de inverno construída sobre uma enorme placa de gelo marinho de milhares de anos,  à deriva no Ártico, localizada em águas internacionais, aproximadamente a 150 milhas a Norte de Dead Horse, na costa do  Alasca. A base gelada, montada especialmente para o ICEX, será levantada uma vez terminado o exercício.

O acampamento no gelo foi batizado Skate Camp.

O ASL é uma unidade operacional do apoio da frota, dependente do Centro de Desenvolvimento da Guerra Submarina (UWDC). O Programa da Marinha para a Guerra Submarina do Árctico é gerido pelo ASL.

Para além dos dois submarinos da US Navy, também participam no exercício o SSN britânico HMS TRENCHANT e meios da Marinha e Força Aérea do Canadá.

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O HMS TRENCHANT, um SSN britânico da classe TRAFALGAR. A classe TRAFALGAR está a ser substituída pela nova classe ASTUTE. O helicóptero é um AW-159 Wildcat, uma versão melhorada do Super Lynx.

Fonte: US Navy