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José António Cervaens Rodrigues

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OS NAVIOS E OS HOMENS QUE DESCOBRIRAM O MUNDO

Numa cuidada edição da CHIADO o arquiteto Telmo Gomes apresentou duas obras sob o título genérico de PORTUGAL NO MAR. Na primeira, que tem por subtítulo OS NAVIOS E OS HOMENS QUE DESCOBRIRAM O MUNDO, o autor confessa o seu fascínio pela História, pelo Mar e pelos Navios que ao longo da sua vida se traduziu … em entranhado amor às coisas náuticas. Já em criança faltava às aulas para ir desenhar embarcações na Rocha Conde de Óbidos … optando sempre por navios portugueses pois de outras nacionalidades outros se ocupariam. Tornou-se assim num dos mais conhecidos e perfeitos modelistas contemporâneos, mas também escritor, pintor, escultor e desenhador de grande qualidade como se pode constatar pelas gravuras que ilustram a segunda parte desta obra.

Na primeira parte, após uma introdução onde revela as fontes em que se inspirou, Camões, Castanheda, Diogo do Couto, Gaspar Correia, os roteiros de D. João de Castro, o Livro das Armadas, a cartografia de Lisuarte de Abreu e outras, apresenta o seu livro não como um trabalho de investigação, mas de divulgação e … uma sentida homenagem a esses homens e a esses navios pelo muito que fizeram na Arábia, Pérsia e Índia, ajudando na construção de um Império que mudou a face do mundo.

Faz uma breve descrição da evolução da Marinha e do Poder Naval Português através dos tempos, desde os primórdios da nacionalidade até ao século XIV, o século das armadas de naus e de galés, como as que participaram na conquista de Ceuta. Dedica algumas páginas à época do início dos grandes descobrimentos até ao reinado de D. João II, aos seus navegadores e impulsionadores. Recorda a figura incontornável do Infante D. Henrique e refere, entre outros, Afonso Baldaia, Nuno Tristão, Gil Eanes e, mais em pormenor, Diogo Cão e Bartolomeu Dias. Mas é evidente a sua admiração pelo reinado de D. Manuel, um período fausto para a Marinha Portuguesa. Assim, fixa-se na Viagem de Vasco da Gama, a … viagem que mudou o mundo, descrevendo-a em pormenor e apresentando os navios que a compunham a esquadra e aqueles em que Portugal assentou o poder naval no oriente: naus, galeões, caravelas redondas e latinas, galés, fustas e galeotas.

Depois de Vasco da Gama é ao descobrimento do Brasil e a Pedro Álvares Cabral que dedica longas páginas recorrendo de novo ao “Livro das Armadas” e a Pero Vaz de Caminha. Conclui a primeira parte da obra referindo a descoberta da Terra Nova por Gaspar Corte Real e as viagens que em 1501 este terá feito com os seus irmãos Miguel e Vasco Eanes.

A segunda parte é dedicada à Historia da Expansão Portuguesa recorrendo a gravuras da sua autoria, na … crença de que uma imagem vale mais do que mil palavras e, segundo afirma, … após exaustiva procura e reconstituição de elementos históricos de todos conhecidos. Reproduz com admirável pormenor a nau S. GABRIEL da Armada de Vasco da Gama e uma caravela latina do século XIV, inspirando-se no prato moçárabe de Málaga existente no museu “Vitória and Albert” que representa uma “Nau de Ceuta” ostentando na vela o escudo português. Seguem-se galés do século XVI, caravelas redondas construídas em Goa, caravelas latinas, a que chama “os navios Rainhas das Armadas Portuguesas dos Descobrimentos”, fustas, naus, galeões, barinéis e barcas. São muito interessantes as gravuras representando naus e galeões tendo por fundo paisagens coloridas e de traço algo naif de Cabo Verde, Malaca, Diu, Goa, Mar Roxo, Malabar e outros locais, bem como as representações de embarcações típicas do Oriente que foram adaptadas e integradas nas Armadas Portuguesas. É o caso das embarcações Indo-portuguesas, de Ceilão, do “Parao” malaio, do “Dungiyah” do Golfo Pérsico, da “Gue Luil Rung” de Saigão, do “Sambuco“ do Mar Vermelho e do “Junco” japonês. Descreve e ilustra a chegada dos portugueses aos Reinos do Pegú e do Sião, à Austrália, Nova Guiné, à China e ao Japão. Termina com uma breve referência à famosa “Nau do Trato”, que ligou Malaca a Nagasáqui, com escala em Macau, entre 1550 e 1639, quando o Japão decidiu romper as relações comerciais com os portugueses, e os holandeses ocuparam Malaca e atacaram Macau.

Trata-se de uma obra com grande interesse didático tanto para alunos do básico ou do secundário, como para qualquer curioso dos assuntos do “mar que foi português”, dos seus navios, dos seus navegadores, do seu passado. Recomenda-se vivamente a sua leitura.

Este livro, com um preço de capa de 17€, encontra-se à venda no circuito comercial das livrarias, designadamente na loja do Museu de Marinha. Os contactos da Chiado Editora são tel 21 346 0100, e-mail geral@chiadobooks.com, endereço postal, Av. da Liberdade, nº 166, 1º, 1250-146 Lisboa.