Autor

Rui Matos

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Quando o Editor me indicou o tema para este número, a tendência foi procurar nos meus modelos antigos um que se enquadrasse nesta área. Posso adiantar que a marinha de recreio nunca foi uma área muito popular no modelismo, com cerca de uma vintena de modelos lançados nas últimas três ou até mesmo, quatro décadas.  Se a ideia é lançar um desafio aos nossos leitores para que aproveitem os seus momentos livres para se dedicarem um pouco ao modelismo, optei por dar indicações sobre modelos que estão disponíveis e não a modelos já de colecção que podem atingir valores exorbitantes, dado a sua raridade!

Uma ida a uma das ainda existentes lojas de modelismo, permitiu-me verificar que esta continua a ser uma área pouco reproduzida à escala. Opções: uma lancha motorizada escala 1/36 ou uma embarcação que pode ser de recreio ou de competição: um Laser à escala 1/18, ambas da firma alemã Revell.

Optei por este último e abrindo a caixa, vemos que o kit vem em plástico branco, permitindo uma pintura mais fácil nos passos finais. A moldagem é muito boa, sem flash (pequenas faixas de plástico injectado que vem junto às peças quando os moldes são mais antigos/mais usados), com um bom detalhe até nas peças mais pequenas. No total são 63 peças de plástico, em que uma, a vela, é em plástico termoformado e outra, também da vela, em acetato.

Poderemos construir a nossa embarcação numa de duas opções: a velejar ou no atrelado (que é incluído). Na versão “a velejar” temos ainda duas opções: Regata ou Competição, mas aqui a opção cinge-se à decoração da vela.

Para os cabos, a firma Revell incluí um carreto com linha apropriada, que segundo as instruções deverá ser colorida em mais duas cores diferentes, de acordo com a necessidade e a aplicação indicada nas instruções. Ainda mencionando as instruções e para quem está menos familiarizado com esta actividade, as indicações passo a passo (23 passos sequenciais) são mostradas em formato de perspectiva, com indicação dos números das peças e onde as colocar… é fácil e até divertido estudar estas instruções!

É pena a decoração da vela ser apenas dedicada a três países: Alemanha, Holanda e Grã-Bretanha, mas também é sabido que nós somos modelistas versáteis e certamente poderemos fazer um Laser português; porque não o nosso, ou aquele onde passámos tantas horas divertidas.

Dado que este modelo não foi construído por mim, posso apenas adiantar alguns conselhos a quem estiver interessado em o fazer. Estes conselhos são para todos os modelos em plástico injectado.

  • Lavar o modelo ainda com as peças na grelha com água fria e um pouco de detergente da loiça, para retirar os resíduos do agente de libertação dos moldes;
  • Estudar atentamente as instruções e segui-las passo a passo;
  • Retirar as peças da grelha apenas quando for para as colar, usando um alicate de corte ou  um x-acto, e com uma lima fina ou lixa, retirar o excesso;
  • Usar tintas e colas apropriadas para este tipo de plástico – as “outras” servem mas o resultado pode ser catastrófico ou pelo menos desmoralizador;
  • Usar um primário em spray antes de aplicar as tintas (neste caso usar primário branco, dado o Laser ser maioritariamente branco);
  • Pintar seguindo as cores sugeridas ou então segundo as nossas referências!

Ao fim e ao cabo, após construído, ficaremos com um Laser com 25,9 cm de comprimento por 32 cm de altura, à escala 1/18 (uma escala não muito comum!), que custou cerca de 21,00€ e que nos proporcionou umas boas horas de relaxamento na bancada, em vez de estarmos no trânsito a caminho de uma praia cheia de gente.

Artigo publicado no nº 957 (Setembro/Outubro 2010) da Revista de Marinha