Autor

Sérgio Aparício

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Como dizem os sábios: “…mesmo com a alma partida, ter um sorriso nos lábios.”

Mas custa muito! Dói muito!

Foi alguém que não queria ir embora e até tinha feito projetos para o dia seguinte. Tudo se esvaneceu  num curto momento. Parece que até a natureza se  empenhou em participar  numa simples homenagem à Tânia Oliveira, pois  as nuvens assemelhavam-se  a figuras mitológicas e um ponto de luz, vindo do céu,  iluminou aquele desenho feito pelos surfistas a imitar uma prancha gigante.

Surfistas dispostos como se duma prancha gigante se tratasse, lançam água ao céu em jeito de despedida à colega que partiu. (Foto de Miguel Resendes)

Homenagens feitas à mesma hora noutros pontos do país.  Ela já era conhecida por quase todo o mundo surfista e a notícia da sua “partida”, deixou muita gente sem palavras.  Hora amarga! Os olhos ficam cheios de lágrimas e a alma enche-se de saudades.

Centenas de surfistas prestaram digna homenagem à Tânia Oliveira. Ericeira, Terceira e S. Miguel foram palcos de homenagem à jovem açoriana que faleceu no dia 1 de janeiro, vítima de inalação de monóxido de carbono. Círculos humanos, em pleno oceano, lançaram flores e algumas lágrimas foram derramadas.

Pranchas desenham um flor, na praia das Milícias, ilha de São Miguel, Açores. (Foto de Miguel Resendes)

Em S. Miguel chegou quase a uma centena e meia de pessoas. Tânia Oliveira, uma das mais promissoras atletas Açorianas, representou os Açores de forma inigualável, deixando gente comovida e sem palavras. Mensagens de carinho e apoio à família e amigos correram os órgãos sociais de quase todo o planeta. Tânia Madruga Oliveira nasceu a 31-10-1997, federada pelo Santa Bárbara Surf Club, treinava há 4 anos e meio. Tinha como resultados Principais: Campeã Regional 2014 e 2015, Vice Campeã Nacional sub 18 em 2015, Top 3 ranking Nacional Open (Liga Moche 2016), Eleita Atleta do Ano pela Câmara Municipal de Ponta Delgada 2016.

Gostaríamos que a vida ensinasse a dizer adeus às pessoas que se gostam, sem as tirar do nosso coração.

É difícil sorrir, quando o sol perde a luz, ocultando a dor. Mesmo assim, fazendo um esforço, sorrindo, tornamo-nos enganadores e todos pensam que somos felizes. A alma de quase todos os surfistas tem o peso da luz. Tem o peso da música, tem o peso da lembrança, tem o peso da saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que se chorou tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

Tânia Oliveira deixou um imenso pesar em toda a comunidade. Connosco ficam as boas memórias. Como atleta e como pessoa nunca será esquecida.

 

(nota da redação: A Revista de Marinha junta-se na homenagem à promissora surfista Tânia Oliveira, enviando respeitosas condolências à família e amigos e agradece a redação deste texto ao seu treinador Sérgio Marcos Aparício)