Marinha de Comércio

Catamarans de alta velocidade ligam ilhas açorianas

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Pela primeira vez em Portugal, uma linha regular de Ferries operou com navios do tipo Catamaran de alta velocidade. A empresa em causa, a ATLANTICOLINE, é uma empresa de transporte marítimo de pessoas e veículos, de capitais públicos da Região Autónoma dos Açores.

Uma HSC ou High Speed Craft é uma embarcação de alta velocidade, também denominada Rapid Ferry ou Fast Craft.  As primeiras embarcações deste tipo surgiram nos anos 60 do século XX, sendo inicialmente na sua maioria do tipo hidrofoil ou hovercraft, mas na década de 90 começaram a tornar-se mais populares os monocascos e os catamarans. São navios comummente propulsionados por motores a diesel e jacto de água.

Por curiosidade, refira-se que a construção deste tipo de navios é dominada por duas empresas australianas, a Austal, de Perth e a Incat, de Hobart. O MASTER JET foi construído pelos estaleiros Incat Tasmania Pty Ltd, em 1991.

O design e a segurança das embarcações de alta velocidade são regulados internacionalmente pelos Códigos de Embarcações de Alta Velocidade de 1994 e 2000, adoptados pelo Comité de Segurança Marítima da Organização Marítima Internacional (OMI).  Em Portugal, as regras sobre a construção e os equipamentos dos navios de passageiros e das embarcações de passageiros de alta velocidade estão publicadas pelo DL nº293/2001, de 20 de Novembro.

O navio MASTER JET, que iniciou as operações de transporte no passado dia 19 de Maio, desloca 3003 toneladas, tem um comprimento de 74 metros, uma boca de 26 metros e um calado de 2,4 metros. Os seus quatro motores Ruston 16R K270 de 19.840 hp, estão ligados a quatro propulsores a jacto de água que o impulsionam a uma velocidade máxima de 36 nós. Em Junho juntou-se-lhe um segundo catamaran, o MEGA JET, que foi construído em 1995.

Nos Açores a velocidade média destes navios ronda os 24 nós, o que vem reduzir substancialmente os tempos de viagem que, especialmente no grupo central, antes se faziam a uma média de 17 nós. Registe-se que as viagens têm sido classificadas de confortáveis e muito agradáveis pelos passageiros.

A ATLANTICOLINE tem uma política de bilhetes muito interessante, donde se evidencia o seu programa sénior com bilhetes para passageiros a partir dos 65 anos, portadores de deficiências com percentagem superior a 60% e para os deficientes das Forças Armadas. Estes cidadãos têm um preço de €7,50 ida / €15,00 ida e volta, nas Linhas Amarela (que liga todas as ilhas, menos o Corvo) e Rosa  (liga Flores e Corvo) e um desconto de 30% nas linhas verdes e lilás (ligam Faial, Pico e S. Jorge e S. Jorge e Terceira, respectivamente).

Mais informação em www.atlanticoline.pt

Oficial da Marinha de Guerra. Especializou-se em submarinos, onde navegou cerca de seis anos. Foi representante nacional na NATO para Electronic Warfare e Psychologic Operations. Esteve colocado cerca de sete anos nos Açores onde foi Autoridade Marítima local. Foi colaborador da Revista da Armada, onde ganhou o prémio em 1997.