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Sábado 22 Jul

NRP Diogo Cão (F-333/1964)


modelismoNa altura em que a Armada Portuguesa volta a ter o número de amura F-333- a fragata NRP Bartolomeu Dias- vamos revisitar o prévio proprietário deste número, o NRP Diogo Cão.

Poderemos construir, a partir de um modelo comercial em plástico, os dois navios que Portugal teve desta classe: NRP Diogo Cão e NRP Corte Real. A firma japonesa Skywave com a sua referência W17- US Navy Destroyer Escort DE-339 John C. Butler, à escala 1/700, permitirá estas construções. Embora esta referência esteja fora de produção, ainda é relativamente fácil de encontrar nalgumas lojas online dedicadas ao modelismo naval, ou em leilões.

Como é norma, para os modelistas nacionais que desejam construir um dos nossos navios, será necessário efectuar alterações para reproduzir a "Diogo Cão". Esta situação deve-se ao facto de o kit representar o navio na sua configuração durante a II Guerra Mundial, e nós recebemo-lo em 1957, já após modernização.

Teremos que optar pelas duas versões possíveis: à data do aumento ao efectivo da Armada, ou após a modernização efectuada no Arsenal do Alfeite. A pesquisa, principalmente as referências fotográficas, são fundamentais para a escolha. Tendo optado pela versão final, mais apelativa, guardamos o segundo navio do kit para uma próxima oportunidade, para representar o NRP Corte Real na versão de 1957. Gostaria de realçar que existem pequenas diferenças no arranjo dos dois navios, durante o mesmo período, o que faz com que cada navio/modelo seja único.

Com todos os dados recolhidos, passamos à fase visível do projecto:

Começamos pelo casco, corrigindo as imperfeições e deformações na moldagem da peça; seguimos para as superestruturas, onde temos as primeiras intervenções: correcção do convés 01 da ponte, adição de volumes a meia-nau, remoção de todos os redutos das Oerlikons de 20mm e  os apoios dos tubos lança-torpedos e material associado, ausentes nos nossos navios. Tendo as superstruturas "limpas", iniciamos a marcação e acrescento das vigias, escotilhas, escadas verticais e "janelas" da ponte alta, em material fotogravado de latão e aço, do stock do "meu estaleiro". A firma americana Tom's Modelworks tem um set dedicado a esta classe de navios, mas ainda faltam elementos, pois a configuração é a da II Guerra Mundial.

Estes pequenos detalhes irão dar mais riqueza ao modelo, que engana quem o vê em fotografia e depois o vê ao vivo, pois pensa que a sua dimensão seria muito maior. Continuando... os redutos das peças Bofors 40mm, duplas e a quádrupla, são feitos de raiz em plástico Evergreen, assim como redutos dos seus Directores de Tiro. Para além das peças originais do modelo não estarem correctas, as novas modificações por forma a que o navio fique com um aspecto coerente, assim o obrigam. A aplicação de balaustrada em latão, no convés e nas superestruturas, dá um aspecto melhor à construção.

Procurando o equilíbrio visual de detalhe no navio, substituem-se todas as peças de Artilharia e quase todo o equipamento AS (salvo o Ouriço), por peças de resina e fotogravação em latão: Bofors duplas de 40mm por itens da Niko Models; Bofors quádrupla de 40mm por item da L'Arsenal; peças de 127mm por item da JAG Collective. Chegamos agora a um dos elementos diferenciadores deste navio: o mastro. Aqui a solução é a construção integral em latão, com plástico Evergreen para as plataformas. Foi usada vara de latão de 1mm e de 0.3mm de diâmetro e para as antenas dos radares, partes de dois sets de fotogravação diferentes.

Existem mais detalhes a serem adicionados, mas a seu tempo. Vamos iniciar a pintura: como foram utilizados diversos tipos de material para a construção do navio, temos de uniformizar o seu tom, e cuidar de uma melhor adesão da tinta. Começamos por uma aplicação geral de primária cinza da firma Tamiya. Após seca, aplicamos o cinzento típico da Marinha Portuguesa e finalmente o cinzento-escuro no convés e superfícies horizontais.

Depois deste processo moroso, pois as tintas têm de estar bem secas, com o prejuízo de termos zonas de cor mista, se não formos pacientes, aplicam-se os números nas amuras e no painel de popa. Estes decalques são de produção caseira, pois não existe nenhuma firma que produza estes tão importantes detalhes. De seguida, de forma a realçar os pormenores do convés e de algumas zonas verticais, aplica-se uma aguada de um cinzento-escuro. Deve-se ter atenção pois o pretendido é realçar de forma subtil estes detalhes, tendo particular cuidado para não exagerar o efeito, pois poderemos ter de reiniciar a pintura.

Adicionam-se os restantes elementos, já pintados, nos respectivos locais: artilharia, directores, mastro, calhas e morteiros, o ouriço e respectivos armários, turcos e gasolino, bóias, holofotes e todos os elementos que dão riqueza ao modelo. Coloco algumas figuras para surpreender os incautos e também, para dar um efeito de escala. Para os cabos, utilizei um produto oferecido por um modelista escocês: um fio de pesca utilizado para amarrar o isco ao anzol. É resistente, está à escala e embora seja uma tarefa dificílima tem um resultado compensador. Cola-se a Bandeira Nacional e a bandeira Romeo tal como numa das fotografias existentes no Arquivo Central de Marinha.

O NRP Diogo Cão está pronto, mas eu gosto de reproduzir os meus modelos a navegar, no seu elemento natural.

Utilizo um dos dois métodos com que me sinto confortável para reproduzir água (massa de modelar Das Pronto), pinto-a de acordo com as minhas memórias cromáticas, fixo o modelo e... está terminado!

Cerca de 70 horas (uma estimativa "por baixo", sem contar com a pesquisa) ao longo de três meses, resultaram nesta representação de mais um dos navios da nossa Armada no Século XX: o NRP Diogo Cão.

Referências:

-  Revista de Marinha nº 801/802 - Artigo de Ricardo Matias

-  75 Anos no Mar (1910-1985), Volume Nº6, do CMG Sousa Mendes

-   Livro "Marinha de Guerra Portuguesa 1962"

-   Arquivo Central de Marinha (fotos)

-   Arquivo Fotográfico Pessoal

 



Rui Matos
Sobre o autor:

 

Comentários 

 
#2 2010-05-04 22:54
Caro Sr. Manuel Gonçalves de Carvalho

Quero em primeiro lugar, pedir-lhe as minhas desculpas pelo comentário muito tardio, mas apenas agora me apercebi do seu pedido de ajuda.

Sem mais demoras, ficam aqui alguns links (Europa e EUA) que têm o modelo em stock:

Alemanha
http://www.nntmodell.com/shop_artikel.php3?MenueNr=46
Pagamento por transferencia bancaria, falam (escrevem) Inglês e são muito simpáticos e prestáveis.

EUA
http://www.pacificfront.com/catalog/product_info.php?cPath=22_34&products_id=527
Pagamento por Cartao de credito, super prestável, envio rápido (especialmente tendo em conta a distância).

Lembro ainda que terá de efectuar bastantes alterações, como cito no artigo, de forma a actualizar o navio para a configuração da nossa Marinha de Guerra.

Obrigado pelo seu comentário.
Cumprimentos,
Rui Matos
Citação
 
 
#1 2010-02-07 16:14
Prezado sr. Rui Matos,
Foi com imenso prazer que tive conhecimento deste modelo da Fragata Diogo Cão. Estive embarcado neste navio, que recordo com bastante saudade, nos anos de 1967 - 1968. Já procurei nas lojas online o kit para construção, mas não consegui encontrar. Daí eu solicitar ao sr. Rui Matos uma ajuda nesse sentido.
Os meus cumprimentos,
Manuel Gonçalves de Carvalho
Citação
 

 

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