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Quarta 24 Maio

Ponto de situação do GMDSS – Global Maritime Distress and Safety System


 

Introdução


GMDSS-1-SITEO Sistema Mundial de Socorro e Segurança Marítima, habitualmente conhecido pela sigla inglesa GMDSS - Global Maritime Distress and Safety System, entrou em vigor em 1992 e estabelece a arquitectura de comunicações necessária à melhoria da segurança marítima e, em particular, à optimização da Busca e Salvamento / Search And Rescue (SAR). Baseia-se numa combinação de serviços de comunicações proporcionados por satélites e por estações terrestres, fazendo utilização extensiva de sistemas automáticos (por exemplo, em situações de emergência os equipamentos GMDSS têm capacidade para enviar automaticamente mensagens de socorro, sem qualquer intervenção dos operadores). O GMDSS aplica-se apenas aos navios da classe SOLAS - Safety Of Life At Sea: todos os navios de carga com mais de 300 toneladas, todos os navios de passageiros com mais de 12 passageiros que efectuem viagens internacionais e os navios de passageiros com mais de 100 toneladas que efectuem apenas viagens domésticas.

Descrição geral do sistema

O GMDSS veio integrar num sistema global alguns sub-sistemas que já se encontravam a funcionar com bons resultados, nomeadamente:
• O sistema COSPAS-SARSAT e as balizas Emergency Position-Indicating Radio Beacon (EPIRB);
• As balizas Search And Rescue Transponder (SART);
• O serviço NAVTEX e;
• O serviço INMARSAT de comunicações por satélite.

As EPIRB's são balizas montadas no exterior dos navios e que podem ser activadas manual ou automaticamente, transmitindo um sinal de socorro que é detectado pelos satélites do sistema COSPAS-SARSAT e re-transmitido aos Maritime Rescue Co-ordination Centres (MRCC) de todo o mundo, de forma a desencadear uma acção SAR. Esse sinal de socorro é transmitido nas frequências de 121,5 MHz (no caso de balizas mais antigas) ou de 406 MHz (nas balizas mais modernas). As balizas de 121,5 MHz não foram desenhadas para processamento por satélite, proporcionando exactidões muito fracas (na ordem dos 20 km). As EPIRB's de 406 MHz empregam tecnologia mais recente, permitindo melhor exactidão (cerca de 5 km, sem integração com um receptor GPS) e cobertura global contínua (ao contrário das anteriores). Importa referir que, a partir de 1 de Fevereiro do corrente ano, os satélites COSPAS-SARSAT deixaram de processar os sinais das EPIRB's de 121,5 MHz, pelo que essas balizas devem ser substituídas pelas de 406 MHz.

As SART são balizas destinadas a ser transportadas nas balsas salva-vidas e a responder às emissões radar de outros navios, fazendo aparecer no display dos navios a menos de 10 milhas um sinal semelhante ao de um RACON (vários pontos no azimute da balsa), facilitando a sua localização (ver figura 1.1). À medida que o navio se aproxima da balsa salva-vidas, os pontos produzidos pela baliza SART tomam a forma de pequenos arcos (ver figura 1.2) e, quando o navio está a menos de 1 milha, o seu display mostra várias circunferências concêntricas, cortadas por uma linha no azimute da balsa equipada com SART (ver figura 1.3)

GMDSS-BALIZAS-1-SITE

O NAVTEX é um sistema de radiodifusão automática da informação de segurança marítima, que permite receber, a bordo, os avisos à navegação costeiros, a informação SAR e os avisos meteorológicos numa rádio-teleimpressora ou em sistemas digitais, como por exemplo os Electronic Chart Display and Information Systems (ECDIS). Os avisos de segurança marítima difundidos através do sistema NAVTEX tomam a designação de avisos NAVTEX.

O INMARSAT é um serviço comercial de comunicações por satélite que utiliza satélites geo-estacionários, que asseguram a cobertura de toda a faixa do globo terrestre compreendida entre aproximadamente 75º N e 75º S.

Além destes sistemas previamente existentes, que o GMDSS integrou, também foram introduzidas algumas novidades, como por exemplo:
• A chamada Digital Selective Calling (DSC) e;
• A SafetyNet.

O DSC é um mecanismo de chamada automática, destinado a iniciar comunicações navio-navio, terra-navio e navio-terra. O DSC pode ser usado em equipamentos das várias gamas de frequências (nomeadamente VHF, MF e HF), dispensando os operadores de rádio. A utilização do DSC permite chamadas selectivas dentro de uma rede, acesso automático a todos os navios e estações costeiras e transmissão digital de mensagens pré-formatadas (por exemplo: mensagens de socorro), entre outras facilidades mais específicas e avançadas.

A SafetyNet é um serviço de transmissão de informação de segurança marítima e meteorológica, a partir dos satélites INMARSAT. Os satélites transmitem informação semelhante à do serviço NAVTEX, ou seja avisos à navegação, avisos de mau tempo, avisos sobre o funcionamento dos sistemas de radionavegação, relatos de gelo da Ice Patrol, etc.
Acresce ainda que os navios passaram a ser obrigados a possuir determinados equipamentos em função da área onde navegam e não em função da sua tonelagem, como acontecia antes da entrada em vigor do GMDSS. Assim, foram criadas as seguintes áreas marítimas, em função da proximidade a estações rádio terrestres:

> Área A1
Área dentro da cobertura radio-telefónica de pelo menos uma estação costeira em VHF-DSC (cerca de 30 milhas). Nesta área, os navios só são obrigados a possuir comunicações em VHF, mas o tradicional canal 16, para chamada de socorro e segurança, foi substituído pelo canal 70, sendo as chamadas efectuadas automaticamente através de DSC. Estas comunicações passaram a ser feitas, sempre que possível, através de transmissão de dados (por exemplo: envio da identificação e posição do navio em caso de emergência), embora também se possam continuar a efectuar comunicações por voz. A obrigatoriedade de escuta no canal 16, para efeitos de chamada de socorro e segurança (que estava previsto cessar em 1 de Fevereiro de 1999), foi mantida pois a maior parte dos navios que sulcam os oceanos (incluindo embarcações de pesca, embarcações de recreio e outros navios com menos de 300 toneladas) não está sujeita às disposições do GMDSS e caso terminasse a utilização do canal 16 pelos navios da classe SOLAS deixaria de haver forma de os primeiros contactarem estes em caso de emergência. Assim, a Organização Marítima Internacional (OMI) aprovou uma resolução em que determinou que todos os navios, quando no mar, deverão continuar a manter, sempre que praticável, escuta contínua no canal 16, até à altura em que se possa determinar a cessação deste requisito.

GMDSS-ESQUEMA-1-SITE

> Área A2
Área para fora da área A1, mas dentro da cobertura radio-telefónica de pelo menos uma estação costeira em MF (cerca de 100 a 200 milhas). Os navios navegando nesta área deverão possuir equipamentos em MF, com capacidade DSC, existindo uma frequência de socorro em 2187,5 kHz. Além disso, os navios também deverão possuir os equipamentos requeridos para a área A1. A obrigatoriedade de escuta na frequência 2182 kHz cessou em 1 de Fevereiro de 1999, mas as administrações dos países ainda sem infra-estruturas terrestres do GMDSS puderam prolongar a utilização desta frequência, sendo esse o caso de Portugal.

 

> Área A3
Área com exclusão das áreas A1 e A2, mas dentro da cobertura dos satélites INMARSAT (ver figura 3). Na correspondente área de cobertura, os navios deverão estar equipados com estações móveis INMARSAT A, B ou C ou, alternativamente, um trans-receptor HF-DSC. Além disso, os navios também deverão possuir os equipamentos requeridos para as áreas A1 e A2.

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> Área A4
Área para fora das áreas A1, A2 e A3, que corresponde genericamente às regiões polares, onde não se recebe o sinal dos satélites INMARSAT. Os navios que naveguem nesta área têm que possuir um trans-receptor HF com DSC, além dos equipamentos requeridos nas áreas A1 e A2.

A tabela abaixo sumaria, de forma simplificada, os equipamentos obrigatórios em cada uma das áreas marítimas acima referidas.

GMDSS-TABELA-SITE


Ponto de situação em Portugal

Embora Portugal não possua ainda todas as infra-estruturas do GMDSS em terra, ocorreram recentemente alguns avanços significativos que importa abordar.
No continente, a componente de VHF-DSC foi integrada no projecto do VTS (Vessel Traffic Service) costeiro, edificado pelo Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, I.P. O sub-sistema costeiro do VTS nacional inclui 11 estações de comunicações de voz em VHF, co-localizadas com 11 estações radiogoniométricas em VHF e com 11 trans-receptores AIS. Dessa forma, foi decidido aproveitar essas infra-estruturas para aí integrar a componente destinada a cobrir a área A1 do GMDSS, montando estações de VHF-DSC em 7 dos 11 locais já preparados para o sub-sistema costeiro do VTS nacional: Serra da Arga, Serra da Freita, Aveiro, Serra dos Candeeiros, Monte Funchal, Achada, Fóia, Ponta do Altar e Monte Figo. A instalação ficou concluída em Novembro de 2008, encontrando-se as estações VHF-DSC em funcionamento experimental. Falta, neste momento, efectuar os testes de campo para que esta componente do GMDSS seja declarada operacional.
No que toca aos arquipélagos dos Açores e da Madeira, é possível que as respectivas componentes VHF-DSC sejam incluídas no âmbito dos VTS previstos para cada uma das regiões.
Relativamente à componente de MF-DSC, ainda estão em desenvolvimento os estudos necessários à elaboração do projecto, não tendo sido lançados ainda os concursos para implantação das infra-estruturas necessárias. Dessa forma, ainda não se sabe quantas estações de MF-DSC serão instaladas, embora tudo aponte para 4 a 6 estações (2 a 3 no continente, 1 a 2 nos Açores e 1 na Madeira).
Em termos de serviços, a Marinha Portuguesa tem vindo a assegurar o serviço de transmissão de avisos NAVTEX em Portugal, pois tal serviço já estava implementado antes da entrada em vigor do GMDSS, mais concretamente desde Outubro de 1987, em Lisboa, e desde Janeiro de 1988, na Horta. A partir de 4 de Fevereiro de 2002, a Marinha iniciou a transmissão de NAVTEX em português, no Continente e nos Açores. O serviço NAVTEX em língua inglesa é radiodifundido em 518 kHz, enquanto o serviço nacional, em português, funciona nos 490 kHz.

 

Nuno Sardinha Monteiro
MSc (Univ. Nottingham)
PhD (Univ. Nottingham)

 


Nuno Sardinha Monteiro
Sobre o autor:

Comandante do NRP “Sagres”


 

Comentários 

 
#1 2012-10-02 01:35
Gostaria de fazer uma pequena mas importante correção os dispositivos nao enviam mensagens automaticamente em caso de distress sem que um radio operador carregue no botao DSC do dispositivo radio seja ele VHF-DSC,MF\HF-DSC,FLEET-77 ou NBDP nem dispensam a ação dos radio operadores pois o botao DSC somente estabelece uma ligação com uma LES a qual devera emitir um recibo que depois de recebido e interpretado pelo radio operador que procedera a difusão da mensagem de socorro.Os aparelhos nao emitem mensagens sozinhos
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