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Sábado 21 Out

O itinerário subaquático do Océan


ITINERARIO-OCEAN-1-SITEDecorria a Guerra dos Sete Anos quando, na noite de 6 de Agosto de 1759, uma esquadra francesa de 14 navios zarpa de Toulon, sob o comando do almirante de La Clue, embarcado no navio almirante Océan, em direcção ao Atlântico.
Apesar de ter conseguido iludir a força inglesa que patrulhava ao largo desse porto, a esquadra francesa acabou por ser detectada por uma fragata inglesa estacionada ao largo de Ceuta, que alerta os restantes navios ingleses.
Apesar de conseguir cruzar o estreito de Gibraltar, as duas forças acabam por ficar ao alcance das suas peças a partir do dia 17, dando-se, de imediato, início a um violento combate. Com a força gaulesa dispersa durante a noite, na manhã de 18 de Agosto apenas 4 navios permaneciam juntos. E, em virtude de se encontrarem em inferioridade numérica, resolvem entrar nas águas neutras portuguesas e procurar protecção nas fortalezas que guardavam a costa algarvia.
Contudo, os ingleses não tiveram em consideração a posição não beligerante de Portugal e continuaram a perseguição mesmo junto à costa, acabando o Modeste por ser apresado em Sagres, o Téméraire na Figueira, enquanto o Océan encalha a 300 metros da praia da Salema e o Redoutable na praia do Zavial. Ambos estes últimos navios, encalhados numa tentativa desesperada de salvar as tripulações, acabam sob intenso fogo de artilharia dos navios ingleses, que provocaram explosões e incêndios que praticamente os consumiram totalmente.
O Océan era um dos novos navios de 80 peças, de duas cobertas, construído no arsenal de Toulon entre 1756 e 1759, com uma tripulação de 801 homens, para além de 17 oficiais. Tinha um comprimento de 56,7 m e cerca de 15 m de ITINERARIO-OCEAN-3-SITEboca.
Nos anos 80 do século passado, foram encontrados os primeiros indícios da possível presença de um conjunto arqueológico de alguma dimensão, cujos trabalhos arqueológicos, levados a cabo posteriormente, vieram mostrar que se estendiam por uma área de quase 3.000 metros quadrados.
Depressa foi efectuada a associação desses achados com os destroços dos navios franceses perdidos no decorrer daquela que ficou conhecida como a "Batalha de Lagos". Entre os achados encontraram-se vários indícios do que poderia ser a zona das cozinhas do navio, para além de várias âncoras de grandes dimensões, peças de artilharia em ferro e duas peças em bronze de 36 libras, da primeira coberta e outras duas de 18 libras, da segunda coberta.
As peças de artilharia em bronze, mesmo as de maior calibre, mostravam indícios do intenso calor resultante do incêndio que tinha lavrado no navio e de modo a evitar que se acabassem por perder definitivamente estes objectos, diverso material foi recuperado em campanhas realizadas nos anos 90 do século XX.
Sobre o restante espólio que ainda se encontra no local, grande parte dele em ferro, foi em 1993 montado, pela ITINERARIO-OCEAN-4-SITEprimeira vez, um itinerário subaquático. Linhas ligando os diversos núcleos bem como placas explicativas, permitem aos mergulhadores, que visitam o local, retirar o máximo proveito do mergulho.
Igualmente, a pouca profundidade em que se encontram os destroços, assim como a rica vida marinha que povoa a zona, tornam o local num interessantíssimo e popular ponto de mergulho na costa algarvia.


Augusto Salgado
Sobre o autor:
Oficial da Armada e colaborador do DANS

 

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