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Quarta 24 Maio

Mergulhos e arqueologia profundos


ARQUEO-2-SITEEntendi, desta vez, fazer uma abordagem ligeiramente diferente do que habitualmente faço nas minhas colaborações com a Revista de Marinha, falando sobre dois assuntos distintos.
O primeiro reporta-se a um infeliz acontecimento, ocorrido no passado mês de Julho, e pouco habitual nas nossas águas, que foi a morte de um indivíduo durante a realização de um mergulho.
Tratou-se de um mergulho para além das profundidades habituais do mergulho amador e que usualmente é designado por "mergulho técnico", pois envolve um tipo de formação e de equipamentos diferentes dos normalmente utilizados pelos mergulhadores amadores, em especial por utilizar misturas de vários gases, em substituição do simples ar comprimido.
Este tipo de mergulho está normalmente ligado ao mergulho em naufrágios e, em Portugal, tem-se recentemente permitido alcançar e explorar alguns destroços que nunca antes tinham sido explorados e, muitas vezes, nem sequer identificados. Nestes últimos anos os praticantes deste tipo de mergulho permitiram melhorar o nosso conhecimento de diversos destroços que existem na nossa costa. A título de exemplo, relembro um que infelizmente fracassou, e que ocorreu há cerca de um ano, quando dois mergulhadores tentaram alcançar o submarino alemão que foi afundado pela própria tripulação, após o final da Segunda Guerra Mundial na Europa, ao largo da Nazaré.
Independentemente desta funesta ocorrência, não podemos afirmar que se trata de um actividade perigosa, mas que, pelas suas características específicas, acarreta mais algum risco que o simples mergulho designado de "amador".
Até porque importa alertar os leitores menos atentos a estas questões que, infelizmente, ocorrem, com mais frequência do que é desejável, mortes ligadas ao mergulho amador, inclusivé aqui na Europa. Ainda em Junho deste ano, a praticar mergulho, morreram cinco cidadãos ingleses e, em Julho, outros três mas, destes, apenas um estava fazer mergulho técnico.
A outra questão que venho abordar, prende-se com mergulhos/arqueologia a grandes profundidades relacionados com duas acções realizadas por uma firma de caça ao tesouro, a Odyssey Marine Exploration, Inc, cujas mais recentes actividades têm algumas ligações com Portugal.
A primeira acção acabou na recente decisão do tribunal americano onde decorre a batalha jurídica entre essa firmanorte americana e o Estado Espanhol, que a obrigou a devolver todo o espólio que esta tinha recuperado de uns destroços que se supõe serem da fragata espanhola Nª. Srª. das Mercedes (já abordada nestas páginas). Relembro que, ao contrário do que é habitual em situações semelhantes, para além de não divulgar o local, a firma nunca avançou ARQUEO-1-SITEpublicamente com a possível identidade do destroço de onde recuperou uma grande quantidade de moedas, de ouro e prata, no valor declarado de 500 milhões de dólares. Mencionando os registos coevos, que o naufrágio teria ocorrido ao largo da costa algarvia, levanta-se também aqui a questão, se a recuperação terá, ou não, ocorrido em águas de jurisdição portuguesas.
A segunda acção prende-se com a descoberta dos destroços do navio de linha inglês, a HMS Victory, antecessor daquele que ficou célebre na batalha de Trafalgar com o almirante inglês Lord Nelson, e que se encontra em exposição em Portsmouth. Também aqui, existe uma curiosa ligação com Portugal embora, neste caso, esta seja apenas transversal, que é o facto de o navio transportar um de tesouro de 100.000 moedas de ouro pertencentes a mercadores holandeses, e este ter sido embarcado em Lisboa, em 1744.
Neste caso, a mencionada firma de caça ao tesouro, optou por uma estratégia diametralmente oposta à da situação anteriormente mencionada, pois declarou, desde logo, o navio que era, ou julga ser, para além da zona genérica onde foi encontrado. Tenta agora, utilizar o argumento da preservação dos destroços e a ameaça que, aparentemente, decorre da pesca de arrasto, para "convencer" o governo britânico a conceder-lhes autorização para explorarem os destroços.
Todas estas situações mostram o fascínio que os naufrágios continuam a exercer e, à medida que as águas menos profundas se encontram cada vez mais exploradas, o interesse vira-se agora para aqueles que se encontram a maiores profundidades.


 

 


Augusto Salgado
Sobre o autor:
Oficial da Armada e colaborador do DANS

 

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