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Domingo 25 Jun

A Fragata D. Fernando II e Glória em Cacilhas

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Desde 26 de Novembro de 2007 que a Fragata D. Fernando II e Glória se encontra em doca seca, na doca nº2 da "Parry & Son"D.FERNANDO-2 em Cacilhas.
Após mais de doze anos a flutuar e a sofrer as agruras da impiedosa força do Sol, do vento e da chuva no seu casco de madeira e demais estruturas, houve naturalmente que a conduzir a local onde pudesse ser convenientemente reparada.
Ao celebrar com a Câmara Municipal de Almada e com a AGII Atlântico um protocolo, a Marinha de Guerra Portuguesa encontrou uma solução para uma docagem de longa duração, que permitirá efectuar uma reparação de fundo no casco e uma melhoria de todo o aparelho desta histórica "Nau", ao mesmo tempo que se mantém aberta a visitas do público interessado.
Antes de abordar o momento actual da Fragata, vejamos como tudo começou:
Corria o ano de 1821 quando o Intendente da Real Marinha de Goa e Inspector dos seus Arsenais, Cândido José Mourão Garcez Palha, propôs a Lisboa, por intermédio do Governo-geral, a construção de uma Fragata em Damão.
Com a natural dificuldade de comunicações da época só em 1824 se recebeu de sua Majestade o Rei D. João VI, a autorização para tal empreendimento, ficando-lhe desde logo afectados os rendimentos do tabaco e outros meios a disponibilizar no ano seguinte.
As razões apontadas para a construção do navio em tão longínquas paragens assentavam no facto da mão de obra ali ser mais barata, haver experiência de construção e ainda ao facto importantíssimo de Damão estar muito perto de Nagar-Aveli e este enclave possuir uma imensa floresta de Teca, óptima madeira para a construção naval.
Sabemos que foram derrubadas mais de 3.700 árvores para a construção do navio, facto que nos nossos dias seria impensável, não só pelo custo da madeira mas acima de tudo por questões de preservação de uma espécie vegetal ameaçada de extinção.
Passando por várias vicissitudes decorrentes das lutas liberais e consequentes dificuldades politicas e orçamentais no Reino, a construção deste navio nos estaleiros Reais de Damão esteve parada por diversas vezes até que numa última arrancada se conseguiu aprontar e lançar ao mar em 1843. De Damão seguiu em guindolas para Goa onde recebeu então a sua mastreação e armamento.
Em 2 de Fevereiro de 1845 partiu de Goa para a sua viagem inaugural tendo chegado ao quadro dos navios de guerra no Tejo em 4 de Julho do mesmo ano.
Navegou durante 33 anos efectuando numerosas viagens entre Lisboa e os territórios portugueses de além-mar, transportando todo o género de mercadorias, passageiros, degredados e respectivas famílias e também dignitários do Estado que iam tomar posse de lugares da administração pública nos confins do Império ou que dali regressavam.
Em 1889 foi o navio transformado para servir como Escola de Artilharia.
Em 1938, depois de ter sido também prisão para crimes políticos e local de julgamento de crimes dessa natureza, serviu como Navio Chefe das Forças Navais do Continente.
Em 1940 recebe novas adaptações para ser a sede da Obra Social da Fragata D. Fernando e é nessa situação que se encontra em 3 de Abril de 1963.
Neste desditoso dia, quando se procedia à soldadura de um tanque de gasóleo sem que fossem observados todos os preceitos de segurança, deflagra um pavoroso incêndio que lhe consome uma grande parte do casco e das superstruturas.
A bordo estavam 137 jovens que aprendiam o ofício de Marinheiro os quais foram todos salvos embora alguns sofressem pequenas queimaduras e ferimentos ligeiros.
A Obra Social passou depois para instalações em Setúbal para onde os jovens foram transferidos.
Entre os muitos actos de abnegação e coragem verificados durante o combate ao incêndio, figura um, descrito no Diário de Noticias de 4 de Abril, que dá conta da acção desenvolvida por dois Mestres de rebocadores e por três Bombeiros dos Voluntários de Almada os quais, vendo que a Bandeira Nacional estava prestes a ser consumida pelas chamas, se prontificaram para a "salvar". Assim num ambiente de incêndio, enquanto os dois Mestres movimentavam a adriça para arriar a Bandeira, os Bombeiros perfilados e em Continência, indiferentes às chamas e ao denso fumo que já os envolvia, prestavam a última guarda de honra à Bandeira que ali drapejava há muitos e muitos anos.
Após o incêndio, a Fragata foi rebocada para zona onde não perturbasse a navegação no Tejo e permaneceu adornada sobre Bombordo e meio enterrada no lodo durante cerca de 29 anos.
O intuito de muitos Marinheiros foi desde logo conseguir a sua recuperação mas os crónicos problemas financeiros e, admitamos, o imenso trabalho que a obra requeria foram desvanecendo o sonho e enfraquecendo a vontade de quase todos.
O então Comandante António Andrade e Silva foi no entanto um dos que nunca esmoreceu. Muitos fins de semana, ao leme do pequeno veleiro "O Vadio", herdado de seu pai, conduzia a sua família para junto do que restava da velha "Nau" e por vezes, ali atracavam, comiam o farnel preparado para a ocasião e os mais novos escutavam fragmentos da sua história.
O Tiago, com a imaginação fértil de um garoto de 4 ou 5 anos, tocado pelos elementos históricos relacionados com o grande veleiro, julgava até já ter chegado à Índia.
Em Outubro de 1990 foi constituída uma Comissão Executiva com o objectivo de "promover, dinamizar e acompanhar a execução do projecto de recuperação da fragata D. Fernando".
D.FERNANDO-1Como Chefe do Estado-maior da Armada, o Almirante Andrade e Silva, em nome da Marinha assinou em 2 de Outubro de 1990, a bordo do N.E. Sagres, um protocolo com a Comissão Nacional para as comemorações dos Descobrimentos Portugueses tendo em vista a recuperação da Fragata. Seguiram-se apoios governamentais e foi-se reunindo o suporte financeiro Mecenático de várias Instituições públicas e privadas e de muitas entidades particulares.
No dia 20 de Janeiro de 1992, após uma operação muito trabalhosa, foi arrancado do lodo e posto a flutuar o casco da D. Fernando o qual, depois de operações difíceis e morosas de limpeza e selecção de madeiras, haveria de ser colocado, meses depois, a bordo da doca seca flutuante do Arsenal do Alfeite e rebocado para o cais do porto de Aveiro onde deu entrada em 01 de Outubro. Vencidos inúmeros obstáculos processuais, os estaleiros da Ria Marine em Aveiro iniciaram finalmente em 5 de Julho de 1993 os trabalhos de restauro que iriam demorar 5 anos.
Em 28 de Abril de 1998 o navio é reintegrado na Marinha de Guerra Portuguesa como Unidade Auxiliar (UAM 203).
Por Despacho do CEMA de 12 de Agosto de 1998 a "D. Fernando" é atribuída ao Museu de Marinha depois de ter sido considerada Navio Histórico da Marinha pelo Decreto-Lei nº188/98 de 10 de Julho.
Durante a sua estadia na EXPO 98 a Fragata foi visitada por quase 900.000 pessoas, tendo recebido os maiores elogios, marcando de modo significativo a presença da Marinha naquele certame Internacional.
Após este período de exposição o navio andou um pouco por todo o lado; esteve na Doca de Marinha, na doca do Espanhol, no Arsenal do Alfeite e finalmente entrou em 26 de Novembro de 2007 na doca seca onde se encontra.
Os problemas de fungos, bactérias e cogumelos que durante algum tempo o atormentaram estão debelados. Uma vez instalado um sistema de ventilação do porão não mais se pensou nesses aborrecidos problemas.
Procede-se no momento às operações de montagem de aparelho fixo no gurupés e na bujarrona de forma a permitir a prossecução dos trabalhos de montagem do arvoredo que lhe falta e que lhe pertence.
Prosseguem os trabalhos de reparação do calafeto do convés e de beneficiação de Mastaréus e vergas. A ETAR existente a bordo vai ser objecto também de uma beneficiação. A pintura da borda interior está a ser melhorada, havendo ainda que contar com a indispensável substituição de todos os oleados que cobrem as escotilhas do convés. Todo este material tem cerca de 12 anos e dá mostras de já ter ultrapassado o seu tempo útil de vida.
Desde 1 de Março de 2008 a Fragata-museu recebeu mais de 31.000 visitantes e recolheu cerca de 50.000 Euros de receitas, sendo certo que tem recebido muitos visitantes de modo gracioso.
Acredita-se que a missão da Fragata está a ser cumprida a julgar pelas inúmeras referências elogiosas que tem ficado averbadas no Livro de Visitantes.
Tem sido recebidas igualmente numerosas provas de carinho por parte da Câmara Municipal de Almada a qual tem sido incansável para acorrer a todas as solicitações que lhe tem sido colocadas e daí que estamos certos que o navio se encontra bem em Almada e que aqui deverá continuar enquanto for essa a vontade das partes interessadas e, fundamentalmente , enquanto for procurado como destino turístico e cultural.

 

Comentários 

 
#3 2012-04-29 14:35
A nau está preparada para navegar caso seja necessário? Para poder participar em regatas internacionais?
Citação
 
 
#2 2011-08-17 02:39
Exmos. Senhores,
Fui aluno da Fragata D. Fernando, nos anos de 1962 e 1963, estava a bordo quando deflagrou o incêncio.Sofri ligeiras queimaduras e estive a recuperar na Liga dos Amidos dos Hospitais. Quando regressei fui para a Capitania do Porto de Setúbal onde estive até 20 de Julho de 1963, ano em que fiz lá a 4ª. classe. A todo o pessoal desde praças a oficiais, sobretudo ao Sr. Comd. Alberto Campos, que me ajudou a abrir o caminho que trinhei, o meu iterno e reconhecido agradecimento.
Solicito, de V. Exas a seguinte, informação quem foi o fundador da mencionada Obra Social da Fragata D. Fernando.
Desde já grato, pela atenção dispensada, fico na esperança de uma resposta.
Respeitosos cumprimentos,
JCI
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#1 2011-03-15 18:18
sou aluna do 5ano de escolaridade e estive hoje numa visita de estudo a este nau ...
li a vossa pág. e achei muito interessante porque está muito parecido ao que explicaram na nau só que tem alguns pormenores que lá na nau não aprendemos.
gostei muito .

Joana
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