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Sábado 22 Jul

Adendas ao artigo Quatro navios com o nome de “Carvalho Araújo”, publicado a paginas 31/35 da Revista de Marinha nº 951

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Tendo recebido uma carta muito simpática do Sr. Comandante Saturnino Monteiro referente ao artigo em epígrafe, a qual contemADENDA-CARVALHO-ARAUJO-1 informações adicionais muito interessantes sobre o afundamento do ex-"JONQUIL", publica-se em adenda, e com a devida vénia, a parte mais importante da referida carta:

"Em Julho de 1964 encontrando-se aquele navio em muito mau estado e, com frequência, metendo água sobretudo pela parte de ré, foi decidido rebocá-lo para o mar alto e afundá-lo, aproveitando a ocasião para fazer um exercício de cargas de demolição e de tiro de artilharia com os navios envolvidos na operação os quais foram a fragata "DIOGO GOMES" e o navio-patrulha "SÃO VICENTE"do meu comando.
Coube ao "SÃO VICENTE" a colocação a bordo do "CARVALHO ARAÚJO" das cargas de demolição e respectivos rastilhos, o que foi feito sob a direcção do 2º tenente Rodrigues do Nascimento. Competia à "DIOGO GOMES" rebocá-lo até ao ponto escolhido para o seu afundamento. A ideia era, à chegada a esse ponto, a equipa do "SÃO VICENTE"ir a bordo do "CARVALHO ARAÚJO" no bote de borracha, pegar fogo aos rastilhos e, seguidamente, retirar para o "SÃO VICENTE". Quando as cargas explodissem tanto a fragata como o patrulha abririam fogo com toda a artilharia fazendo um número limitado de tiros para não gastar muitas munições. Para apressar o afundamento tinham sido deixadas abertas todas as portas interiores e as vigias do "CARVALHO ARAÚJO".
Saímos de Luanda por volta do meio dia, navegando a velocidade reduzida, a fragata rebocando o "CARVALHO ARAÚJO", o patrulha pela sua alheta de BB. Já ao fim da tarde, pude observar que devido ao mau estado em que aquele se encontrava, estava a afundar-se progressivamente. Quando a água começou a entrar em grande quantidade pelas vigias da popa avisei o comandante da fragata que imediatamente mandou largar o reboque. Começando já a escurecer, a popa do "CARVALHO ARAÚJO" mergulhou por completo e a proa levantou-se ficando o navio metade fora de água, na posição vertical. Mandei abrir fogo com a «Bofors» e as «Oerlikons». Instantes depois a "DIOGO GOMES" também abria fogo. Foi um espectáculo inesquecível. A proa do "CARVALHO ARAÚJO", pintada de branco, toda fora de água como se fosse um enorme cetáceo nas vascas da agonia; os rastos coloridos das tracejantes e a luz crua de um projector iluminando a cena. Em poucos minutos o belo navio desapareceu, ficando a pairar sobre o mar um silêncio de morte. Regressámos a Luanda no estado de espírito de quem acabava de assistir a um funeral.
Como é óbvio nem as cargas de demolição nem os tiros de artilharia contribuiram minimamente para o afundamento do "CARVALHO ARAÚJO". O "CARVALHO ARAÚJO" afundou-se ao largo de Luanda , em Julho de 1964, devido ao mau estado em que se encontrava, quando seguia para o mar alto, a reboque da fragata "DIOGO GOMES", para ser afundado em águas mais profundas."

Estas informações adicionais do Sr. Comandante Saturnino Monteiro têm tanto mais interesse para mim porquanto encontrando-me embarcado como primeiro piloto, a bordo do paquete "INFANTE DOM HENRIQUE", da Companhia Colonial de Navegação, que naquele dia se encontrava atracado ao cais da gare marítima de Luanda, presenciei toda a cena do afundamento através dos meus binóculos.
Só recentemente, depois daquele artigo ter sido publicado, me ocorreu que o paquete "CARVALHO ARAÚJO" também participou, na primavera de 1931, na repressão da revolta da Madeira e daí ter resolvido escrever a pequena adenda que se segue:

Sendo, naquela época, o mais moderno dos paquetes Portugueses com pouco mais de um ano de serviço, foi aumentado ao Efectivo dos Navios da Armada em 21 de Março de 1931 com a designação de cruzador auxiliar "E" e no dia 23 zarpou de Lisboa para o arquipélago da Madeira conduzindo a bordo o Ministro da Marinha contra-almirante Luís António de Magalhães Corrêa nomeado chefe supremo de todas as forças militares que foram enviadas para restabelecerem a ordem naquele arquipélago.
Foi nomeado comandante do navio o capitão-tenente Manuel José Possante.
O cruzador auxiliar "E" regressou ao Tejo no dia 12 de Maio tendo o comandante desembarcado no dia 14, data em que o cruzador auxiliar "E" foi abatido ao Efectivo dos Navios da Armada voltando a ser o paquete "CARVALHO ARAÚJO" da Empresa Insulana de Navegação.

 

Nota: Legenda da foto: O cruzador auxiliar "E" fundeado na baía do Funchal. Note-se um hidroavião e por ante a vante dele uma peça Hotchkiss de 47 mm instalados no tombadilho de ré. Fundeadas próximo encontram-se as canhoneiras "BENGO", "DAMÃO" e "IBO" todas três da classe Beira. Mais ao mar o cruzador britânico "LONDON".
Fotografia da colecção do autor


José Ferreira Dos Santos
Sobre o autor:
Capitão da Marinha Mercante e
Membro Efectivo da Academia de Marinha

 

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