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Sábado 21 Out

Os “Galeões” de Vigo (1702)


GALEES-1Talvez nenhum outro conjunto de navios afundados tenha captado tanto a atenção e a imaginação de caçadores de tesouros e até de arqueólogos subaquáticos, como os navios afundados em Vigo em 1702.

Esta história inicia-se no dia 2 de Junho de 1702. Suspendem ferro do porto de Havana 19 grandes navios da Coroa espanhola, habitualmente designados por galeões, embora já nada tivessem em comum com aqueles do século XVI e dos inícios do XVII, transportando nos seus porões metais preciosos das Américas recolhidos durante 4 anos. A escoltá-los encontrava-se uma força de 23 navios franceses.
Necessitando o novo monarca espanhol, Filipe V, urgentemente desses meios financeiros para o conflito que o opunha à designada "Grande Aliança", naquela que ficou conhecida como a Guerra de Sucessão Espanhola, entendeu autorizar a missão, apesar de estar ciente do perigo que representava tal concentração de riqueza.
Após uma viagem sem problemas até aos Açores, quando se encontravam nas proximidades desse arquipélago são informados de que uma força naval anglo-holandesa, com mais de 150 navios, os aguardava ao largo das costas da Andaluzia. Face a esta informação, estes foram obrigados a divergir o seu rumo para Vigo, por as suas características naturais permitirem melhores facilidades de defesa que Sevilha.
A força naval carregada com o tesouro, consegue entrar na baía de Vigo sem ser detectada a 22 de Setembro desse mesmo ano e, contrariamente ao que é tradição, a preciosa carga começou a ser imediatamente retirada de bordo dos galeões, para posteriormente ser transportada por terra para Sevilha. Depressa os navios da coligação anglo-holandesa tiveram a informação da chegada dessa força e, de imediato, iniciaram o bloqueio do porto de Vigo.
Ao fim de cerca de um mês de bloqueio, os sitiantes decidem investir contra os navios, num ataque simultâneo por terra e água. Apesar do elevado número de tropas, artilharia defensiva e dos dispositivos colocados para bloquear os ataques, os assaltantes conseguem alcançar os navios fundeados, mas estes são incendiados para evitar a sua captura.
Relatos fantasiosos referem que, no incêndio dantesco que se seguiu, era possível ver o ouro e a prata derretidos pelo intenso calor, assemelhando-se a rios de lava incandescente, a precipitarem-se em direcção às profundidades das águas da baía de Vigo.
GALEES-2São essas imagens ilusórias, assim como a crença de que a Coroa espanhola teria deixado o tão necessitado tesouro a bordo dos seus navios durante mais de um mês, que alimentam os caçadores de tesouros, desde pouco depois deste trágico episódio. Esta crença foi levada ao seu esplendor máximo no romance das "20.000 Léguas Submarinas", de Júlio Verne, em que o autor escolhe exactamente os navios afundados de Vigo como fonte da riqueza do célebre capitão Nemo.
Entre os diversos trabalhos efectuados em Vigo à procura do elusivo tesouro, fez um século que uma companhia inglesa adquiriu os direitos de exploração, até 1915, e também dos inventos do engenheiro italiano Giusseppe Pino, nomeadamente o célebre "hydroscopo" bem como de um tipo de elevador, designado por "excelsior", que permitia trazer à superfície cargas com o peso de várias toneladas.
Com estes aparelhos, a companhia tencionava localizar e resgatar os cerca de três biliões de reais, que acreditava ainda se encontrarem no fundo das águas de Vigo.
Segundo afirmaram os jornais da época, com o auxílio do "hydroscopo" (era uma espécie de potente telescópio para ver dentro de água) a firma teria conseguido localizar vários navios, identificado os destroços através dos respectivos nomes, feito medições dos mesmos e estudado as características oceanográficas dos fundos da baía. Apenas para efeitos de experiência, retiram do fundo do mar algumas peças de artilharia e bocados de madeira, esta em muito bom estado de conservação.
Naturalmente que nada mais se sabe dessas célebres descobertas mas, a verdade é que, século XX adentro, continuaram a ser efectuadas campanhas de prospecção, naturalmente também com resultados bastante diminutos. Esta história e outras foram divulgadas ao público há cerca de 8 anos, exactamente no 3º centenário da batalha, numa interessantíssima exposição que decorreu no recém inaugurado (na altura), Museo do Mar de Galicia.
No que se refere ao dito "hydroscopo", este pesava mais de 100 toneladas. Era composto por uma plataforma que permanecia sempre fora de água e um largo tubo de acesso com uma escada interior que podia ser arriado até à profundidade desejada. Na extremidade do tubo encontrava-se uma câmara, com lentes que permitiam uma visão excepcional, com 15 cm de grossura, e onde se encontrava um observador que conseguia ver num raio de 1.500 metros, mesmo em locais com pouca visibilidade, como era o caso da baía de Vigo.

 

LEGENDAS DAS IMAGENS

Fig 1 Pormenor da batalha na Baía de Vigo (colecção particular)
Fig 2 O célebre Hydroscopo (Colec. particular)

 


Augusto Salgado
Sobre o autor:
Oficial da Armada e colaborador do DANS

 

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