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Quarta 23 Ago

“Nos mares do fim do mundo”

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 3603Com data de Março 2016, colaboração do Museu Marítimo de Ílhavo, e apoio de um grupo de leitores por meio de um projeto de financiamento coletivo, a E-Primatur, chancela editorial de “Letras Errantes, Lda”, acaba de publicar “Nos mares do fim do mundo”, aquela que foi a única obra de prosa do dramaturgo Bernardo Santareno, em boa hora reeditada, e incluindo agora dois textos inéditos, “Responsabilidade” e “Rebelião”.

 Bem ilustrado com várias fotografias, uma sugestiva capa e bom papel, o livro tem um excelente prefácio da autoria do ilustre Prof. Álvaro Garrido, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, que nos recorda quem foi Bernardo Santareno, pseudónimo de António Martinho do Rosário (1920-1980), por muitos considerado “o maior dramaturgo português do século XX”, e nos prepara para um melhor entendimento desta coletânea de textos, inicialmente escritos sob a forma de apontamentos em bloco-notas. Trata-se de uma obra que resulta muito interessante, do ponto de vista estético, literário, psicológico e documental, um ...misto de diário, literatura de viagens, reportagem, ensaio poético e grande aventura.

 Através de textos, aparentemente soltos, Bernardo Santareno desvenda-nos um retrato rico de apurada sensibilidade, profunda humanidade e realismo. Revela-nos, efetivamente, não só a dureza inimaginável da vida dos pescadores portugueses que naqueles anos 50 do século passado partiam para a Terra Nova e Gronelândia e que ele acompanhou como médico da frota bacalhoeira, mas também a alma, o caráter, os sentimentos, os medos e a bravura daqueles homens simples que afrontavam oceanos, gelos, nevoeiros e tempestades não já em busca de novas terras, como os Descobridores da nossa História, mas do sustento das suas famílias. Aliás, também não são esquecidas as referências às famílias e às mulheres que aparecem em alguns textos. E são estas “estórias” cheias de dramatismo que Bernardo Santareno de certo modo quis acrescentar à nossa História, dedicando a sua obra à memória daqueles heróis esquecidos por todos, mas a quem chama “tipos perfeitos da raça” e que “todos os dias, naturalmente, fazem milagres de força”.

 Embarcando sucessivamente, em 1957, no arrastão DAVID MELGUEIRO, em 58, no SENHORA DO MAR, navio-motor de pesca à linha e em 59, no navio-hospital GIL EANNES, Bernardo Santareno escreveu e descreveu o que viu, sentiu e viveu naqueles duros anos de campanhas da pesca do bacalhau, fortemente incentivadas e apoiadas desde 1937 pelo regime português de então e que só no ano de 1959 arregimentou 5.182 homens, segundo nos diz o Prof Álvaro Garrido, provenientes das mais diversas localidades do litoral e do interior do país.

 À época, Bernardo Santareno viu a sua escrita censurada e foi alvo de polémica e até de injusto silêncio e desprezo, pelas autoridades, sobretudo por razões políticas. Aliás, a sua personalidade foi profundamente marcada pela religiosidade da mãe, senhora muito católica que chegou a querer encaminhá-lo para o Seminário e simultaneamente pelo pai, republicano e anticlerical, que o persuadiu a tirar o curso de Medicina, e em vários momentos destas narrativas, são curiosamente bem patentes as influências recebidas e assumidas por um homem de invulgar sensibilidade e de grande talento literário.

 Na sociedade consumista em que nos habituamos a viver e num tempo em que poucos se recordarão já das nossas “gloriosas” frotas bacalhoeiras, ler esta obra é assim, uma excelente oportunidade de pela mão de Bernardo Santareno poder conhecer uma realidade do nosso passado não muito distante, de a guardar na memória, e pedagogicamente, poder transmiti-la aos nosso filhos e netos.

 Para mais informações, contactar www.E-primatur  

Por  FF  

 


 

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