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Domingo 26 Mar

Terminal de Cruzeiros de Leixões em Livro

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            3616 01No passado dia 14 de Maio, coincidindo com as festividades do Senhor de Matosinhos, decorreu a cerimónia de apresentação do livro “TERMINAL DE CRUZEIROS DE LEIXÕES” do também autor do projecto do edifício, arquitecto Luís Pedro Silva, em sessão que teve início por volta das 18h00. A cerimónia, que decorreu no salão polivalente do terceiro piso do edifício do terminal, contou com a presença e a intervenção, na mesa, do Presidente do Conselho de Administração da APDL, Engº Emílio Brogueira Dias, do Presidente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Arq. Carlos Alberto Guimarães, do autor do livro e do projecto do edifício do Terminal de Cruzeiros, Arq. Luís Pedro Silva e, finalmente, do Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Dr. Guilherme Pinto.

                  Abriu a sessão o presidente da APDL que discorreu sobre o porto de Leixões e o sucesso que tem experimentado o turismo de cruzeiros, que obrigou a delinear uma estratégia para receber não só os navios, cada vez maiores, bem como o esperado fluxo de cruzeiristas. Daqui resultou que se avançasse para a construção de novas estruturas capazes de dar resposta ao movimento esperado, o que viria a revelar-se uma decisão acertada, pois os movimentos cresceram enormemente, quer quanto ao número de navios quer quanto ao número de passageiros movimentados, logo na sequência da conclusão do novo cais junto ao molhe sul do porto, em 2011. A comprovar o acerto desta decisão, contam-se já com 92 escalas de navios de cruzeiros confirmadas para o próximo ano, esperando-se que a muito breve prazo o número de passageiros que passarão por Leixões venha a ultrapassar os 100.000. Acentuou ainda que se pretende que o novo terminal se torne acessível ao público por meio de um passadiço que será instalado ao longo do molhe sul desta infra-eatrutura, logo que as concessionárias dos pipelines executem a necessária limpeza, que possibilite a sua desmontagem em segurança. Referiu ainda o interesse da Universidade do Porto em ocupar uma parte do edifício, a quem será atribuída cerca de metade da sua área útil, para aí instalar laboratórios de investigação científica na área das ciências do mar, que acolherão cerca de 250 investigadores, bem como um biotério, no piso inferior.

                  Ao Arq. Carlos Guimarães coube a tarefa da apresentação do livro. Principiou por dissertar sobre o papel da Arquitectura enquanto modeladora de espaços e de ambientes, da responsabilidade dos Arquitectos na organização dos espaços e na adequação do projecto aos interesses em presença com respeito e sensibilidade, acentuando a necessidade e a obrigação de os edifícios se integrarem harmoniosamente no espaço, urbano ou outro. Frisou, a propósito, que sob o ponto de vista de integração o Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões é já hoje um ponto de referência incontornável na paisagem de Matosinhos, em especial da sua orla costeira. Referindo-se concretamente ao livro “TERMINAL DE CRUZEIROS DE LEIXÕES”, considera-o constituído por três partes, a primeira das quais se refere aos estudos que conduziram ao projecto, designadamente os efectuados no âmbito do programa de reordenamento de áreas com densidade significativa de transporte rodoviário no norte da àrea Metropolitana do Porto, AMP, (PRADSTR-NAMP), que teve por base um trabalho de investigação do autor, contendo ainda os desenhos, os esquiços e os estudos que reflectem a evolução do pensamento do arquitecto e a evolução do projecto desde a sua concepção até aos desenhos finais. A segunda parte do livro, segundo o orador, reflecte a evolução da obra até à sua conclusão e, finalmente, a terceira parte, que designou por convite, estende-se a todos os possíveis utentes, quer se trate de cruzeiristas que passam pelo terminal, quer pelos investigadores que virão a ocupar os gabinetes de investigação do Parque de Ciência e Tecnologia do Mar, quer ao público em geral que a ele virá a ter acesso a partir da marginal de Matosinhos quando o previsto passadiço estiver em funcionamento, apresentado numa bela recolha fotográfica.

                  O autor do projecto do edifício, Arq. Luís Pedro Silva, além de fazer referência à edição do livro de que é o principal autor, agradeceu ainda não só o interesse da Editora como 3616se referiu a quem de algum modo participou na sua feitura, designadamente patrocinando a sua publicação. Teceu ainda algumas considerações a propósito da obra, fazendo dela uma descrição sumária, acentuando a complexidade de fazer conviver num mesmo edifício várias valências, nele alojando o Polo do Mar do Parque de Ciência e Tecnologia do Mar da Universidade do Porto e os serviços de check-in, fronteira e bar do Terminal de Cruzeiros, sem esquecer os serviços de apoio à marina situada entre o novo cais acostável e o molhe sul do porto e a pretensão de facultar o acesso público ao edifício do terminal, especialmente à sua cobertura, onde foi criada uma espécie de anfiteatro. Referindo-se à forma do edifício do Terminal de Cruzeiros, definiu-o como uma espécie de rótula da qual partem três braços, sendo um deles a manga de acesso às embarcações, um outro ligando à malha urbana de Matosinhos, estendendo-se por um passadiço a construir sobre o molhe sul do porto e o terceiro descendo em direcção à marina. Em relação ao revestimento, interior e exterior, explicou que os azulejos de um branco opalino e forma hexagonal, com relevo e assentes de forma aleatória, imitando as escamas de peixe, procuravam tirar partido da refracção da luz motivada pela sua incidência sobre a superfície azulejada e deliberadamente formando um padrão irregularmente movimentado e muito sensível às variações da luz e ao movimento do observador. O aspecto construtivo também mereceu uma breve referência, assentuando que o edifício possui uma estrutura em betão com fundação por estacas, tendo-se feito estudos de composição do betão para garantir a sua durabilidade uma vez que se encontra em contacto permanente com a presença agressiva da água do mar.

                  Ao Dr. Guilherme Pinto coube o encerramento da sessão. Não deixou de manifestar a sua satisfação pelo facto de a cidade de Matosinhos ser um repositório de obras de arquitectura verdadeiramente notável, visitadas por inúmeras pessoas que não só por arquitectos, tanto nacionais como estrangeiros. Defendeu que a obra objecto do livro será uma peça chave na dinamização da área costeira de Matosinhos, constituindo mais um ponto de interesse no panorama da arquitectura local, emparceirando com outras obras notáveis de arquitectos, como Siza Vieira, Fernando Távora, Souto de Moura ou Alcino Soutinho que também aqui deixaram obras emblemáticas, citando os exemplos da piscina de marés de Leça da Palmeira e a Casa de Chá da Boa Nova, também em Leça, obras de Siza. Também a peça escultórica conhecida como “a anémona”, localizada numa rotunda próxima do terminal, mereceu a sua referência. Defendeu ainda que o facto de o porto de Leixões ser internacionalmente conhecido como o porto do Porto em nada diminui Matosinhos. Pelo contrário, entende que é altura de não se embarcar em bairrismos bacocos, uma vez que a referência ao Porto, mais como região ou capital regional do que como cidade, também não deixa de abranger a área da cidade matosinhense. Em articulação com a apresentação do livro “TERMINAL DE CRUZEIROS DE LEIXÕES”, a APDL resolveu abrir o Terminal ao público, entre as 10.00 e as 18.00 horas, proporcionando à população visitas guiadas ao edifício; e foram milhares as pessoas que acorreram a Leixões, aproveitando uma oportunidade única de acesso e visita a tão emblemático equipamento, gozando por acréscimo de explicações dadas por pessoas qualificadas para o efeito, enquanto o acesso público não é implementado e o passadiço a construir tornado parte integrante da malha urbana da orla costeira.

Texto e fotografias: Arq. Paiva Leal


 

Navios de Cruzeiro

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