1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>
Domingo 28 Maio

THOMSON SPIRIT estreia em Leixões

PDF Versão para impressão Enviar por E-mail


 3639Procedente de Vigo, passou por Leixões onde atracou pelas 07h00 do dia 2 de Junho o navio de cruzeiros THOMSOM SPIRIT, que partiria pelas 16h00 do mesmo dia rumo a Lisboa.

            Além de se tratar da primeira escala de mais seis que, previsivelmente, efectuará este ano, a visita deste navio merece referência por várias razões.

            Construído pelos estaleiros franceses Chantiers de l’Atlantique, de Saint-Nazaire, (construção V 27), tendo Jacob van den Berg liderado a equipa que o projectou, nasceu como NIEW AMSTERDAM, bem como o seu irmão, o NOORDAM, a sua construção constituiu um verdadeiro balão de oxigénio para os estaleiros. Quando em Outubro de 1980 receberam a encomenda da Holland America Line para a construção de dois paquetes, havia já dez anos que não viam passar pelas suas carreiras de construção navios de passageiros, problema agravado pela dasaceleração da construção de petroleiros por motivo dos choques petrolíferos de 1973 e 1979. Porém, a assinatura do contrato desta encomenda, que previa a construção de duas unidades de 33.900 tons, uma firme e outra em opção, havia de fazer estalar a polémica. De facto, se os estaleiros franceses “embandeiravam em arco”, com um comunicado oficial referindo que esta encomenda permitiria utilizar de novo toda a sua capacidade produtiva, o seu pessoal especializado e os seus escritórios de estudos, na Holanda, porque os seus estaleiros de Roterdão também não respiravam boa saúde, a imprensa local titulava que 270 milhões de florins se escapavam ou que os estaleiros locais eram demasiado caros. Houve, na verdade, duas razões principais que conduziram a tal desfecho: se por um lado os estaleiros de Ste. Nazaire foram os únicos a estabelecer cotações e pagamentos em dólares, por outro lado o crédito à exportação françês era mais atractivo do que o crédito dos Países-Baixos. A estes factos, outros se associavam: A Holland America Line, que estava estabelecida nas Antilhas Holandesas embora a sua actividade se situasse especialmente nos Estados Unidos desde 1971, decide desdobrar a sua frota de paquetes, que assegurava um serviço regular quase centenário no Atlântico Norte, e criar a Holland America Cruises para explorar cruzeiros para as Caraibas, Alasca e outros destinos com saidas de Nova York, Vancouver e Miami. O crescimento da procura e o envelhecimento da frota levam a HAL a entabular, em 1980, negociações com diversos estaleiros navais. Foi, portanto, como consequência destes factos, que surgiu a encomenda aos Chantiers de l’Atlantique do navio que viria a ser o NIEW AMSTERDAM.

            O NIEW AMSTERDAM, além de ter uma popa recta, o que permitiu o alongamento da ponte de passeio, beneficiou dos aperfeiçoamentos técnicos disponíveis nos princípios dos anos 80 do século passado, especialmente em matéria de motorização, isolamento sonoro, conforto, estabilizadores de balanço, etc., sendo os arranjos interiores concebidos pelo arquitecto holandês F. de Vlaming.

            Ora se a encomenda do navio ao estaleiro francês foi objecto de polémica, a construção também não foi isenta de problemas. Já na fase final da sua construção o navio sofreu, no dia 24 de Junho de 1983, um incêndio que lhe destruiu o quadro de distribuição da electricidade atrasando a sua entrega em três semanas. Mas, para além desta demora, sucedeu que a construção, ela própria, também demorou mais do que o previsto. Durou 32 meses, desde Outubro de 1980 até Junho de 1983, ou seja mais três meses do que o prazo inicialmente contratado. Além disso, tendo-se em mente o mercado americano, apesar de as provas de mar terem sido satisfatórias novos problemas levaram a que fosse anunciado uma nova data de entrega, sob o pretexto de que não teriam sido respeitadas as nomas norte-americanas… Finalmente, em 17 de 3639 01Junho de 1983, far-se-á a transferência de pavilhão numa cerimónia muito discreta. O NIEW AMSTERDAM, que fora lançado à água em 20 de Agosto de 1982, deixaria Saint-Nazaire em 23 de junho de 1983 com destino ao porto de Le Havre onde seria baptizado, sendo madrinha HRH a princesa Margriet da Holanda.

            O historial desta unidade também foi algo movimentado. Entrou ao serviço da Holland America Line em Julho de 1983, com uma viagem transatlântica entre Le Havre e Nova York. Entrou logo de seguida a efectuar cruzeiros nas Caraibas durante o inverno no hemisfério norte e, durante o verão, para o Alasca com partidas de Vancouver. Em Abril de 1984 juntar-se-lhe-ia, com idêntico programa de cruzeiros, o navio irmão, que recebera o nome de NOORDAM.

            A Holland America Line viria a ser comprada pela Carnival Corporation em 1989, mantendo-se no entanto como uma entidade separada.

            Enquanto se manteve na Holland America o navio esteve registado em vários portos, sendo o primeiro o porto de Willemstad nas Antilhas Holandesas, desde 1983 até 1984, ano em que passou para o registo de St Maarten, também nas Antilhas Holandesas, no qual se manteve até 1997. Neste ano experimentaria nova mudança, desta vez para o porto de Rotterdam, mantendo este registo até ao ano de 2000, como consequência da venda do navio em 1999 à America Classic Cruises, com entrega planeada para o mês de Outubro desse ano.

            O último cruzeiro do NIEW AMSTERDAM ao serviço da HAL terminaria em Vancouver a 24 de Agosto de 2000, tendo zarpado logo de seguida, sem passageiros, para Sidney, onde permaneceu ancorado como hotel flutuante durante os Jogos Olímpicos de Verão desse ano. Em 2 de Outubro o navio deixa Sidney e dirige-se a São Francisco, na Califórnia, onde é entregue aos novos proprietários, para cuja posse passa em 18 desse mesmo mês. Recebe agora o nome PATRIOT e passa desta vez o registo para Honolulu, no qual se manterá até 2002. Foi um caso fora do comum, pois o Passenger Cruises Act, também conhecido como The Jones Act, impunha que só os navios construidos nos Estados Unidos pudessem ser registados nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que estipulava que só os aqui registados poderiam transportar passageiros americanos entre os portos americanos. Foi uma medida temporária para permitir o registo do PATRIOT e este poder iniciar operações. Seria, de resto, o primeiro navio transatlântico a arvorar a bandeira dos Estados Unidos desde o ano de 1958.

            Depois de uma remodelação em São Francisco faz a sua primeira viagem com os novos proprietários com partida a 2 de Dezembro de 2000, chegando a Honolulu em 8 do mesmo mês, começando o serviço normal em volta das ilhas Hawaianas. Porém a American Classic Cruises teve vida curta, pois o ataque terrorista às torres gémeas de Nova York em 11 de Setembro de 2001 e a crise de turismo que se lhe seguiu levou a que a 18 de Outubro declarasse falência, ficando o PATRIOT amarrado em Honolulu.

         3639 02   Em 22 de Janeiro de 2002 a Holland America Line recompra o seu antigo navio e reverte-lhe de novo o nome para NIEW AMSTERDAM, embora não o tenha reposto em serviço, antes o mantendo amarrado, primeiro em Honolulu e mais tarde em Charleston, na Carolina do Sul. O seu registo passa agora para Nassau, nas Bahamas.

            Em Maio de 2002 entra um novo actor em cena. O navio é fretado à companhia cipriota Louis Cruise Lines que o rebaptiza SPIRIT, fazendo-o seguir para Perama, na Grécia, para o submeter a uma reforma. A Louis Cruise Lines tornar-se-ia sua proprietária em 2008. Na sequência da remodelação, em 3 de Maio de 2003 é sub-fretado pela Thomson Cruises, até 2017, que de novo lhe altera o nome para THOMSON SPIRIT e o mantém ao seu serviço até aos dias de hoje, desconhecendo-se porém quem o operará depois de terminado este fretamento.

            Mas a dança dos registos continuou: de 2005 a 2010 passou a ter registo cipriota, em Limassol e de 2010 em diante está registado em Valleta, na ilha de Malta.

            O navio tem 214.66 m de comprimento, 27.26 m de boca e 7.52 m de calado, com um porte de 33.930GT. Tem 9 decks acessíveis aos passageiros, servidos por 7 elevadores, ficando as suas 626 cabines colocadas à proa do navio e os espaços públicos situados à popa. Destas cabines, 423 têm vista de mar, sendo as restantes 203 interiores. A lotação é de 1.254 passageiros, servidos por uma tripulação de 520 elementos.

            O THOMSON SPIRIT dispõe de quatro restaurantes, sete lounges e bares e duas piscinas distribuídos por vários decks. No deck 4 encontra-se o salão de beleza Oceans Spa & Beauty, a recepção e o Compass Rose Restaurant, o principal restaurante do navio, onde são servidos o café da manhã, o almoço e o jantar. O Sirocco Restaurant, também neste deck, é um restaurante de especialidade sujeito a reserva, com menu à la carte e com pagamento extra. No deck 5, situa-se a biblioteca, o Browsers Corner, a Card & Reading Room e o Explorers Lounge, este um espaço decorado com memorabilia náutica e apresentando performances de piano. Neste deck, os passageiros podem desfrutar do Cinema, que oferece filmes clássicos e recentes, frequentar as lojas duty-free nas Broad Street Shops ou distrair-se no Casino. Se preferirem, poderão frequentar o piano bar Raffles Bar, com assentos confortáveis e vista panorâmica para o mar, ou o Broadway Show Lounge, com 600 assentos, o teatro do navio que oferece dois shows por noite. Há ainda, neste deck, o Lido Restaurant, um restaurante com serviço buffet self service al fresco. No Lido deck, à ré, situam-se as piscinas para adultos e crianças, o Lido Bar e o Terrace Grill.

            No deck 6 conta-se com o deck de passeio a toda a volta do navio, o Mezzanine Lounge & Bar e o High Spirits, nightclub do navio, com espaço para dança e com serviço de bar completo O ginásio Oceans Gim e uma outra piscina ocupam parte do deck 8, enquanto o piso nono contém, à proa, o Horizons Lounge & Bar, um salão com vistas de mar, que apresenta uma boa selecção de bebidas, jazz ao vivo e apresentações de música clássica. O entretenimento nocturno também tem iluminações de cabaré ocasionais. À popa, existe um espaço dedicado aos desportos, entre os quais o ténis, futebol ou basquetebol.

            Em 2014 o THOMSON SPIRIT esteve amarrado em Sochi, na Rússia, funcionando como hotel flutuante durante os Jogos Olímpicos de Inverno que aqui se realizaram, tendo a companhia do GRAND HOLIDAY e do LOUIS OLIMPIA.

            Actualmente, o navio ostenta a bandeira de Malta, estando registado no porto de La Valleta. Código de chamada: 9HA2336; IMO:8024014; MMSI:248368000

REFERÊNCIAS:

BAUL, Patrik – 150 Ans de Paquebots à Saint-Nazaire – Éditions Coop Breizh – 2012

MAYES, William – Cruise ships, fifth edition – Overview Press – Windsor, November 2014

Miller, William H. – The Cruise Ships – Conway Maritime Press – 1988

Miller, William H. – Pictorial Encyclopedia of Ocean Liners, 1860-1994 – Dover Publications, Inc. – New York, 1995

SMITH, C. Peter – Cruise Ships, The most luxurious vessels – Pen & Sword Books, 2010

Wikipedia, the free encyclopedia – Várias entradas

Internet: Vários sites

 

Texto e Fotografias: Arq. Paiva Leal


 

Navios de Cruzeiro

MSC Melody Princess-Daphne Athena MSC Armoria MSC Sinfonia MSC Opera MSC Fantasia MSC Lirica Princess-Danae