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Domingo 23 Abr

O MARINA de novo em Leixões

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 3643 01Numa época em que impera o gigantismo e a pouca elegância, para não dizer mesmo deselegância, de tantos navios que hoje sulcam os oceanos, é sempre agradável ver alguns deles em que a dimensão não prejudica a beleza das formas. É precisamente o caso do MARINA que visitou Leixões no passado dia 8 do mês de Junho, vindo de Lisboa, atracando pelas 7h00 ao terminal de cruzeiros de Matosinhos, e partindo às 17h00 do mesmo dia rumo ao Ferrol.

            Será interessante debruçarmo-nos sobre a origem da Companhia armadora do navio, a Oceania Cruises, parafraseando Aaron Saunders em Giants of the Seas, que pode soar a estranho mas que, afinal, tem toda a lógica. A seguir veremos porquê… como uma grande tragédia Shakespeariana, o aparecimento e o desaparecimento da Renaissance Cruises tem os ingredientes de uma grande história.

            O aparecimento da Oceania Cruises está intimamente ligado à Renaissance Cruises, ao ponto de quase a podermos considerar um seu sucedâneo. A Renaissance Cruises foi fundada em 1989 por Fearnley & Eger Rederi em Oslo, Noruega, acabando por ser comprada por Edward Rudner, fundador da Alamo Car Rental, em virtude de falência da anterior Companhia durante a Guerra do Golfo, ocorrida entre 2 de Agosto de 1990 e 28 de Fevereiro de 1991. Operou então oito pequenos navios tipo iate, a classe Renaissance, dos quais as primeiras quatro unidades foram construidas entre 1989 e 1998 pelos estaleiros italianos Cantieri Navale Ferrari-Signani em La Spezia, com 88.3 m de comprimento e 4.077GT, tendo 50 cabinas para 100 passageiros. Os restantes quatro, ligeiramente maiores, foram construídos nos Nuovi Cantieri Apuania, em Carrara, também em Itália. Tinham 90.6 m de comprimento e 4.200GT, possuindo 57 cabines para 114 passageiros. Hoje em diversas companhias, a maior parte ainda navega, sendo que um deles, o antigo RENAISSANCE IV, já tem visitado Leixões com o nome de CORINTHIAN. Estes pequenos navios viriam a ser vendidos e substituídos por outras oito unidade maiores, que viriam a ser a classe “R”, construídos agora nos estaleiros Aker de Saint-Nazaire, França, entre 1998 e 2001, com desenho interior e exterior do arquitecto britânico John McNeece, com 343 cabines para um máximo de 824 passageiros, tendo um comprimento de 181 m e 30.277GT.

            No entanto, embora durante algum tempo a saúde financeira não fosse muito famosa, a Renaissance acabaria por fechar portas em 25 de Setembro de 2001, sucumbindo à crise económica resultante do ataque terrorista às Torres Gémeas novaiorquinas em 11 de Setembro desse ano, ficando os navios colocados fora de serviço, muitos deles em Gibraltar. Subsequentemente, todos eles foram comprados pela Cruisinveste, 3643 02uma companhia de investimentos com sede em Jersey.

            É a partir deste momento que se desenha a ligação da Oceanic à Renaissance: Em 2002, Frank Del Rio, antigo executivo da Renaissance, associa-se ao experiente Joseph A. Watters, que já estivera associado à Crystal, à Royal Viking e à Princess Cruise Lines e recrutam uma equipa de gestores de topo, que incluiria os veteranos Bob Binder, Robin Lindsay, James Rodriguez, Jeff Drew and Howard Sherman. Fundam uma nova companhia, a Oceanic Cruises e fretam à Cruisinveste três dos navios da classe “R”: o primeiro seria o R TWO que, sob o nome de INSIGNIA, sofreu uma grande reforma e foi sub-fretado, por um curto período de tempo, à companhia francesa TRM (Tourism & Recreational Management) sob o nome VAISSEAU RENAISSANCE. Quando termina o fretamento, regressa à Oceanic, recebendo agora o nome REGATTA. Segue-se o fretamento do R ONE, que na nova companhia recebe o nome INSIGNIA, que anteriormente fora atribuído ao agora REGATTA. Dois anos depois de navegarem em conjunto, junta-se a este par o R FIVE, que receberá o nome NAUTICA, acabando estes navios por ser comprados em 2006. Del Rio chegou a anunciar a aquisição de uma quarta unidade, que receberia o nome MARINA, o que não chegou a suceder, pelo que a frota se cingiu aos três navios que constituem a agora conhecida como classe REGATTA da Oceanic Cruises. E tal como a Renaissance, a Oceania estabeleceu-se no nicho entre o informal e o ultra-luxo, oferecendo itinerários construídos em torno de destinos menos comuns conjugados com um dedicado serviço de bordo.

            Porém, a Oceania enfrentava um problema por utilizar navios que, mesmo sendo belos, os potenciais clientes poderiam encontrar noutras companhias. A Princess Cruises, por exemplo, adquirira várias unidades da classe “R” que utilizava em itinerários do mesmo tipo e a Royal Caribbean, que adquirira outras duas, lançou uma nova Companhia, concorrente directa da Oceania, a Azamara Club Cruises, com os antigos R SIX e o R SEVEN, rebaptizados respectivamente como AZAMARA JOURNEY e AZAMARA QUEST que, em 2012, receberiam cores semelhantes às da antiga Renaissance.

            Em Fevereiro de 2007, a Apollo Global Management, de Nova York, que já era proprietária da Norwegian Cruise Line, assume o controlo da Companhia, e Frank Del Rio foi nomeado Chairman e C.E.O. da Prestige Cruise Holdings como ajuste para as duas companhias Oceania e Regent Seven Seas Cruises, esta por si já bem estabelecida na operação de navios de cruzeiro de luxo. No mês seguinte é celebrado um memorando de entendimento com os estaleiros Fincantieri para a construção de dois navios para 1.260 passageiros e opção para um terceiro, que não viria a ser accionada. O contrato definitivo seria assinado em Junho de 2007.

            Quando a Oceania tomou a decisão de se expandir, Del Rio apostou fortemente num novo tipo de navio, fazendo planos para uma das mais ambiciosas novas construções de navios de cruzeiros, maior do que os demais navios da frota mas mesmo assim de médio porte, sem abandonar as antigas aspirações de luxo que caracterizavam a Oceania Cruises e onde a arte, logo de início, teria lugar de relevo, ao ponto de incluir nada menos de dezasseis obras originais de Pablo Picasso no novo MARINA encomendado aos Fincantieri, com um porte de 66.084Gt e 626 cabines para 1.252 passageiros, entregue em 2011. Este navio receberia, em 2012, o irmão RIVIERA, com idênticas características, proveniente do mesmo estaleiro italiano.

           3643 Em 2 de Setembro de 2012, segundo a Cruise Industry News, a Holding Norwegiam Cruise Line entrou em acordo definitivo para a aquisição da Prestige Cruises International, proprietária da Oceania Cruises e da Regent Seven Seas incluindo a assunção de dívidas. Nesta data, já a frota da Oceania incluía o REGATTA, o INSIGNIA, e o NAUTICA, ex-classe “R”, bem como os novos MARINA e RIVIERA de 2011 e 2012 respectivamente. Em 2014, num processo de reforma, todos os navios da classe REGATTA, foram submetidos a profunda remodelação e em 2016, também segundo informação da Cruise Industry News, a mesma Holding Norwegiam Cruise Line anuncia o acordo com a Princess Cruises para a aquisição do OCEAN PRINCESS, um outro navio ex-classe “R”, o R FOUR para a recentemente adquirida Oceania Cruises, que seria agora rebatizado SIRENA.

            Feita esta panorâmica sobre o historial da Oceania Cruises e sua ligação à Renaissance, debrucemo-nos agora sobre o MARINA, o navio de cruzeiros que agora visitou Leixões.

            O MARINA é o primeiro de dois navios de cruzeiro da classe Oceania construídos no estaleiro genovês de Sestri Ponente. A assinatura do contrato para a construção destas duas unidades, mais uma terceira de opção que não chegou a ser exercida, ocorreu em 18 de Junho de 2007. É um navio de porte médio, de 66.084GT projectado pela firma de arquitectos navais Yran & Storbraaten de Oslo (Y & S) sob direcção do experiente arquitecto executivo Gunnar Aeserub, a quem se juntou o famoso designer de mobiliário Dakota Jackson, que introduziu mudanças radicais nos esquemas decorativos dos novos navios. Esta colaboração mantida permanentemente com Del Rio e Bob Binder, presidente da Oceania, conduziu à criação de um dos navios de cruzeiro visualmente mais sumptuoso. O próprio Dakota Jackson criaria um especial piano Steinway para o Martini´s Bar. Enquanto Dakota Jackson foi responsável pelo visual de 12 suites Oceania e oito suites Vista, a Companhia recrutou ainda a famosa designer de interiores Susan Bednar Long, da S. B. Long Interiors para intervir nas suites dos proprietários, que seriam fornecidas exclusivamente pela Ralph Lauren Home Colletion. Um grande piano preto Yamaha baby foi colocado no átrio de cada uma destas suites. Por sua vez, a firma dinamarquesa Dansk Wilton criou as alcatifas para os espaços públicos, distintas e individualizadas, não havendo duas iguais.

            O assentamento da quilha ocorreu em 10 de Março de 2009 e contou com a soldadura de uma moeda de um dólar de prata e de uma moeda de um peso cubano pré-Castro, que segundo a tradição se destinam a dar sorte ao navio, bem como aos seus passageiros e tripulantes. Teve o número de estaleiro 6194. Foi posto a flutuar no dia 4 de Abril de 2010 e terminado em Setembro de 2010. Foi baptizado em Miami, acompanhado por um sexteto de “Violin Divas” e um guitarrista de flamenco, em 5 de Fevereiro de 2011, tendo como madrinha Mary Hart, uma entertainer da televisão americana que nesse ano terminava o seu 29º ano do programa Entertainment Tonight, que puxou uma alavanca gigante e lançou contra o casco do navio uma garrafa de 15 litros de Champanhe Nebuchadnezzar que os passageiros haviam assinado enquanto embarcavam. Durante a cerimónia, Del Rio afirmava que numa época em que muitos navios são julgados pelo seu tamanho, nenhum outro navio em serviço se comparará ao MARINA, referindo-se em especial ao seu luxo, com mobiliário de design por todo o lado e com obras de arte escolhidas a dedo por todo o mundo.

            A viagem inaugural teve início em 8 de Fevereiro de 2011, a primeira de duas viagens de 18 dias pelo canal do Panamá para São Francisco ou San Diego, dois novos portos para a Oceania Cruises, seguidas de um cruzeiro de 12 dias no Caribe com saída de Miami, antes de zarpar para a Europa para operar cruzeiros no Mediterrâneo.

            O MARINA, com um porte de 66.084GT, tem 238.35 m de comprimento, 32 m de boca e um calado de 7.32 m. Pode acomodar 1252 passageiros em 626 cabines e suites: 4 suites dos proprietários, 6 suites Vista, 10 suites Oceania, 120 suites Penthouse, 440 cabines com varanda privativa, 20 cabines com vista de mar e apenas 26 cabines interiores. A tripulação é constituida por 780 elementos. Apresenta ainda uma série de elegantes bares e lounges e 10 locais para tomar refeições, seis dos quais são open-seating, incluindo o Bistro francês do Chef Jacques Pépin, primeiro restaurante no mar deste Chef. A Grand Dining Room, o mais casual Terraces e o Waves Grill, junto à piscina são espaços open-seating, abertos diariamente e sem sobretaxas. Quatro restaurantes especializados requerem marcação prévia. Existem ainda o Polo Grill, o Toscana e o restaurante Pan Asian Red Ginger. O Privée e o La Reserve são restaurantes sujeitos a sobretaxa.

            O Culinary Art Center é uma escola de cozinha, talvez a primeira escola de cozinha no mar, dotada com 10 lugares em que os convidados podem fazer as suas experiências culinárias sob supervisão de um Chef profissional.

            Destaque ainda para uma imponente escadaria no Átrio principal, criada para impressionar pelo renomado mestre do vidro francês Lalique.

            Como amenidades para os passageiros, existem ainda a bordo o Marina Lounge, principal show room e teatro para entretenimento noturno ao vivo e bailes temáticos, palestras e apresentações. O Casino, que opera com apostas em USD; servido pelo Bar Casino, o Martini’s, piano bar serve que uma variedade de martinis, três boutiques duty-free com produtos de conveniência, perfumes, jóias, roupas, presentes e, na área superior do Salão, está colocado um piano de cauda para performances ao vivo. O Lounge Horizons, no último deck, é um Lounge & Bar servido pelo Bar Horizons; tem janelas do chão ao teto, entretenimento ao vivo, bar completo, também serve chá da tarde e torna-se numa discoteca à noite.

Código de chamada: V7SK2; IMO: 9438066; MMSI: 538003668

 

Por Arqto. Fernando Paiva Leal

 

REFERÊNCIAS:

BAUL, Patrik – 150 Ans de Paquebots à Saint-Nazaire – Éditions Coop Breizh – 2012

MAYES, William – Cruise ships, fifth edition – Overview Press – Windsor, November 2014

SAUNDERS, Aaron – Giants of the Seas - Seaforth Publishing, Pen & Sword Books; Barnsley,2013

SMITH, C. Peter – Cruise Ships, The most luxurious vessels – Pen & Sword Books, 2010

Cruise Industry News – vários comunicados

Wikipedia, the free encyclopedia – Várias entradas

Internet: Vários sites


 

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