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Terça 21 Nov

Encontro com o Passado

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3853 03No dia 10 de Março de 1987 a corveta N.R.P. ANTÓNIO ENES iniciava manobra de atracação ao porta da Hora, na Ilha do Faial.

A cidade vivia mais um pacato rotineiro fim de tarde com os funcionários dos estabelecimentos comerciais a atenderem os últimos clientes antes do regresso a casa. No cais alguns militares da capitania e pessoal do troço de mar preparavam-se para auxiliar o navio na passagem de cabos.

Subitamente, uma onda de choque seguida de estrondo nunca ouvido por esta pacata população varreu toda a cidade, inibindo-a de qualquer capacidade de resposta imediata; o combustível para os motores de popa dos botes de borracha armazenado a ré, na casa da máquina do leme, sofrera ignição fazendo voar placas do convés como folhas de papel, abrindo aí uma cratera.

No local seis mortos imediatos ( 2º Ten. Vicente Rosa, 1º marº Correia Marques, 1º marº Nascimento Raposo, 1º marº Matos Arruda, 2º grumete Marques Mendes e 2º grumete Almeida Castelhano), dois dos quais desaparecidos e vários feridos alguns dos quais amputados que o autor deste texto, na altura sargento paramédico 3853 02fisioterapeuta no Hospital de Marinha, viria a receber para tratamentos de reabilitação.

O agora Comendador Genuíno Madruga, na altura de saída para a faina de pesca, inverteu a marcha da sua embarcação, sendo o primeiro a chegar para prestar socorro.

Após 30 anos de recolhimento, citando o Comodoro Valentim Rodrigues, Comandante da Zona Maritima dos Açores, para o efeito representando o Almirante Chefe do Estado Maior da Armada e o Comandante Naval, a Marinha assumiu a realização da prestação da homenagem que os familiares das vitimas e sobreviventes do acidente desejavam.

A efeméride teve inicio pelas 11h00 com a celebração de uma missa na igreja de Nª Sra. das Angustias, presidida pelo Reverendo Paulo Silva, que na sua homilia salientou que ... quem não fizer a experiencia da morte nunca fará a experiencia da ressurreição, e que ... esta missa tem por objetivo primordial recordar os que morreram mas também dar graças a Deus pelos que sobreviveram ao acidente. Citando ainda S. Mateus, apelou a que os homens pedissem perdão aos seus irmãos mesmo que tivessem a consciência de nada haver a perdoar.

3853 01Cerca das 16h00, no cais do Porto de Horta, o Como. Valentim Rodrigues descerrou uma placa evocativa em memória dos seis militares falecidos. Presentes, o Comendador Genuíno Madruga, o Presidente da Camara Municipal de Horta, Sr. José Leonardo, o Cte. Fraga, representante dos Bombeiros Voluntários Faialenses, o Presidente da Junta de Freguesia das Angustias, Sr. José Costa, o representante do destacamento do exército na ilha, o Diretor do Instituto de Socorros a Náufragos, C.m.g. Sousa Costa, o Diretor dos Portos dos Açores, o Capitão do Porto de Horta, CFrag. Rafael da Silva, órgãos de comunicação social, familiares das vitimas, membros da antiga guarnição do navio sinistrado e inúmeros populares anónimos.

O momento alto da cerimónia, contudo, ocorreu a bordo do NRP VIANA DO CASTELO, comandado pelo CTen. Madaleno Galocha, quando cerca das 17h15 se procedeu ao lançamento ao mar de várias coroas e ramos de flores, com o navio pairando frente à entrada do porto, levando a bordo as entidades referidas. Com uma emoção que a objetiva da nossa camara não consegue transmitir, e que rapidamente contagiou os familiares das vitimas, membros da antiga guarnição, atingindo transversalmente toda a assistência, com os olhos derramando água por certo tão salgada como a do mar que reivindicou as seis vitimas da tragédia, o Como. Valentim Rodrigues, visivelmente emocionado,   proferiu uma alocução relativa a este, que foi o mais trágico acidente que atingiu a Marinha em tempo de Paz, no qual seis homens fizeram à comunidade a maior dádiva que é possível um ser humano fazer, e que esta cerimónia demonstra bem como a comunidade naval a entendeu.

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Afinal, contrariamente aos ditames populares, os Homens também choram… difícil é encontrar os que o façam em publico.

Que Deus o acompanhe o Como. Valentim Rodrigues; através de si, a Marinha encontrou-se com o seu passado.

 Por  Rui Pires do Rosário (CTen. SEL, res )

 


 

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