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Segunda 24 Jul

Magia da Costa Estragada pela Névoa

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 3944Perante as escalas verificadas no mês de Maio em Leixões, não será descabido considerá-lo excepcional, sobretudo no que se refere a primeiras escalas. Na verdade, num lapso de tempo de meia dúzia de dias aconteceram três, entre as mais de duas dezenas de escalas verificadas durante o mês. Principiaram com o OCEAN DREAM, um Peace Boat, no dia 18, seguiu-se-lhe o LEGEND OF THE SEAS, no dia 24 e, logo no dia seguinte, o COSTA MAGICA que, procedente de Lisboa, pelas 16.00 horas partiu rumo à Corunha.

                  Este navio é mais um produto dos Fincantieri, Cantieri Navali Italiani, com sede em Trieste, mas tendo estaleiros um pouco por toda a Itália. Estamos, portanto, perante dois representantes de dois colossos da poderosa indústria italiana: as Companhias de navegação e de cruzeiros e a indústria de construção e reparação navais, de que a Costa Crociere e os Fincantieri são bons exemplos.

                  Os Fincantieri desenham e constroem navios mercantes, navios de passageiros e de cruzeiros, navios militares e dedicam-se à conversão e à reparação navais. Fundados em 1959 como Società Finanziaria Cantieri Navali S.p.A. como uma holding estatal e parte do IRI (Istituto per la Ricostruzione Industriale), a companhia separou-se completamente em 1984. Começou a trabalhar no sector dos navios de cruzeiro nos anos 90 do século passado, com a entrega ao grupo Carnival do CROWN PRINCESS. Hoje os Fincantieri são um dos maiores estaleiros de construção naval da Europa e os maiores do Mediterrâneo, com docas de construção naval em Monfalcone (Gorizia), Marghera (Veneza), Sestri Ponente (Génova), Ancona, Castellammare di Stabia (Napoles), Palermo (Sicília) Riva Trigoso (Génova) e Muggiano (La Spezia). Esta multiplicidade de estabelecimentos permite uma certa especialização, para além de uma eficaz distribuição das encomendas. Na sua imparável expansão, os Fincantieri comprariam a Manitowoc Marine Group à empresa-mãe, a Manitowoc Company, Inc., que consistia em dois estaleiros, entre os quais o Marinette Marine no Wisconsin, em Janeiro de 2009, e ainda um estaleiro de reparações de topo no Ohio. Finalmente, em 22 de Maio de 2017, os Fincantieri divulgam um comunicado confirmando a aquisição de 66.66% dos estaleiros STX France à STX Europe, tornando-se o seu accionista maioritário.

                  Se por seu lado os Fincantieri são sinónimo de excelência na construção naval, o nome COSTA é, por sua vez, sinónimo de navios de cruzei3944 01ros grandes e glamorosos. As origens da companhia remontam ao ano de 1860, quando Giacomo Costa fundou uma sociedade para se dedicar à indústria e comércio de azeite e seu transporte. O sucesso da empresa acarretou a sua entrada no ramo da navegação, tendo a Companhia Costa Line sido fundada em 7 de Agosto de 1924 pelos irmãos Federico, Enrico e Eugenio Costa, assente em navios de carga primitivos, navegando sem escalas ou fretamentos fixos mas, pelo contrário, indo aonde houvesse carga a receber e a ser transportada para qualquer destino. Principiou, contudo, com o transporte do azeite, sobretudo no Mediterrâneo, escalando portos do Médio Oriente, Grécia e Tunísia, trazendo a azeitona para Génova Sampierdarena, onde a família Costa tinha a sua refinaria na qual produzia o azeite com a marca Dante. O seu primeiro navio foi um modesto cargueiro a vapor, de 1.148 tons deadweight, o RAVENNA, construído em Leith, na Escócia, em 1888, a que se seguiria, em 1928, o LANGANO e, mais tarde, mais seis outros cargueiros, com os quais se estabeleceu a tradição de atribuir nomes de membros da família: FEDERICO, EUGENIO C, ENRICO COSTA, ANTONIETTA COSTA, BEATRICE COSTA e GIACOMO COSTA. Só em 1942 viria a aparecer o primeiro navio encomendado pela companhia, o navio-motor CATERINA C, de 8.000 tons, lançado à água em Riva Trigoso em 14 de Abril. Perder-se-ia um ano mais tarde devido a uma explosão que sofreu no porto de Nápoles; acompanhou a sorte de toda a frota da Costa durante a II Grande Guerra Mundial, à qual apenas sobreviveria o velho LANGANO! E com ele, logo a partir a 1945, recomeçou o seviço entre a Itália e a Sardenha fretado à Società Ignazio Messina e, mais tarde, à Tirrenia Line. Seria o primeiro navio da Costa a transportar passageiros.

                  Depois, sucede o intenso fluxo de emigrantes italianos para as Américas que a Costa soube aproveitar para restabelecer e ampliar a sua frota, sobretudo com navios de passageiros para transporte dos que nesses destinos procuravam melhores condições de vida.

                  Com o decorrer dos tempos, entrando no negócio dos cruzeiros marítimos e com a absorção pelo Grupo Carnival, tornou-se numa das mais importantes companhias de navegação europeias, dotando-se com navios cada vez maiores e mais luxuosos, um dos quais, o COSTA MAGICA, visitou Leixões em escala inaugural no passado dia 25 de Maio.

                  A visita a que nos reportamos, podia ter acontecido num dia luminoso, como tantos outros, mas “quiseram os fados” que o dia estivesse com alguma névoa que estragou bastante as vistas… a quem gosta de ver e fotografar os navios que visitam Leixões. E, felizmente, vão sendo cada vez mais. Mas as fotografias deste não foram as que gostaria que fossem… Enfim, a névoa estragou a magia!

                  O COSTA MAGICA é a segunda unidade da classe “Fortuna”, à qual pertence o seu irmão mais velho, o COSTA FORTUNA, ambos concebidos com a mesma plataforma da classe “Destiny” da Carnival Cruise Lines, que fora lançado à água em 11 de Julho de 2002, baptizado em 6 de Novembro de 2003 e entregue em 31 de Outubro de 2003. Tal como o seu irmão, foi construído no estaleiro de Sestri Ponente onde teve o número de casco 6087. Encomendado em 28 de Dezembro de 2000, teve o casco assente em 3 de Dezembro de 2001. O seu lançamento à água ocorreu no dia 14 de Novembro de 2003 e foi dado como concluído e entregue ao armador em 26 de Outubro de 2004. Baptizado em Barcelona em 6 de Novembro de 2004, teve como madrinha a actriz e modelo espanhola Maria Paz Campos Trigo, mais conhecida como Paz Vega.

            3944 02     O COSTA MAGICA tem 272 m de comprimento, 36 m de boca, 8.20 m de calado e 60 m de altura, a partir da linha de água. Apresenta uma tonelagem de 102.587 GT, 74.481 NT e 9.859 DWT. Os arranjos interiores foram confiados ao arquitecto Joe Farcus, que adoptou como fio condutor a magia de algumas das mais belas regiões da Itália como a Costa Esmeralda, Ostia, Positano, Portofino, Polinaro, Sicília, Isola Bella, Spoleto, Capri, Vicenza e Bressanone. Dos 17 decks, treze são acessíveis ao público e, por sua vez, são dedicados a outros tantos pintores italianos do passado, como: Giorgione, Tintoretto, Raffaello, Michelangelo, Leonardo, Caravaggio, Perugino, Veronese, Giotto, Tiziano, Tiepolo, Mantegna e Canaletto. Dispõe de 1.385 cabines, das quais 464 têm varandas privadas e 58 suites, todas com varanda, podendo acomodar 3.470 passageiros. 27 cabines estão adaptadas para pessoas portadoras de deficiência física. A tripulação é de 1027 membros.

Como comodidades, tem à disposição dos convidados 4 restaurantes, dos quais um, o Club Vicenza é pago e sujeito a reserva, 11 bares entre os quais o Cognac & Cigar Bar, 4 piscinas das quais uma dispõe de cobertura amovível, Na área de bem-estar e desporto dispõe ainda de uma área de desportos polivalente, um percurso de footing ao ar livre, 6 banhos de hidromassagem, o Club Salute Saturnia de 1.300m2, em dois andares, com ginásio, sala de massagens, sauna e hammam.

                 Nas áreas públicas não poderiam faltar locais de diversão como Casino, Discoteca, Ecrã gigante junto à piscina, Biblioteca, Boutiques, um tobogan aquático e o Teatro Urbino, com a altura de três decks e com 1.500 lugares. Para as crianças, existe ainda o Squok Club, um mundo virtual para a miudagem.

O navio foi submetido a modernizações em 2006, 2009 e 2012.

O COSTA MAGICA está registado em Génova, arvorando bandeira italiana. Código de Chamada: IBQQ; Nº IMO: 9239795; MMSI:247113300

                                                                                                       

Texto e fotos : arq. Fernando Paiva Leal

 

Referências:

CATERINO, Aldo – Fucina di Navi, Storia del Cantiere Navale di Sestri Ponente, - Portolano, Editoria &comunicazione, Génova, 2012

CIMORELLi, Dario, Direzione editoriale – Sessant’ani di Crociere Costa - Silvana Editoriale, Milano 2008

ELISEO, Maurizio, PICCIONE, Paolo – Transatlantici, Storia delle Grandi Navi Passaggeri Italiane – Tormena Editore, Génova, 2001

ELISEO, Maurizio, PICCIONE, Paolo – The Costa Liners – Carmania Press, London, 1997

MAYES, William – Cruise Ships, Fifth Edition – Overview Press, Windsor, November 2014

PETER, Bruce – Costa Cruises – Ferry Publications, Ramsey, Isle of Man, 2012

REMY, Max – Transatlantiques & Long-Courriers. La memoire des Grands Paquebots, Marines Editions, 2010

SMITH, Peter (20149. Cruise Ships, The World’s Most Luxurious Vessels, Barnsley: Pen & Sword Maritime

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