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Segunda 24 Jul

Cabo Matapão - A última batalha naval portuguesa

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O spes nostrae victoriae unica et vera[1]

(Juditha triumphans, Antonio Vivaldi)

3948Há trezentos anos, no dia 28 de Abril de 1717, largava de Lisboa pelas sete da manhã uma esquadra de onze navios com destino ao Mediterrâneo Oriental. Ao comando ia como almirante, na nau capitânia Nossa Senhora da Conceição, Lopo Furtado de Mendonça, Conde de Rio Grande[2]. Como vice-almirante, na nau almiranta Nossa Senhora do Pilar, seguia D. Manuel Carlos de Távora, Conde de São Vicente. A nau fiscal, Nossa Senhora da Assunção, a terceira na hierarquia, era capitaneada por Pedro de Castelo-Branco. Acompanhavam-nos as naus Nossa Senhora das Necessidades, Santa Rosa, São Lourenço, Rainha dos Anjos, o navio-hospital São Tomás de Cantuária, os brulotes Santo António de Pádua e Santo António de Lisboa e, por fim, uma tartana para avisos. Ao todo levavam 526 canhões e uma guarnição de 3840 homens[3].

A esquadra recebera como missão auxiliar a armada de Veneza no combate contra os otomanos, que por essa altura ainda ocupavam uma parte dos Balcãs e haviam reconquistado toda a Moreia (o actual Peloponeso), acossando incessantemente as possessões da República do Adriático nas ilhas do Mar Egeu. D. João V correspondia dessa forma, pelo segundo ano consecutivo, ao pedido do Papa Clemente XI[4]. A Espanha e a França estavam desentendidas com a Santa Sé pelo apoio que dera ao candidato Habsburgo, Carlos VI, na Guerra de Sucessão de Espanha, cujo desfecho fora favorável às pretensões francesas, já que o Tratado de Rastadt, de 1714, colocara no trono espanhol Filipe V, neto de Luís XIV, um Bourbon[5]. Por outro lado, a ameaça turca conduzida pelo sultão Achemede III e pelos seus vassalos argelinos e tunisinos recrudescera na sequência do conflito que dilacerara a Europa, em 3948 04particular as potências católicas, durante 12 anos, encontrando-se a defesa da catolicidade contra o islão limitada às armas austríacas, húngaras e polacas em terra e aos navios italianos, sobretudo de Veneza, e da Ordem de Malta no mar. Acresciam agora as naus de Portugal.

No ano anterior, em 1716, a mesma esquadra, igualmente capitaneada por Lopo Furtado de Mendonça, embora mais reduzida, não chegara a travar batalha. Quando chegou a Corfu, depois de ter largado de Lisboa em 5 de Julho, já a armada turca levantara o cerco ao presídio veneziano defendido pelos Habsburgos, sob o comando do conde de Schulemberg. O simples anúncio da chegada das naus portuguesas fora suficiente para afugentar a esquadra inimiga, sendo de notar que pela mesma altura, em 5 de Agosto, o exército cristão alcançavaa retumbante vitória de Petrovaradin, na Sérvia,por intermédio do célebre Príncipe Eugénio de Sabóia, tendo o comandante das tropas otomanas, o grão-vizir de Istambul, morrido no campo de batalha[6]. Esses triunfos contra os turcos inspiraram o primeiro oratório de Vivaldi, a Juditha triumphans, estreado em Novembro de 1716 no Ospedale della Pietà de Veneza, onde o prolixo compositor foi professor de violino durante quase toda a vida[7]. Em Portugal, Lisboa foi premiada com a elevação da capela real a igreja metropolitana e basílica patriarcal, pela bula de Clemente XI In supremo apostolatus solio, de 7 de Novembro de 1716, que aludia explicitamente ao auxílio prestado pela esquadra lusa. O patriarcado constituía a mais elevada distinção eclesiástica, superior à dos primazes e dos metropolitas, apenas partilhada, nas igrejas ocidentais, com Roma e Veneza, que haviam alcançado essa dignidade, respectivamente, no Concílio de Niceia de 325 e em 1451[8]. D. João V via assim consagrado sem qualquer tiro, tirando as salvas festivas, um seu antigo e insistente desiderato e podia-se gabar junto dos seus rivais católicos francês e sobretudo espanhol de dispor agora no paço real de um prelado com um título que nenhum deles possuía.

3948 01Pelo contrário, na expedição de 1717 o número de tiros disparados pelos canhões portugueses atingiu, numa só nau, a Nossa Senhora do Pilar, os 2300, para mais em circunstâncias que merecem ser enaltecidas. Após duas escalas na Sicília, uma em Palermo, entre 24 e 28 de Maio, na qual se celebrou a Festa do Corpo de Deus, de tão antiga tradição em Portugal, e uma outra em Messina, entre 1 e 3 de Junho, marcada por um banquete oferecido em honra do Governador da cidade, a esquadra nacional reuniu-se em Corfu, no dia 10 de Junho, à esquadra de remos da coligação cristã, num total de 28 galeras (17 venezianas, 5 da Ordem de Malta, 4 da Santa Sé e 2 toscanas), chefiada pelo almirante André Pisani, igualmente comandante em chefe de toda a armada por designação do Papa. Alguns dias mais tarde começaram a chegar as esquadras de velas, primeiro, duas naus expedidas pela Ordem de Malta comandadas pelo cavaleiro de Belfontaine e a Fortuna Guerriera armada em Veneza, que acompanharia as naus portuguesas no período mais decisivo do combate que se ia seguir. A maioria das naus venezianas da sua Armata grossa (a armada de velas), num total de 28 navios, apenas se juntou à coligação no dia 2 de Julho, a sudoeste da costa da Moreia, porque entre 12 e 16 de Junho travara ao largo da Ilha de Imbros, no Mar Egeu, uma violenta batalha contra a armada turca, com um desfecho indeciso, no qual fora atingido mortalmente o almirante supremo da República do Adriático, Ludovico Flangini.

A armada cristã zarpou então em direcção do Cabo Matapão, situado na ponta sudoeste do Golfo de Cefalónia, e a partir de 5 de Julho começou a observar intermitentemente as movimentações da armada turca, comandada por Ibraim Paxá, o grande-almirante do sultão, e composta por 22 naus, 9 galés e 21 fragatas, estas últimas de proveniência tunisina e argelina. Aproveitando uma tempestade surgida em 8 de Julho, os otomanos colocaram as suas naus a ocidente das formações cristãs, ganhando com essa manobra o barlavento, ou seja, o vento favorável e uma posição táctica determinante, reforçada pelo facto de os navios da coligação terem ficado entalados entre a terra e as linhas inimigas. No dia 14, num período de calmaria, as 9 galeras turcas lograram reunir-se à sua armada, não tendo podido ser neutralizadas pelos cristãos devido à falta de vento. Ordenou depois Pisani que se procedesse à aguada numa enseada no lado interior do Golfo, tendo as duas naus principais portuguesas permanecido do lado de fora, bordejando em sentinela. No dia 18, a nau Nossa Senhora da Conceição avistou a armada turca e alertou o comando aliado. Durante a noite o confronto começou a ser preparado.

Formaram-se à entrada da enseada quatro linhas, ficando na vanguarda e no centro os navios de vela venezianos, seguindo-se uma terceira coluna com as naus 3948 03portuguesas e da Ordem de Malta, bem como a Fortuna Guerriera de Veneza, posicionando-se a esquadra de galeras, onde se encontrava o comandante supremo Pisani, na retaguarda. Pelas 7h00 do dia 19, os primeiros navios turcos, formados em largura (ao lado uns dos outros), aproximaram-se da linha de testa veneziana, o que deu lugar à primeira troca de tiros, que durou uma hora e meia. O vento continuou fraco, e às 8h30surgiram diversas fragatas tunisinas e argelinas, cujo pequeno calado permitia velejar com uma fraca brisa, para mais de barlavento. O seu rumo parecia indicar que pretendiam contornar as linhas cristãs, dirigir-se ao interior da enseada e atacar a esquadra de remos, o que terá originado um episódio que determinou o decurso da batalha. A nau situada na testa de coluna cristã fez uma viragem em roda (inversão total de rumo) seguida por todas as outras naus das duas colunas venezianas, o que implicou que as esquadras portuguesa e maltesa passassem para a linha da frente. As razões da referida manobra permanecem obscuras, embora se possa aceitar que tenha tido por objectivo proteger o comando cristão. Em todo o caso, as naus de Veneza não conseguiram voltar à vanguarda, dado que o seu grande porte dificultava uma nova viragem, agora a sotavento, não ficando por aqui as dificuldades das armas portuguesas.

No início da tarde, pelas 14h00, depois de uma tentativa gorada de lançamento de um brulote veneziano contra as naus de testa turcas[9], e tendo-se levantado um vento mais forte, o comandante das naus da Ordem de Malta deu por sua vez também ordem de virar em roda, de forma, conforme se presume, a colocar a esquadra maltesa de novo na retaguarda das linhas de vela venezianas. A instrução foi seguida por diversas naus portuguesas com excepção das três principais, da Santa Rosa, bem como da Fortuna Guerriera. O acatamento da ordem por parte dos navios portugueses continua por elucidar, mas poderá conjecturar-se que tenha sido motivado pelo facto de o almirante da Ordem de Malta ter sido designado pelo Papa como chefe da esquadra aliada de Veneza. Esta instrução não fora contudo aceite pelos Condes de Rio Grande e de São Vicente, que inclusive se haviam negado a substituir o pavilhão Real de Portugal pelo da Santa Sé, conforme pretendido por Belfontaine, quando as duas esquadras se tinham reunido em Corfu, afirmando que apenas obedeceriam ao almirante Pisani. A batalha foi assim prosseguida por apenas quatro naus portuguesas e uma veneziana, tendo durado mais três horas.[10] O fogo lançado pelas naus portuguesas foi constante, tendo-se assistido ao episódio de a capitânia Nossa Senhora da Conceição se ter interposto entre a Nossa Senhora do Pilar e os navios turcos para proteger a nau almiranta portuguesa do bombardeamento inimigo. Pelas 17h00, subitamente, toda a armada otomana orçou para sul pondo termo ao combate. Mais uma vez, desconhecem-se as razões da fuga. Uma hipótese plausível será que a batalha de Imbros deixara duras sequelas e que as munições dos turcos já escasseassem.

A3948 02pós uma escala em Corfu e outra muito festiva em Messina, que terá servido para reparar as avarias nos aparelhos e os rombos causados pelos canhões inimigos, a esquadra nacional regressou a Lisboa. Deixara no confronto, segundo algumas estimativas, 50 mortos e 150 feridos (segundo outras, 200 mortos), sendo as informações quanto ao número de baixas na armada inimiga mais discrepantes e menos fiáveis, já que os relatos variam entre as duas e as 14 naus afundadas e chegam a apontar o número inverosímil de 5 000 mortos. Quanto a Veneza, terá sofrido, de acordo com algumas fontes, 225 mortos e 350 feridos (de acordo com outras, 1.824 baixas), sendo certo que foi a última vez que utilizou galeras num combate naval, pondo assim cobro a uma prática muito antiga[11]. Também a armada otomana abandonaria rapidamente o uso dos navios a remos, devido ao seu fraco poder de fogo (e não à escassez de remadores, já que durante muitos anos continuaram a não faltar escravos nos presídios de Istambul e dos seus satélites norte-africanos).

A vitória motivou uma carta de agradecimento endereçada em 16 de Setembro pelo Papa Clemente XI ao Conde de Rio Grande, designando-o por "ilustre herói". Poder-se-ia supor que o elogio do feito fosse unânime, até porque se tratou da última batalha naval portuguesa travada contra um inimigo externo, já que posteriormente os combates limitaram-se a confrontos individuais, nomeadamente contra o corso argelino, e a duas batalhas entre navios nacionais, uma ao largo de Vigo e a outra no Cabo de São Vicente, no Algarve, durante a guerra fratricida que opôs miguelistas e liberais[12]. Contudo, são inúmeras as vozes críticas. Alegam os autores mais descrentes que a batalha não trouxe qualquer valor acrescentado, fosse militar, estratégico ou político, e que apenas terá servido os caprichos do Rei Magnânimo, muito obcecado em obter bulas e prebendas de Roma. Assiste alguma razão aos cépticos, mas não toda.

Antes de mais, importará lembrar que a luta contra os turcos era liderada, pelo menos em terra, pelo império austríaco e que Portugal estivera durante a Guerra de Sucessão de Espanha ao lado do futuro imperador Carlos VI, o que levara a que este último tivesse desembarcado em Lisboa em 1704 e que um exército coligado de ingleses, holandeses e portugueses, comandado por D. António Luís de Sousa, Marquês das Minas, entrasse em Madrid em 1706, no âmbito da aliança com o pretendente Habsburgo ao trono espanhol. Os laços com a Áustria viram-se depois reforçados pelo casamento de D. João V com D. Maria Ana de3948 05 Áustria, irmã de Carlos VI, trazendo este contexto outras luzes relativamente às expedições navais portuguesas no Mediterrâneo Oriental[13]. Ao corresponderem ao pedido da Santa Sé de ajuda a Veneza, as naus nacionais estavam igualmente a auxiliar Viena a afastar a ameaça otomana, sendo de notar que na tomada de Belgrado ocorrida em 16 de Agosto, por conseguinte, cerca de um mês depois da batalha do Cabo Matapão, o Príncipe Eugénio contou nas suas hostes com a presença de vários portugueses, nomeadamente o infante D. Manuel, que viria a ser presenteado pela Áustria com as coroas da Polónia, da Córsega e da Sardenha, oferta que o Rei Magnânimo recusou em nome do irmão[14].

Por seu turno, a Santa Sé continuava a exercer um papel relevante nas arbitragens internacionais, em particular no universo católico, papel que ultrapassava as meras questões protocolares, embora essas questões se encontrassem no cerne das preocupações da época. De facto, o culto da forma constituiu uma das marcas mais representativas do barroco, uma palavra, assinale-se, de origem portuguesa. As disputas em torno de títulos e precedências, sobretudo quando visavam a magnificência dos monarcas, tinham uma relevância hoje dificilmente imaginável. Todavia, ao lutar com tanto afinco pelo patriarcado e depois pela elevação do patriarca de Lisboa a cardeal, o que apenas ocorreu em 1737[15], D. João V agia, certo, como um soberano da época, mas agia também por razões que não eram desprovidas de sentido político: a obtenção de honrarias concedidas pelo Papa podia repercutir-se nos jogos de poder com os Estados rivais.

Importará a este respeito observar que a Santa Sé cortara relações com Portugal durante toda a Guerra de Restauração, o que, para além das consequências de ordem diplomática, levara a que as dioceses nacionais acabassem por ficar totalmente desprovidas de bispos por falta de designação papal. Muito embora os soberanos portugueses tivessem procurado insistentemente, desde 1640, o restabelecimento do relacionamento, as embaixadas nunca passaram das antecâmaras do Vaticano. As relações apenas recomeçaram em 1669,após a assinatura do tratado que selou as pazes com Espanha, assinado em 13 de Fevereiro de 1668 com a intermediação da Inglaterra. Essas circunstâncias não podiam deixar de estar ainda presentes no início do século XVIII, pelo que se compreendia algum ressentimento por parte da coroa portuguesa, tendo em conta igualmente o papel histórico de Portugal na expansão do catolicismo. De facto, embora possa surpreender, D. João V sempre usou de grande firmeza no relacionamento com Roma.

Sirva de exemplo a carta que o rei português endereçou ao embaixador na Santa Sé, André de Melo e Castro, em 1707, um ano depois de ter ascendido ao trono, é certo que redigida pelo Secretário de Estado (Primeiro-Ministro) Diogo de Mendonça Corte-Real, mas assinada pelo monarca[16]. Nela se davam instruções sobre os assuntos que vieram a ser recorrentes nas relações com a Santa Sé durante todo o reinado, como o provimento dos bispos, o funcionamento do Padroado do Oriente, a nomeação dos núncios e questões de ordem fiscal. Em todos esses domínios D. João V procurou alcançar prerrogativas similares às dos soberanos rivais, tendo-as alcançado sempre, por vezes mediante conflitos que levaram de novo ao rompimento das relações[17].

Conseguiu que os bispos passassem a ser designados, não por suplicação, mas por apresentação, ou seja, por indicação de Portugal, a prática seguida em Espanha, e que os núncios saíssem de Lisboa com a dignidade de cardeal, como acontecia em Viena, Paris e Madrid. Obteve a consolidação do Padroado do Oriente, enfraquecido durante os 60 anos de perda da independência, que atribuía o direito de apresentação dos bispos pelo rei de Portugal em toda a Ásia,e logrou que as instituições eclesiásticas começassem a pagar a décima, alegando que, cita-se a referida carta, "(…/…) sendo as despesas da guerra tão excessivas, e tão grande o número de eclesiásticos deste reino, não (era) justo que o peso dela (carregasse) sobre os seculares, … não lhes (cabendo) a imposição de mais tributos, (sendo) a opressão em que se (achava) o reino tão extrema e notória (…/…)". D. João V (certamente o seu Ministro) revelava estar consciente dos impactos económicos e sociais causados pelo excessivo peso das instituições da Igreja no reino, indo ao ponto de solicitar na mesma carta a redução do número de dias santos de guarda pela mesma razão, observando neste passo, cita-se de novo, que "(…/…) sendo muitos os (dias) em que os pobres não podem trabalhar … não (era) possível que, constando o ano de 365 dias, se (pudesse) sustentar um jornaleiro e à sua família, deixando de trabalhar quasi metade do ano (…/…)!"[18]

Uma tal lucidez não impediu o monarca de gastar cerca de 168 milhões de cruzados na construção do Convento de Mafra, quando o Aqueduto das Águas Livres terá apenas custado cerca de 16 milhões, de realizar múltiplas outras obras sumptuárias, muitas delas enterradas pelo terramoto de 1755, e de pagar a alto preço as prebendas recebidas de Roma com o ouro que começava a jorrar do Brasil[19]. Contudo, a vitória naval do Cabo Matapão não se deveu a um capricho do Rei Magnânimo e em todo o caso só a má-fé poderá negar que constituiu um acto de grande bravura que muito honrou a Marinha Portuguesa.

Miguel de Aragão Soares[20]

Bibliografia utilizada

Brazão, Eduardo, História Diplomática de Portugal, Vol. I, Livraria Rodrigues, 1932

Domingues, Mário, D. João V, O Homem e a sua Época, Prefácio, 2005

Calmon, Pedro, Francisco Barreto/Restaurador de Pernambuco, Agência Geral da Colónias, 1940

Hilaire, Yves-Marie, Histoire de la Papauté, Éditions Tallandier, 2003

Koolbergen, Jeroen, Vivaldi, PML Éditions, 1996

Lane, Frederic C., Venise, Une République maritime, Flammarion, 1973

Magalhães, Joaquim Romero, O Algarve Económico (1600-1773), Editorial Estampa, 1988

Martin, John Rupert, Baroque, Penguin Books, 1977

Martinez, Pedro Soares, História Diplomática de Portugal, Verbo, 1986

Monge, Roberto, Dois mil anos de Papas, Casa das Letras, 2016

Monnier, Philippe, Venise au XVIIIème siècle, Texto, 2009

Oliveira, Padre Miguel de, História Eclesiástica de Portugal, Europa-América, 1994

Pereira, José António Rodrigues, Grandes Batalhas Navais Portuguesas, A Esfera dos Livros, 2009

Pontes, António de Sousa, Vultos Históricos do Algarve, Uma página de Nobreza para Quarteira, Junta de Turismo de Armação de Pera, 1968

Weitlaner, Juliana, Maria Theresia, An illustrated Life of an Empress, Vitalis, 2017

Wikipédia Enciclopédia Livre, Batalha de Matapão



[1].Oh esperança da nossa única e verdadeira vitória.

[2]O título de Conde de Rio Grande foi inicialmente atribuído por D. Pedro II a Francisco Barreto de Meneses, que contudo nunca o usou, tendo determinado que fizesse parte do dote do casamento da sua filha com Lopo Furtado de Mendonça, que viria igualmente a herdar por morte da mulher o morgadio de Quarteira (actual Vilamoura). Francisco Barreto comandou as armas portuguesas na guerra contra a Holanda no Brasil. A historiografia brasileira identifica-o como o Libertador de Pernambuco (v. Pedro Calmon, Francisco Barreto/Restaurador de Pernambuco). Segundo algumas fontes a imagem mais antiga (a imagem pequena) de Nossa Senhora da Conceição que se encontra na igreja paroquial de Quarteira terá sido a que seguia na nau capitânia da batalha do Cabo Matapão, vindo subsequentemente a ser doada à paróquia pelos senhores do morgado (v. António de Sousa Pontes, Vultos Históricos do Algarve). Note-se, por fim, que o Lopo Furtado de Mendonça retratado no quadro de Domingos Vieira (o Escuro, a não confundir com o pintor homónimo do século XVIII), que se encontra no Museu Nacional de Arte Antiga (e cuja reprodução pude ver exposta na visita que fiz ao museu da Marinha há já alguns anos) não é o herói do Cabo Matapão mas um seu avô que tinha o mesmo nome e que se distinguiu por motivos muito menos nobres, já que na sua qualidade de comendador da Ordem de Cristo na Colegiada de S. Clemente de Loulé e de Familiar do Santo Ofício foi um dos principais protagonistas das perseguições inquisitoriais contra os cristãos-novos ocorridas no início do século XVII na referida localidade algarvia (v. Joaquim Romero Magalhães, O Algarve Económico, pp. 335 e seguintes).

[3]Por tradição, desde D. João IV que as naus capitânias da armada portuguesa tinham por padroeira Nossa Senhora da Conceição. A descrição e a cronologia da batalha seguem o artigo que se encontra na Wikipédia sob o título de Batalha de Matapão (que tem por fonte principal Saturnino Monteiro, Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, Vol. VII), e os livros de Mário Domingues, D. João V, O Homem e a sua Época, e José António Rodrigues Pereira, Grandes Batalhas Navais Portuguesas. Todos inspiram-se no Diário e relação da armada que foi a Itália, em socorro dos venezianos, neste ano de 1717, na qual mandava o conde de Rio Grande Lopo Furtado de Mendonça.

[4]Clemente XI nasceu em Urbino, em 1649, tendo por nome de baptismo Gian Francesco Albani. Formou-se em Direito e foi eleito Sumo Pontífice por unanimidade em 1700, ainda na qualidade de simples diácono. Foi consagrado bispo e coroado Papa em 8 de Dezembro desse mesmo ano. O seu pontificado ficou marcado pela Guerra de Sucessão de Espanha. Deve-se a Clemente XI a instituição da Festa da Imaculada Conceição. Manifestou um grande interesse pela cultura, em particular pelas letras, devendo-se-lhe igualmente o enriquecimento da Biblioteca Vaticana com muitos manuscritos gregos e latinos. Morreu em 1721 e quis que a sua sepultura em S. Pedro ficasse assinalada por uma simples inscrição numa laje do pavimento da Capela do Coro (Roberto Monge, Dois mil anos de Papas, p. 488).

[5]Durante a Guerra de Sucessão de Espanha Clemente XI tentou manter-se neutro entre os campos opostos, mas a invasão da Itália pela Áustria determinou o reconhecimento pela Santa Sé, em 1709, de Carlos VI como rei de Espanha. Este facto implicou a ruptura das relações com os Bourbons e o aumento da influência da Áustria no Vaticano e nos territórios da Igreja em Itália em detrimento da Espanha (Yves-Marie Hilaire, Histoire de la Papauté, pp. 356 e seguintes).

[6]Soares Martinez, História Diplomática de Portugal, p. 185, e Mário Domingues, op. cit., p. 193.

[7]Os Ospedale eram orfanatos femininos. Veneza possuía pelo menos quatro e em todos eles a aprendizagem da música constituía um dos principais vectores da instrução dada às órfãs. O orfanato que mais se distinguiu foi o da Pietà, certamente devido ao génio e prestígio de Vivaldi. Veneza era por essa altura a cidade que contava o maior número de teatros e salas de ópera e de música da Europa. Foi em Veneza que morreu Monteverdi, o criador da ópera moderna, e onde, já no século XVIII, se iniciaram os espectáculos do bel canto abertos ao público em geral mediante o pagamento de um bilhete de entrada, visto que até aí estavam consignados aos salões aristocráticos (Jeroen Koolbergen, Vivaldi, pp. 27 e 31, e Philippe Monnier, Venise au XVIIIème siècle).

[8]Soares Martinez, op. cit., pp. 236 e 237.

[9]Os brulotes eram pequenos navios carregados de explosivos destinados a abalroar os navios inimigos e a incendiá-los. Neste caso, o brulote lançado contra as naus de testa turcas foi abatido antes de explodir.

[10]Todos os relatos consultados são unânimes quanto ao facto de a parte decisiva da batalha ter sido travada pela esquadra portuguesa.

[11]Frederic Lane, Venise, Une République maritime, pp. 543 e 546. É igualmente Lane quem aponta o número de 1.824 baixas venezianas. As outras estimativas provêm do artigo da Wikipédia e dos livros de Soares Martinez e Mário Domingues.

[12]A observação decorre da leitura de José António Rodrigues Pereira, Grandes Batalhas Navais Portuguesas.

[13]Eduardo Brazão, História Diplomática de Portugal, Vol. I, pp. 189 e seguintes, e Soares Martinez, op. cit., p. 183.

[14]Soares Martinez, op. cit., pp. 184 e 236.

[15]Padre Miguel de Oliveira, História Eclesiástica de Portugal, p.198.

[16]As instruções são transcritas por Eduardo Brazão, op. cit., pp. 245 e seguintes. Diogo de Mendonça Corte-Real nasceu em Tavira em 1658, foi embaixador de D. Pedro II em Haia e exerceu as funções de Secretário de Estado (Primeiro-Ministro) desde a ascensão de D. João V ao trono. Morreu em 1736 (veja-se, nomeadamente, Mário Domingues, op. cit., pp. 357 e seguintes).

[17]O corte de relações ocorreu em 1728 e deveu-se ao facto de o Papa ter recusado a dignidade cardinalícia ao antigo núncio em Lisboa, D. Vicente Bichi. As relações só foram restabelecidas após a investidura de D. Vicente como cardeal e depois da concordata de 1737 (o incidente é comentado por todos os autores consultados, como por exemplo, Padre Miguel de Oliveira, op. cit., pp. 197 e 198).

[18]Eduardo Brazão, op. cit., pp. 245 e seguintes.

[18]Veja-se Mário Domingues, op. cit., pp. 153 e seguintes. O autor vai ao ponto de afirmar que quando D. João V morreu a situação financeira do país era tão má que não existia dinheiro no erário público para pagar o funeral (p. 381). O alto custo das prebendas é igualmente assinalado pelo Padre Miguel de Oliveira, op. cit., p. 198.

[10]O autor é licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa e exerce funções na Direcção-Geral do Ambiente da Comissão Europeia em Bruxelas. Publicou pelo Arquivo Histórico de Loulé, em 2010, os textos Napoleão e uma Família Patrícia de Loulé e A Bélgica, Portugal e o Algarve numa Tapeçaria de Viena. No domínio da História publicou também os ensaios O Espaço ibero-magrebino durante a presença árabe em Portugal e Espanha (Do Al-Garbe à expansão portuguesa em Marrocos) - Palimage, 2012 - e A villa romana de Vilamoura (uma visita) - Palimage, 2016. É ainda autor da recolha de poesia A Terra com que Escrevo - Palimage 2013.

 


 

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