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Terça 19 Set

Palheiros de Mira

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       Formação e declínio de um Aglomerado de Pescadores (1960)

            Como nasceu este curioso “aglomerado de pescadores” situado ... no cordão de dunas que se prolonga para sul da barra de Aveiro até ao cabo Mondego, num espaço de 50 Km? E como foi possível crescer e declinar ao longo de um século, já não havendo vestígios dele em 1973?

            3963A prestigiada geógrafa Prof. Doutora Raquel Soeiro de Brito deu resposta a estas perguntas ao longo de uma valiosa monografia aqui apresentada em reedição facsimilada, de 2009, abundantemente documentada com mapas e fotos a preto e branco, na sua maioria tiradas pela própria autora, entre os anos de 1957 a 59 .

            No dizer do Presidente do CEMAR, na sua nota de editor ... as três obras mais significativas que alguma vez foram escritas acerca desta terra de Pescadores: desta terra de Homens e Mulheres de coragem são Os Pescadores de Raúl Brandão(1923), A Batalha das Dunas de Jaime Cortesão (1959-60) e a presente obra Palheiros de Mira, de Raquel Soeiro de Brito (1960) .

            A sua reedição foi uma iniciativa conjunta do CEMAR- Centro de Estudos do Mar e da Câmara Municipal de Mira, com o propósito comum de “guardar a memória da terra e do mar”, homenagear a bela Praia de Mira, por alguns apelidada de “a capital do Universo” ou “o centro do mundo”, e manifestar carinho e gratidão à Professora Raquel Soeiro de Brito por ter sido ela a gravar para sempre, num trabalho académico, uma “jóia de arquitetura popular” hoje infelizmente já desaparecida, mas que a ligou para sempre “à Terra e Gentes da Praia de Mira”.

            No post scriptum propositadamente escrito para esta reedição, a autora revela-nos o forte impacto que lhe causou a sua primeira visita em 1948, ao ... então pitoresco lugar de Palheiros de Mira, levando-a a desejar revisitar e estudar este lugar, o que só veio a realizar-se cerca de dez anos mais tarde, no preciso momento ... em que ainda existia quase toda a estrutura do povoado, embora a degradar-se de mês para mês, já que por decisão camarária de 1953 passara a ser proibido consertar as habitações de madeira, sendo decretada a sua substituição por casas de cimento.

            Logo de início, somos de imediato cativados pela linguagem pictórica com que a autora nos descreve o que viu nessa primeira visita ... um aglomerado de casas de madeira, a maioria construídas sobre estacas para que os ventos mareiros não encontrassem obstáculo à sua passagem; e se a maior parte era de simples planta rectangular e de um só piso, muitas havia de andar e até algumas de dois andares e alta chaminé exterior, também de madeira; muitas tinham forno, sempre exterior. Frente ao aglomerado do casario estendia-se uma longa fila de “barracos”, também de madeira, destinados a estábulos dos bois de serviço aos barcos e guarda da sua alimentação. Entre estes e o mar viam-se grandes barcos, de proa alta para poder vencer as vagas, e sempre muita gente preguiçando na areia: homens e moços ao serviço da pesca, mulheres esperando os barcos para vender o peixe pelas aldeias. Na hora da chegada e largada dos barcos, este quadro rapidamente se movimentava: os rapazes corriam a buscar as juntas de bois para puxarem os barcos, que deslizavam sobre rolos de madeira, e os homens logo ajudavam a empurrar, enquanto, ao mesmo tempo, em altos gritos, incitavam os animais a andar; as mulheres também se moviam depressa, ávidas de ver que peixe vinha na rede.Um verdadeiro espetáculo de cor e som.

            Não sendo a única povoação piscatória do litoral só feita de casas de madeira, ela era contudo, ... a mais importante, pelo número de barcos e pela diversidade dos estilos de habitações.

            Assim, ao longo de 172 páginas, incluindo numerosas fotos e bibliografia, com um prefácio do grande geógrafo Orlando Ribeiro, a que se seguem notas de João Reigota, Presidente da Câmara de Mira e de Alfredo Pinheiro Marques, Diretor do Cemar, a autora investiga minuciosamente as origens desta povoação, regista datas, factos e números de habitantes, descreve habitações, compara estilos de vida, etc. usando até a gíria própria dos pescadores locais. Referindo-se a um plano urbanístico assente “num esperançoso turismo balneário”, desastroso contudo, porque insensível às pessoas, ao passado e tradições, a autora constata que aquela “ jóia da arquitetura popular”, foi condenada à ruína e ao desaparecimento. Com assertividade, a autora lamenta profundamente que os seus responsáveis não tenham seguido os bons exemplos da Costa Nova, ali tão perto, onde houve a preocupação de preservar a tradição local das construções de madeira, mantendo-as bem cuidadas, tanto ... as de veraneantes, como ... as casinhas dos pescadores.

            Este livro não está à venda, mas é distribuído gratuitamente pelo CEMAR como forma de divulgação cultural. Ao seu diretor, Dr. Alfredo Pinheiro Marques, a Revista de Marinha agradece a oferta e a oportunidade de conhecer uma obra incontornável para quantos se interessam pela cultura marítima. Aos interessados, aqui deixamos contactos do CEMAR : tel 23 343 4450, e-mail Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar , sito na Rua Mestre Augusto Fragata, nº 8 Buarcos 3080-900 Figueira da Foz.

   Por   F.F.

 


 

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