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Terça 17 Out

Um brilhozinho de SOL em Leixões

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4005 03Desde que foi construído o cais acostável de Matosinhos que serviria o novo Terminal de Cruzeiros de Leixões, cujas obras principiaram em Março de 2010 e terminaram em Dezembro de 2011, assistiu-se a um assinalável incremento de escalas de navios de cruzeiro. Os seus 340 m de comprimento e 18 m de largura associados a uma profundidade de -10 m, em muito contribuíram para o sucesso desta estrutura portuária, que via o seu anterior terminal de Leça da Palmeira já incapaz de receber os novos paquetes que, em muito, ultrapassavam os 250 m, comprimento máximo dos navios que podia acolher.

                  Assistiu-se, porém, a um pequeno hiato em que houve companhias, com destaque para a Cunard, que interromperam as escalas até ao término das obras do edifício do Terminal, que viria, no entretanto, a ser inaugurado em 23 de Julho de 2015.

                  A partir de então o aumento de escalas, pode dizer-se, tornou-se explosivo. Se compararmos, por exemplo, com o ano de 2.000, em que as escalas se ficavam por cerca de 40 navios, em 2011, com o novo cais, passou-se para os 56 e, em 2015, com o novo edifício já em funcionamento, registavam-se 85. No presente ano já se ultrapassa a centena. Longe vão, portanto, as escassas 24 escalas de 1994, primeiro ano em que temos acesso às estatísticas insertas no “site” da APDL, e boas perspectivas de futuro se apresentam!

                  Claro que acompanhando este incremento de escalas de navios de cruzeiro, não poderiam deixar de se verificar escalas inaugurais, não apenas de navios como também de companhias. Uma dessas escalas inaugurais, que se verificou no passado dia 26 de Agosto, foi a do AIDASol que, procedendo da Corunha atracou pelas 07.00 horas ao cais do Terminal de Cruzeiros de Matosinhos, tendo partido, rumo a Lisboa, às 18.00 horas do mesmo dia.

                  Este navio tem uma particularidade interessante: é parte da frota de uma companhia, a AIDA Cruises, “pertencente” a três países, pois tem a sua sede em Rostock, na Alemanha, tem o centro logístico do programa de novas construções baseado em Hamburgo, também na Alemanha, é propriedade da Carnival Corporation & PLC, americana, e é gerida pela companhia Costa Crocieres, estando registado em Génova, pelo que arvora bandeira italiana. É a quinta unidade da classe “SPHINX”, que principiou com a construção, do AIDAdiva, de 2007, nos estaleiros Meyer Werft, em Papenburg. O corte das primeiras chapas de aço deste navio tivera lugar em 28 de Outubro de 2005 e a quilha seria assente na carreira de construção em 3 de Março de 2006. Deixou o hall coberto de construção em 4 de Março, foi transferido para Emden em 10 do mêsmo mês e, finalmente, o baptismo e entrega foram realizados em Hamburgo em 20 de Abril de 2007. Seria o início da classe …

                  Foi rotundo o sucesso deste primeiro navio e da nova classe, não apenas junto do mercado alemão, para o qual fôra concebido, como também para a própria 4005 02Carnival Corporation, facto que levou à encomenda aos Meyer Werft de mais seis unidades, distribuídas por duas séries. A primeira série, com 68.500 GT e 1.025 cabines, além do AIDAdiva (2007), compreende o AIDAbella (2008) e o AIDAluna (2009). A segunda série de navios, que mais não é do que uma melhoria da primeira, também conhecida como classe “IKARUS”, com 71.300 GT e 1.088 cabines, contém mais quatro navios: o AIDAblu (2010), o AIDAsol (2011) que agora visitou Leixões, o AIDAmar (2012) e o AIDAstella (2013).

                  De notar que de entre os navios das diversas companhias que operam unidades de cruzeiros, os da AIDA sobressaem por se enquadrarem num modelo completamente diferente dos demais, mercê de novos conceitos de arranjo dos espaços públicos. Efectivamente, desde que se principiou a prover os navios de cruzeiros com cabines dotadas de varandas privadas, estas passaram a ocupar as pontes superiores, empurrando para as pontes mais baixas os espaços públicos. Contrariamente, nas unidades da AIDA, os espaços públicos passaram a ocupar as pontes superiores passando as cabines a ocupar as inferiores; e o usual Teatro, habitualmente colocado à proa nos decks inferiores do navio, também desapareceu, sendo substituído por um novo espaço, agora situado a meio-navio: o “Theatrium”.

                  Um outro aspecto distintivo dos navios da AIDA Cruises, que os torna imediatamente reconhecíveis e lhes dá um aspecto que diríamos jovem, é a obra de arte que decora ambos os lados do casco, em que é fácil distinguir a influência da ópera verdiana que tem o mesmo nome da companhia. Refiro-me à ópera Aida, de Giuseppe Verdi… São os lábios laranja e vermelho, sublinhados a negro, na proa e os olhos negros preenchidos a amarelo, com as pálpebras superiores em azul forte, que deixam um rasto azul mais claro que percorre ambos os lados do casco em cerca de três quartas partes do seu comprimento.

                  A classe “SPHINX”, que foi concebida especificamente para o mercado alemão, enquadra-se no que se convencionou chamar de clubship, que se para alguns representa a passagem do conceito francês do “Club Mediterranée” para os navios, para outros será antes o aproveitamento do conceito britânico de “Ocean Village”. Ou seja, procura apostar-se numa clientela mais jovem, mais activa e mais informal, que dispensa os formalismos e os cerimoniais usuais noutras companhias, em especial ao jantar no restaurante principal. Mas a característica principal da classe, e portanto do AIDAsol, é o já referido“Theatrium” circular, o verdadeiro coração do navio, misto de espaço para 4005 00espectáculos e de espaço público, situado a meio-navio. Este conceito foi proposto pelo departamento de marketing da companhia e desenvolvido pelo gabinete de arquitectura Partner Ship Design. Prolonga-se por três decks (9, 10 e 11) e é coberto por uma cúpula de vidro. É um espaço público durante o dia, usado para vários eventos, e que à noite funciona como salão onde têm lugar as performances teatrais ou outras, estando equipado para o efeito com tecnologia de som e de iluminação das mais recentes. Não existe a bordo, portanto, um teatro nos moldes tradicionais dos outros tipos de navios. É em volta deste Theatrium que nos três decks que ocupa se distribuem as restantes áreas públicas, desenhadas em articulação com este espaço, e que exteriormente é claramente denunciado pelo vitral em forma de leque que se desenvolve pela altura dos três decks superiores e se prolonga ainda para cima no deck solário.

                  O AIDAsol foi encomendado em 13 de Dezembro de 2007 aos estaleiros Meyer Werft de Papenburg (construção nº 689), Alemanha, pela Carnival Corporation, empresa-mãe da AIDA Cruises. Aqui foi feita toda a montagem das várias secções que compõem o navio, algumas das quais foram produzidas no estaleiro Neptun Shipyard, de Rostock, de onde seguiram a reboque para Papenburg.

                  Esta unidade tem 252 m de comprimento, 32.20 m de boca e 71.300 GT de porte. Nos seus 14 decks acessíveis aos passageiros, as suas 1.097 cabines distribuem-se por 12 deles. Daquelas, 23 são suites, 488 cabines possuem varanda privativa, 172 são exteriores e 414 interiores. A lotação é de 2.194 passageiros e 609 elementos de tripulação. Foi colocado na carreira de construção em Novembro de 2009 e posto a flutuar em 26 de Fevereiro de 2011, saindo do hall coberto no dia seguinte, 27 de Fevereiro, para acostar ao cais de aprestamento. Em 12 e 13 de Março desceria o rio Ems a caminho do mar do Norte onde efectuou provas de mar, sendo finalmente entregue em Emden no dia 31 do mesmo mês. A cerimónia de baptismo teve lugar em Kiel no dia 9 de Abril seguinte, sendo madrinha Bettina Zwickler, uma entusiasta da AIDA Cruises escolhida, entre 1.600 candidatas, por um concurso online.

                  Entre as várias opções de restauração e similares, o navio conta com 7 restaurantes e 14 bares. De entre os vários retaurantes, o Rossini é um restaurante 4005 01especializado, apenas para jantar, mas com reserva necessária e custo adicional, enquanto o Markt, sala de jantar principal, é um restaurante self-service, com uma ampla variedade de comida e um pequeno terraço. O Bella Dona é um restaurante de comida italiana, estilo buffet, aberto 24 horas. No Buffalo Steackhouse, de menu a-la-carte, é necessária reserva e o Sushi Bar, japonês, também tem um custo adicional.

                  As opções de entretenimento também são variadas. O Kids Club, por exemplo, destina-se a crianças e adolescentes entre os 3 e os 11 anos, enquanto o Theatrium, com 948 lugares distribuídos pelos três decks superiores, com paredes e cúpula de vidro, tem um palco com plataformas dinâmicas e moderno equipamento de luz e de som, apresenta produções em grande escala. Por sua vez, se o AIDA Lounge, é dotado com confortáveis assentos e proporciona vistas panorâmicas de 270º, o AIDA Bar é um salão de grande capacidade, igualmente com janelas panorâmicas. A área do sun deck, finalmente, é servida pelo Beach Bar. Os passageiros podem ainda desfrutar do Body & Soul Sport Fitness, um espaço com um ginásio moderno e bem equipado, e do SPA Body & Soul, com 2.300m2.

                  Código de chamada: ICPE; Nº IMO: 8490040; MMSI: 247302900

Referências:

MAYES, William – Cruise Ships. Fifth Edition – Overview Press – Windsor, 2014

SAUNDERS, Aaron – Giants of the Seas – Seaforth Publishing, Pen &Sword – Barnsley, 2013

SMITH, PeterC. – Cruise Ships, The Worlds most Luxurious Vessels - Pen &Sword, 2010

Internet:

World Cruises.com

Cruise industry News

Mer et Marine (vários artigos)

Fotos: Arq. Paiva Leal

Por Fernando Paiva Leal

 


 

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