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Terça 17 Out

Pesca do Atum em Conferência nos Açores

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4007Vai decorrer nos próximos dias 16 e 17 de outubro, na cidade da Horta, ilha do Faial, o primeiro encontro internacional sobre a pesca de atum com recurso à arte de salto e vara.

            A conferência que decorrerá no edifício “Sociedade Amor da Pátria”, reunirá os líderes mundiais envolvidos na pesca de atum com a arte de salto e vara e linha de mão para partilhar as melhores práticas, discutir soluções, avaliar a dinâmica social e económica das pescarias individuais e explorar formas de colaboração para o desenvolvimento do setor. Este será o primeiro encontro a nível mundial entre todos os intervenientes deste setor de atividade, nomeadamente pescadores, comerciantes, governantes, investigadores e ONG’s, com o objetivo de estreitar relações preparando-se para as crescentes exigências de mercado.

A pesca do Atum

            As várias espécies de atum são migradoras e assumem um papel fundamental nos ecossistemas costeiros e oceânicos sendo reconhecidas como fonte de alimento e de sustento para comunidades pesqueiras ao redor do globo.

            Há cinquenta anos atrás, a maior parte do atum comercializado por todo o mundo era capturado com técnicas de pesca de baixo impacto, contudo o desenvolvimento das técnicas e meios de pesca elevou a pesca do atum para níveis industriais. Atualmente, a maior parte do atum é capturado com redes de cerco e por grandes embarcações palangreiras. Embora estes métodos sejam mais eficazes ao nível da quantidade capturada, eles induzem graves perturbações nos ecosistemas marinhos. Contudo, algumas pescarias de salto e vara persistem e estão na vanguarda do movimento sustentável do consumo de pescado.

A Pesca de Salto e Vara

            Esta arte designa-se mais corretamente por “pesca de salto e vara com isco vivo” devido às características das artes utilizadas e porque utiliza pequenos peixes pelágicos4007 01vivos como isco (chicharro, sardinha, cavala, carapau, etc). Como o nome indica, implica uma vara (que varia de tamanho e forma) e a técnica do salto, que consiste em puxar o peixe para bordo com um só movimento, fazendo-o saltar. Claro que esta manobra é tanto mais difícil quanto maior for o tamanho do peixe.

É uma pesca activa e dinâmica que procura os cardumes de atum na superfície atraindo-os para junto da embarcação com isco vivo. Dois factores são extraordinariamente importantes neste tipo de pesca: a grande voracidade que os atuns apresentam quando estão a alimentar-se, chegando a entrar em frenesim, e a habilidade que o pescador possui em iludir o atum, atraindo-o ao seu anzol.

            Aspecto de grande interesse na pesca de atum nos Açores é o facto desta depender directamente de outra pescaria, a captura do isco vivo. Nos Açores, esta é feita com pequenas redes de cerco, ou "enchelavares", que capturam os pequenos peixes na costa, e os armazenam em grandes tanques (tinos) na embarcação. Sem estes pequenos exemplares não seria possível atrair à superfície os grandes cardumes de atum.

Os Açores, exemplo de respeito pela proteção dos ecosistemas marinhos.

            Desde a década de 50 do século passsado que os Açores pescam atum com salto e vara. Estas pescarias fazem atualmente parte integrante da economia local, tornando por isso os Açores num local perfeito para a realização da primeira conferência internacional relativa a este assunto.

            O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, salientou a necessidade de ... sensibilizar a comunidade internacional para a importância de defender o salto e vara como uma arte ambientalmente sustentável, acrescentando que esta pesca ... deve receber um tratamento distinto da pesca industrial, na medida em que salvaguarda a preservação do atum e respeita o ecossistema marinho, não afetando animais marinhos como, por exemplo, os golfinhos.

            A sustentabilidade das pescarias de atum tem sido uma preocupação do Governo dos Açores que, junto da Comissão Europeia e da Comissão Internacional para a Conservação dos Atuns do Atlântico (ICCAT), tem defendido a implementação de medidas mais restritivas à pesca industrial desta espécie, que se desenvolve essencialmente utilizando redes de cerco e tecnologias de agregação de peixe, bem como a criação de corredores marítimos livres deste tipo de dispositivos.

A conferência

            Este evento vai reunir líderes governamentais de vários países, bem como armadores, pescadores, associações do setor, comerciantes, indústria, investigadores e 4007 02membros de organizações não governamentais e pretende ... valorizar uma técnica artesanal, amiga do ambiente, também utilizada nos Açores para a captura de atum.

            A primeira Conferência Internacional de Salto e Vara tem como objectivos principais a partilha das melhores práticas, a identificação dos desafios relacionados com a utilização de artes de pesca artesanais em diferentes regiões e a avaliação do potencial que representam em termos de valorização do pescado.

            Esta iniciativa reveste-se de grande importância para todas as regiões que utilizam o salto e vara e, em particular, para os Açores, onde os pescadores utilizam esta técnica desde os anos 50 do século XX, afirmou Gui Menezes, acrescentando que a Região, ao promover a realização desta conferência, assume ... uma posição de liderança no contexto mundial na defesa desta técnica de pesca artesanal.

            A Conferência Internacional de Salto e Vara, organizada pelo Governo dos Açores em parceria com a Fundação Internacional de Salto e Vara (PNLF), já tem confirmados participantes de uma dezena de países para além de Portugal, nomeadamente dos EUA, África do Sul, Reino Unido, Espanha, Senegal, Cabo Verde, Japão, Maldivas, Alemanha e Bélgica.

Por JAG

 

Fontes:

www.azores.gov.pt

www.madeinazores.eu

Fotos:

  1. O atuneiro CONDOR de 1994, com 25m de comprimento, desloca 138 tons, navegando ao serviço da COFACO, ao largo da ilha de Santa Maria, em 2011.
  2. O edifício art-déco da “Sociedade Amor da Pátria”, de 1934, local onde se vai ter lugar a conferência, é uma obra do grande aquitecto português Norte Júnior.
  3. Logo da “One by One Tuna Fisheries Conference”

 


 

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