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Terça 21 Nov

Largada para a 2ª etapa da VOR, Lisboa – Cidade do Cabo

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Velejada épica no estuário do Tejo

4035 02Sob condições de um sol esplendoroso de outono e de vento do quadrante norte por vezes a roçar os 25 a 30 nós, a par de um mar bonançoso, o mínimo que se pode dizer é que as condições que presidiram à largada para a 2ª etapa da Volta ao Mundo à Vela, edição da Volvo Ocean Race 2017 – 2018, foram verdadeiramente de eleição, no que foi um momento épico e em que se assistiu a Vela de Competição ao mais alto nível.

Na linha de largada, junto à Doca de Pedrouços, estavam 7 das mais velozes embarcações à vela do Mundo a competirem pelo primeiro lugar na chegada à Cidade do Cabo, na África do Sul, num percurso de 7.000 milhas, durante cerca de 20 dias, entre as quais uma embarcação com pavilhão português, o TURN THE TIDE ON PLASTIC, patrocinado pela Fundação Mirpuri. Esta embarcação é capitaneada pela experiente velejadora Britânica Dee Caffari, contando entre os membros da sua tripulação com o velejador português Frederico de Melo que ao longo dos 8 meses de duração da Volta ao Mundo, num total de 45.000 milhas, irá alternar com o também velejador português Bernardo de Freitas.

A linha de largada foi desenhada a meio do Rio Tejo, em frente à Doca de Pedrouços, base de operações da Volvo Ocean Race em Portugal, tendo sido dado o tiro de partida cerca das 14H00 locais, com transmissão para todo o mundo via Internet, enquadrada por dezenas de embarcações de recreio que emprestaram ao evento um especial brilho.

O TEAM BRUNEL, capitaneado por Bouwe Bekking, a realizar a sua 7ª volta ao mundo à vela, colocou-se de imediato na frente, seguido do TEAM VESTAS que apresentava logo à partida um importante rasgão na vela principal, do TEAM DONGFENG, SCALLYWAG, MAPFRE e AKZONOBEL, por esta ordem.

Convirá ressaltar que a equipa AKZONOBEL conta entre os seus membros com uma tripulante de língua portuguesa, a brasileira Marine Grael, 4035 03velejadora olímpica e medalha de ouro dos recentes Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, filha do conhecido Torban Grael, ele próprio medalhado olímpico, participante em 3 edições desta prova, tendo saído vencedor da edição de 2008-2009 da Volvo Ocean Race como skipper do Ericsson 4.

Desta feita a equipa com pavilhão português, o TURN THE TIDE ON PLASTIC, teve uma largada menos bem conseguida e cruzou a linha de partida em último lugar. Nada de especialmente preocupante uma vez que há muitas milhas pela frente.

Contudo, fruto das condições de eleição que se fizeram sentir ao longo do Estuário do Tejo durante todo o dia, a regata revelou-se muito competitiva, com as embarcações a mudarem constantemente de posições relativas, mercê das opções táticas de cada uma das tripulações. Nas palavras de Nick Bice, responsável técnico da Volvo Ocean Race, esta terá sido a mais épica de todas as largadas desta prova desde 2005.

Claramente a meio do rio havia mais vento do que junto a terra, situação de que tirou partido o TEAM DONGFENG. Depois de ter realizado uma largada prudente o TEAM DONGFENG veio para o meio do rio e na boia de desmarque nº1, localizada pouco antes do Terreiro do Paço, estava já na frente seguido do TEAM VESTAS e do TEAM BRUNEL, e de todas as restantes embarcações.

Depois de ultrapassarem por estibordo a boia nº 2 situada na margem sul, junto a Almada, as equipas dirigiram-se para a Barra do Tejo com velocidades em muitos casos acima dos 20 nós. Verdadeiramente empolgante. Contudo, como diz o povo … até ao lavar dos cestos é vindima. Até à boia nº4, localizada sensivelmente junto à Marina de Oeiras, última boia de desmarque que as equipas tiveram que ultrapassar por bombordo antes de entrarem em pleno Ocean Atlântico, as mudanças de posição continuaram a ser uma constante. Houve Vela ao mais alto nível no Estuário do Tejo.

Assim, à saída da Barra do Tejo, eram estas as posições relativas de cada uma das equipas:

  1. DONGFENG
  2. BRUNEL
  3. MAPFRE
  4. SCALLYAG
  5. VESTAS
  6. AKZONOBEL
  7. TURN THE TIDE ON PLASTIC

4035 04Manda a verdade que se diga que o que se assistiu nesta magnifica tarde de domingo, dia 5 de Novembro, ficará na memória dos amantes da Vela em particular, e dos lisboetas em geral, como um dia para mais tarde recordar. Dizer que se assistiu a momentos de uma beleza plástica única peca por defeito. É mais apropriado dizer-se que se assistiram a momentos épicos do Desporto à Vela em Portugal como poucas vezes terá acontecido no nosso País.

Mas se as condições naturais colaboraram em pleno também as dezenas de embarcações de recreio à vela e a motor presentes, entre as quais pontificavam o Navio-Escola SAGRES e o SANTA MARIA MANUELA, recentemente adquirido pela Fundação Oceano Azul, muito contribuíram para o colorido muito especial que esta Festa da Náutica Mundial indiscutivelmente teve.

Tudo isto sem esquecer a magnifica moldura humana presente na Doca de Pedrouços com muitos milhares de famílias a assistirem ao espetáculo. 4035 05Muitos deles pela primeira vez. É caso para dizer que a Náutica, e de uma forma muito particular a Vela, tem um lugar muito especial no nosso imaginário coletivo.

Haverá ainda que referir que nesta edição da prova os portugueses pegaram de estaca. É o caso de António Fontes, um dos maiores expoentes da Vela da sua geração e que integra a equipa Scallywag, mas que fez a sua estreia nesta prova rainha da Vela Mundial a bordo do Akzonobel entre Alicante e Lisboa em que obteve um brilhante 4º lugar. Isto para além dos já referidos Bernardo Freitas e Frederico Melo.

Mas outros portugueses emprestam a sua colaboração à organização da prova. São eles o Rodrigo Moreira Rato, responsável pela área de comunicação da prova, e o Diogo Diniz da Pindar, empresa responsável pela logística.

A todos eles a Revista de Marinha deseja o maior sucesso durante o evento. que iremos acompanhando a par e passo.

       Por  Eduardo de Almeida Faria

 


 

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