Efemérides

A corveta ESTEPHANIA chegou ao Douro

Google+ Pinterest LinkedIn Tumblr

É importante lembrar que a D. ESTEPHANIA entre outros serviços de enorme valia, tomou parte na expedição a Angola, em 1860.

Quem é do Porto e mantém até hoje uma relação afetiva com a Marinha de Guerra Portuguesa, por certo ouviu falar da corveta D. ESTEPHANIA, que por 13 anos se manteve ancorada no rio Douro, mais exatamente no cais do Bicalho, funcionando como Escola de Alunos Marinheiros, do Porto. A grande importância desta unidade da Armada, enquanto Escola, formou gente que muito provavelmente terá sido enquadrada nas tropas presentes em África, na defesa das ex-cólonias contra os ataques alemães, em Angola e Moçambique, como seguramente participou activamente no transporte das tropas portuguesas para França, durante a Iª Grande Guerra.

O motivo que leva a recordar aquele que admito ter sido à época um dos ex-libris da cidade, chegou ao Porto à exactamente 125 anos, completados no dia 19 de Abril p.p. E quanto se lamenta ainda a sua perda, no dia 23 de Dezembro, durante a grande cheia do rio, em 1909.

Bilhete Postal - Porto - Corveta Estephania - Editor Alberto Ferreira - Batalha - Porto (coleção do autor)
Bilhete Postal – Porto – Corveta Estephania – Editor Alberto Ferreira – Batalha – Porto (coleção do autor)

O navio que entrou no Douro, em ambiente festivo, a reboque do transporte BÉRRIO, veio para substituir a corveta SAGRES, também de boa memória, depois de passar ao estado de desarmamento em 1866. É importante lembrar que a D. ESTEPHANIA entre outros serviços de enorme valia, tomou parte na expedição a Angola, em 1860, integrando desde 1862 a Divisão Naval de Reserva. Tinha 2.368 toneladas de deslocamento, 61,72 metros de comprimento e 12,60 metros de boca. Navegou à vela, utilizando simultaneamente um motor compósito de 400 Hp, que lhe asseguravam uma velocidade na ordem dos 10 nós. Enquanto unidade naval esteve armada com 18 peças de 32 mm e 2 rodízios de 68mm, com uma guarnição de 180 oficiais, sargentos e praças.

Cento e vinte cinco anos decorreram, já, daquele dia 19 Abril, em que na Meia Laranja, à Foz do Douro, pela Cantareira fora, as gentes do Porto saudavam com lenços a tripulação do elegante navio da Marinha Portuguesa que, sob o comando do bravo marinheiro e conselheiro Ferreira de Almeida, regressava dum cruzeiro pelos mares das colónias.

Selo dos CTT (1984) Uniformes Militares Portugueses - Marinha - 1845 - Praça de Marinhagem, Corveta ESTEFANIA.
Selo dos CTT (1984) Uniformes Militares Portugueses – Marinha – 1845 – Praça de Marinhagem, Corveta ESTEFANIA.

Quem estava a bordo, tendo pertencido anteriormente à guarnição da corveta SAGRES muito lamentou o fatídico dia da descida descontrolada rio fora, até aos rochedos a norte do farol de Felgueiras. Muitos desses homens, que ali serviram, enquanto viveram exibiram orgulhosamente as condecorações recebidas pelos anos de trabalho e dedicação, conservando-as religiosamente, como recordação do navio de que tanto gostavam.

Coisas de marinheiros, que no geral podem parecer pieguices, mas que a eles confortavam, pelas tristezas e alegrias dos anos vividos a servir a Armada e o país.

Reinaldo Delgado

Autor do blog "Navios e Navegadores", é um amante do mar e dos navios, que fotografa com regularidade. Investigador sobre história marítima (marinhas de guerra e de comércio), é colaborador da Revista de Marinha há vários anos, escrevendo principalmente sobre temas relacionados com o norte do país. Durante a sua vida profissional exerceu funções na agência Sofrena - Sociedade de Afretamentos e Navegação, Lda. de Matosinhos, hoje integrada no grupo E.T.E. - Navex

Comentar