Nota do Diretor

A edição nº 1023 da Revista de Marinha

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Já está disponível a edição nº1023 referida a setembro / outubro de 2021, como habitualmente dedicada aos temas do ambiente, ciência e tecnologia; uma palavra de destaque para o ambiente e para a sustentabilidade, cada vez mais importantes, até porque o mar é determinante na evolução das alterações climáticas e estas tudo condicionam.

A Guarda Nacional Republicana é uma prestigiada força de segurança que com assinalável sucesso tem assegurado o patrulhamento das zonas rurais e suburbanas do nosso país. Contudo, o encalhe do navio-patrulha costeiro BOJADOR, no passado dia 1 de setembro, junto à praia de Carcavelos, suscita-nos o comentário de que cada organização deverá fazer aquilo para que tem vocação. E, em nossa opinião, a GNR tem vocação para operar em terra, o que faz há muito tempo, com muita dignidade e profissionalismo.

A pandemia desorganizou as cadeias logísticas, fez aumentar os custos dos fretes marítimos e disparar o preço dos contentores. A 7 de setembro, o Baltic Dry Index estava nos 3.707 pontos, muito acima dos 1.200 pontos de novembro de 2020. Existem já sinais de acalmia, mas ainda vai demorar algum tempo até a situação normalizar.

Os navios de cruzeiro estão também a recuperar, embora com alguma lentidão; Funchal, Leixões e Lisboa já os aceitam de novo e o armador Mystic Cruises (Grupo Douro Azul) tem unidades a operar no Mediterrâneo, Báltico e nos Fiordes da Noruega; de igual modo, vai demorar algum tempo até recuperar ao nível pré-pandemia.

Uma palavra para o novo porta-aviões da Royal Navy, o QUEEN ELIZABETH II, equipado com aeronaves F-35 de origem americana, que iniciou o seu primeiro cruzeiro operacional. Depois de participar em exercícios NATO e de operar no Mediterrâneo com a força-tarefa do porta-aviões francês CHARLES DE GAULE, o navio cruza agora o Pacífico, escoltado por navios da Marinha da Austrália. Um regresso da Royal Navy ao Far East, onde a China e a Coreia do Norte fazem aumentar a tensão política.

Os porta-aviões francês Charles De Gaulle e britânico HMS QUEEN ELIZABETH em operações no Mediterrâneo nos primeiros dias de junho de 2021 (imagem Marine Nationale) - Revista de Marinha
Os porta-aviões francês Charles De Gaulle e britânico HMS QUEEN ELIZABETH em operações no Mediterrâneo nos primeiros dias de junho de 2021 (imagem Marine Nationale)

Uma palavra para o IPMA, de aplauso, que depois de um prolongado período de adaptações e reparações iniciou os cruzeiros científicos com o N.I. MÁRIO RUIVO, uma plataforma com significativas capacidades, agora à disposição da nossa comunidade científica.

Na área tecnológica registam-se iniciativas com muito potencial nas áreas da energia eólica offshore, da energia das ondas, nos veículos autónomos aéreos e submarinos e em aplicações digitais na gestão das pescas, na administração e segurança marítimas, e na logística portuária. Na biotecnologia marinha existem iniciativas de valorização dos nossos recursos com significativo potencial. Na aquacultura decorrem mais de 80 projetos, na maioria no Algarve, com investimentos da ordem dos 100 M€. A disponibilidade próxima de mais fundos europeus tem vindo a aumentar as expetativas.

A fechar, uma referência ao Campeonato Mundial de “Remo de Mar”, que se realizou em finais de setembro nas proximidades das praias de Oeiras. Em evento de muito sucesso duma muito promissora modalidade desportiva!

Henrique Alexandre Da Fonseca

Vice-almirante, licenciado em Ciências Sociais e Políticas (ISCSP, 1972/76). Presentemente, é editor e diretor da "Revista de Marinha" e das “Edições Revista de Marinha”, Presidente da Comissão Consultiva da AESE para a “Economia do Mar”, Presidente do Conselho Supremo da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confraria Marítima de Portugal. É também membro activo da Academia de Marinha, da Cofradia Europea de la Vela, Sociedade de Geografia de Lisboa.

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