Nota do Diretor

A edição nº1018 da Revista de Marinha

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Está em distribuição a edição em papel nº 1018 da Revista de Marinha. Neste número da vossa revista vamos dar uma atenção especial ao setor portuário e neste assinalaremos as interessantes dinâmicas de Leixões e da Figueira da Foz e, na República de Cabo Verde, do Porto Grande de S. Vicente. Antes, contudo, umas palavras sobre a Estratégia Nacional para o Mar 2021 – 2030 (ENM 2030), documento que esteve em discussão pública até ao passado dia 2 de novembro.

Trata-se de um bem elaborado documento, extenso e detalhado, com princípios e critérios inovadores. Apresenta 10 objetivos estratégicos, 13 áreas de intervenção prioritária e 160 medidas associadas. Gostámos do que lemos, embora se estranhe a falta de referências à Marinha Mercante e à formação dos seus profissionais; importa não esquecer que a cabotagem para os Açores e Madeira é essencial, e que tem sido assegurada por armadores portugueses. Muitas das unidades que estes operam terão de ser substituídas em breve, por terem uma idade avançada ou por inadequação tecnológica. Uma palavra de agradecimento neste âmbito ao camarada Almirante Gonçalves Cardoso que amavelmente nos facultou uma lúcida e muito completa análise deste documento.

NM BMI EXPRESS, o último porta-contentores a ser registado na cabotagem nacional, estreou a 13 de novembro no porto da Praia da Vitória, ao serviço da Mutualista Açoreana (imagem Marco Rosa do blog O Porto da Graciosa)
NM BMI EXPRESS, o último porta-contentores a ser registado na cabotagem nacional, estreou a 13 de novembro no porto da Praia da Vitória, ao serviço da Mutualista Açoreana (imagem Marco Rosa do blog O Porto da Graciosa)

Contudo … palavras, escritas ou orais, leva-as o vento. Os orçamentos continuam a não privilegiar o mar e medidas concretas e estruturantes são poucas. Aguardemos, pois … a esperança é a última a morrer.

Os portos portugueses registaram neste ano pandémico, atípico, uma queda nas cargas movimentadas, fruto da redução no comércio externo, mas têm vindo saudavelmente a recuperar. A exceção são as escalas dos navios de cruzeiro, apenas com ténues sinais de retoma no Funchal.

Tem-se realizado investimentos nas infraestruturas dos portos bem como nos acessos rodoviários e ferroviários e a JUL – Janela Única Logística faz o seu caminho. Em Viana do Castelo, Leixões, Aveiro, Figueira da Foz, Setúbal, Sines e Portimão registam-se melhorias, nalguns casos novos molhes ou cais, noutros dragagens de aprofundamento nos canais de acesso e nas bacias de manobra. Em Sines iniciaram-se os trabalhos de expansão do Terminal XXI enquanto decorre o concurso de adjudicação da concessão de um novo terminal de contentores, do Terminal VASCO DA GAMA. Saudamos, neste porto, a aprovação pelo Governo de uma nova Estratégia, de que procuraremos em breve trazer um comentário aos nossos leitores.

Projeto da expansão dos terminais de contentores do Porto de Sines (imagem Diogo Carvalheda, Ministério do Mar)
Projeto da expansão dos terminais de contentores do Porto de Sines (imagem Diogo Carvalheda, Ministério do Mar)

A vossa revista cresceu para 88 páginas, a que correspondem mais custos de impressão, e nos últimos tempos registou-se algum incremento nos portes de correio. O que nos obriga, tendo em atenção a sustentabilidade deste projeto editorial, a um ligeiro aumento das assinaturas e do preço de capa, a partir do início de 2021.

A fechar, uma palavra de muito pesar pelo falecimento no Rio de Janeiro do Prof. Eduardo Italo Pesce, nosso estimado colaborador, levado pela COVID-19; que descanse em paz!

O professor Eduardo Italo Pesce nosso distinto colaborador (imagem Poder Naval)
O professor Eduardo Italo Pesce nosso distinto colaborador (imagem Poder Naval)
Henrique Alexandre Da Fonseca

Vice-almirante, licenciado em Ciências Sociais e Políticas (ISCSP, 1972/76). Presentemente, é editor e diretor da "Revista de Marinha" e das “Edições Revista de Marinha”, Presidente da Comissão Consultiva da AESE para a “Economia do Mar”, Presidente do Conselho Supremo da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confraria Marítima de Portugal. É também membro activo da Academia de Marinha, da Cofradia Europea de la Vela, Sociedade de Geografia de Lisboa.

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