Nota do Diretor

A edição nº1022 da Revista de Marinha

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Já está disponível o número de verão deste ano onde faremos foco nos temas “Marinha de Comércio” e “Reparação & Construção Naval”, dossier novamente coordenado pelo Alm. Engº Gonçalves de Brito, a quem desde já endereçamos os nossos agradecimentos.

A pandemia, como se sabe, afetou significativamente a “Marinha de Comércio”, designadamente a gestão das tripulações, e desorganizou as cadeias logísticas. Como consequências, subiu vertiginosamente o custo dos contentores e o dos fretes. O Baltic Dry Index sobe consistentemente há um ano (3338 pontos em 1 de julho de 2021) e os estaleiros asiáticos tem as suas carteiras de encomendas cheias.

Entre nós, de assinalar a constituição da “Associação 4 Shipping”, que se propõe promover Lisboa como uma “cidade marítima”, aproveitando as oportunidades que o Brexit e a turbulência em Hong Kong trouxeram. De saudar a operação da CV Inter-ilhas, uma empresa do Grupo ETE que assegura os transportes marítimos entre ilhas em Cabo Verde e o crescimento do armador Mystic Cruises (Grupo Douro Azul), já com 4 unidades operacionais, a maioria mais pequenas e flexíveis, no “nicho de expedição” dos navios de cruzeiro.

Embora a nossa Marinha de Comércio seja residual, não é inexistente; e importa pensar na substituição de alguns dos navios que asseguram a cabotagem para os Açores e para a Madeira, que talvez até cá possam ser construídos …

Hélder Claro e Mestre Festas deixaram-nos em Maio e Março deste ano. A Revista de Marinha presta homenagem a estes dois grandes marítimos portugueses.
Hélder Claro e Mestre Festas deixaram-nos em Maio e Março deste ano. A Revista de Marinha presta homenagem a estes dois grandes marítimos portugueses.

Como já temos referido, é muito difícil disputar carga às grandes empresas internacionais; mas empresas que controlem carga, como a GALP ou as produtoras de pasta de papel poderão ter as suas firmas armadoras, como ocorreu no passado. Por outro lado, os PALOP’s poderão trazer oportunidades de constituição de empresas mistas, aproveitando legislação local que reserve carga às suas bandeiras.

Noutra vertente, a Construção Naval poderá beneficiar do famoso PRR, da “bazuca”, assim existam fundos que permitam substituir parte da frota de pesca, na sua maioria constituída por embarcações obsoletas, com limitações de segurança, poluidoras e com elevados consumos de combustível. A construção de navios de comércio não deverá ser ignorada e fazemos votos para que o programa de construção de 6 NPO’s fique por cá. A construção de patrulhas oceânicos, projeto com potencial exportador, poderá ter significativa expressão económica, muito para além do estaleiro construtor. Implicaria algum planeamento, mas sabemos que num navio há de quase tudo, de mobiliário a cabos elétricos e de louças e cutelaria a tintas. E não deverá ser esquecida a náutica de recreio, com numerosas oportunidades de “nicho” na vela, no remo e no motor; mas como se diz … grão a grão enche a galinha o papo.

A fechar, uma palavra para dois marinheiros que partiram, para o Mestre José Festas e para o Senhor Hélder Claro. Que descansem em paz e que o seu legado traga frutos!

Henrique Alexandre Da Fonseca

Vice-almirante, licenciado em Ciências Sociais e Políticas (ISCSP, 1972/76). Presentemente, é editor e diretor da "Revista de Marinha" e das “Edições Revista de Marinha”, Presidente da Comissão Consultiva da AESE para a “Economia do Mar”, Presidente do Conselho Supremo da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confraria Marítima de Portugal. É também membro activo da Academia de Marinha, da Cofradia Europea de la Vela, Sociedade de Geografia de Lisboa.

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