Portos

A Fragata L’HERMIONE, vem a Portimão

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A réplica da fragata francesa à vela do século XVIII vai visitar Portimão entre os dias 8 e 10 de maio de 2018 (terça a quinta-feira).

A escala em Portimão da fragata francesa L’HERMIONE resultou duma iniciativa da Union des Français à l’Etranger (UFE – Algarve) e da Câmara Municipal de Portimão. A visita será engrandecida com espetáculos de música e animação, jantares temáticos a bordo, exposições e duas conferências, uma sobre a francofonia e outra sobre História, a decorrerem durante os três dias que a fragata estiver atracada.

Foram convidados para o evento a Presidência da República Portuguesa, a Marinha Portuguesa e Francesa, as Embaixadas Francesas e dos E.U.A. Com o apoio do município de Portimão e dos municípios vizinhos de Lagoa, Faro, Loulé, Olhão, Silves, Lagos, entre outros, estão reunidas todas as condições para apresentar um evento memorável.

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A L’HERMIONE na sua primeira saída em provas no mar, em setembro de 2014.

A escala em Portimão insere-se no cruzeiro «Voyage Hermione 2018 – Libres ensemble de l’Atlantique à la Méditerranée» de quatro meses e meio,  que se iniciou em fevereiro passado em La Rochelle (França) e inclui paragens em Tânger (Marrocos), Barcelona (Espanha), Sète (França), Toulon (França), Marselha (França), Port Vendres (França), Bastia (França), Portimão (Portugal), Pasaia (Espanha), terminando a 16 de Junho, em Bordéus (França).

A L’HERMIONE de 1778

Juntamente com a COURAGEUSE, a CONCORDE e a FADA, a L’HERMIONE fazia parte de uma série de quatro fragatas com três mastros. Eram conhecidas como fragatas de 12, pelos seus canhões de 12 libras, ou fragatas de 32, pelo número de canhões que armavam. A L’HERMIONE, foi construída numa carreira de construção perto da Corderie Royale, em Rochefort, sobre os planos do engenheiro Chevillard Aîné,

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Rochefort no início do séc. XVIII, vendo-se à direita parte dos edifícios da Corderie Royale. Pormenor do quadro a óleo de Joseph Vernet, Museu Marítimo de Toulon

L’HERMIONE ficou conhecida como a “Fragata da Liberdade” por, em 1780, ter transportado a bordo o aristocrata Marie-Joseph Paul Yves Roch Gilbert du Motier, o “Herói dos dois Mundos”, mais conhecido por Marquês de Lafayette, na sua segunda viagem, em direção à América do Norte, em apoio aos revolucionários liderados por George Washington.

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O Marquês de La Fayette em 1792. Pormenor do quadro a óleo de Joseph Désiré Court, Palácio de Versailles.

A L’HERMIONE de 2014

A réplica da L’HERMIONE resultou dum sonho dum grupo de franceses e norte-americanos, liderados Erik Orsenna e Benedict Donnelly, que se uniram em 1991 na Associação Hermione-Lafayette.

Os planos originais da L’HERMIONE perderam-se, mas os da CONCORDE sobreviveram até aos nossos dias e foram fundamentais para a construção da réplica. A intenção da Associação era produzir uma réplica o mais fiel possível, nomeadamente com a utilização quase exclusiva de madeira de carvalho. Mas enquanto em 1778 os carpinteiros de Rochefort demoraram seis meses para construir a L’HERMIONE, no século XXI foram necessários mais de dezassete anos, decorridos desde o assentamento da quilha na doca, no dia 4 de julho de 1997, e a emissão do “Certificado Nacional de Linhas de Carga”, pelo Bureau Veritas, e do “Certificado de Navegabilidade”, pela Direção dos Assuntos Marítimos, em Março de 2015.

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A L’HERMIONE em construção, em 2006 (foto ByB, wikimedia)
Devido à proibição de manobrar à vela dentro dos portos, o navio foi equipado com dois propulsores elétricos azimutais, alimentados por dois geradores de 300 e 400 kW, respetivamente. Um grupo auxiliar de 80 kW alimenta a iluminação elétrica, equipamentos de cozinha, oito arcas frigoríficas, a lavandaria, o sistema de climatização com ventilação forçada, todos os modernos equipamentos de navegação (giroscópio) ECDIS, GPS, sonda, radar, comunicações por satélite e VHF, e uma bateria de computadores; todas elas alterações indispensáveis, não só para a segurança da navegação e o conforto da guarnição, mas, principalmente, para que o navio pudesse ser segurado. A motorização de equipamentos essenciais, que à época eram manuais, como por exemplo, os cabrestantes, para manobra dos ferros e das amarras, e as bombas de esgoto, entre outras alterações, mas também o facto dos canhões não serem operacionais, nem este navio necessitar de artilheiros, permitiram reduzir a guarnição dos 200 homens, no séc. XVIII, para os 80 atuais.

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Um dos propulsores azimutais (foto Bloody-libu wikimedia)

A fragata é comandada por Yann Cariou, um marinheiro muito experimentado, ex-comandante da barca francesa BELÉM e oficial superior reformado da Marinha Francesa (Marine Nationale). A sua guarnição é constituída por 14 profissionais, dos quais 5 oficiais, 3 sub-oficiais, 6 marinheiros profissionais, 3 supra-numerários (donde um chefe-cozinheiro, um dispenseiro e um relações públicas) e 54 marinheiros voluntários, oriundos dos países da francofonia.

A bandeira tricolor gigante que leva içada na carangueja, é das mesmas dimensões da do porta-aviões Charles de Gaulle e foi uma oferta da Marine Nationale.

A L’HERMIONE tem um comprimento de 44,20m, uma boca 11,55m, um deslocamento de 1082 toneladas e está armada com 32 canhões.

A Revista de Marinha regozija-se com a estadia da fragata L’HERMIONE em Portugal e faz votos do maior sucesso para todos os envolvidos neste projeto, desejando sempre bons ventos e mares de feição a um dos navios mais bonitos do Mundo.

Nota: Em termos de comparação, refira-se que a fragata “D. FERNANDO II”, de 1845, era um navio mais possante, com comprimento de 86,75m, boca 12,8m, deslocamento de 1850 toneladas e 50 canhões.