Marinha de Guerra

A pintura da fragata HMCS REGINA

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Uma novidade nos estaleiros da Marinha do Canadá no Pacífico.

No mês de setembro de 2019, nos estaleiros da Fleet Maintenance Facility Cape Breton, causou curiosidade entre militares e civis o novo esquema de pintura que estava a ser aplicado na fragata canadiana HMCS[1] REGINA.

No cais, o jovem engenheiro construtor naval John Croker olhava pela concretização do seu projeto, enquanto vários homens aplicavam tintas, nas cores azul e negra, no costado duma fragata que nunca tinha visto outra cor que não fosse o cinzento.

A HMCS REGINA no dia 22 setembro de 2019, no cais da FMF Cape Breton, vendo-se a aplicação da pintura ainda incompleta (imagem Roger Litwiller)
A HMCS REGINA no dia 22 setembro de 2019, no cais da FMF Cape Breton, vendo-se a aplicação da pintura ainda incompleta (imagem Roger Litwiller)
O Eng. John Crocker observa o resultado do seu projeto (imagem RCN)
O Eng. John Crocker observa o resultado do seu projeto (imagem RCN)

A fragata HMCS REGINA é uma das 12 fragatas da classe HALIFAX. São navios com alguma imponência. Com 134m de comprimento (mais 19 que as nossas VASCO DA GAMA), 16,4m de boca e 4,9m de calado, deslocam 4.770 tons (mais 1.470 tons que as VASCO DA GAMA).

Comemorar uma efeméride com projeção mundial

Numa época em que os navios de guerra de todo o mundo se apresentam com uma pintura monótona, onde a única variante é o tom da cor cinza, mais claro nuns, mais escuro noutros, mais azul nuns e mais verde noutros, ver um navio fugir desse padrão é sempre motivo de conversa, senão mesmo de muitas fotografias.

As cores contrastantes cinza, preto e azul, com linhas, ora curvas e harmoniosas, ora retas e quebradas, com que a fragata foi decorada, não significam uma alteração abrupta dos esquemas de pintura da Royal Canadian Navy – Marine Royale Canadienne, mas apenas evocam uma efeméride, o 75º aniversário da Batalha do Atlântico que terminou em maio de 1945.

HMCS OTTAWA II durante a segunda Guerra Mundial, decorada com o esquema de pintura do Almirantado. (imagem RCN)
HMCS OTTAWA II durante a segunda Guerra Mundial, decorada com o esquema de pintura do Almirantado. (imagem RCN)
Uma lindíssima imagem ao crepúsculo da HMCS REGINA (imagem Paul Rioux)
Uma lindíssima imagem ao crepúsculo da HMCS REGINA (imagem Paul Rioux)

O projeto do esquema de pintura

A Batalha do Atlântico foi a mais longa batalha da Segunda Guerra Mundial, opondo os navios aliados que transportavam homens e material do continente norte-americano para a Europa às alcateias de submarinos alemães, que tentavam impor o bloqueio. No ano de 2020, comemoraram-se os 75 anos do final dessa batalha e a Marinha do Canadá, que participou ativamente, tendo sofrido inúmeras baixas, quis assinalar a efeméride.

HMCS REGINA numa interessante perspetiva de proa, fazendo fogo com a peça Bofors de 57mm (imagem RCN)
HMCS REGINA numa interessante perspetiva de proa, fazendo fogo com a peça Bofors de 57mm (imagem RCN)

Nessa época, em que o radar dava os primeiros passos, o cálculo da análise de movimento do alvo (Target Motion Analysis), que permitia obter uma solução de tiro para os torpedos lançados pelos submarinos, era feito com base na imagem visual dos navios obtida através do periscópio. Ao longe, os costados pintados com cores contrastantes e linhas oblíquas, como o da fragata HMCS OTTAWA, as denominadas camuflagens dazzle ou ofuscantes, induziam erros na estima do rumo, velocidade e distância, impedindo, atrasando ou induzindo grandes erros na solução de tiro. E foi com base no esquema de camuflagem utilizado pelo HMCS OTTAWA durante da Segunda Guerra Mundial, que John Crocker se inspirou para o novo visual da HMCS REGINA.

O patrulhão MONCTON

A fragata REGINA está destacada na esquadra canadiana do Pacífico ou CANFLTPAC (Canadian Fleet Pacific). Mas se a REGINA navega no Oceano Pacífico, quem iria comemorar a Batalha do Atlântico no próprio Atlântico? Esse papel coube ao Navio de Defesa Costeira HMCS MONCTON, um dos doze patrulhões da classe KINGSTON. Estes navios, construídos entre dezembro de 1994 e julho de 1998, têm um comprimento de 55,3m, boca de 11,3m e calam 3,4m. Deslocam 950tons e são utilizados principalmente nas funções de patrulha e fiscalização.

O HMCS MONCTON a deixar Halifax sob forte nevão, no passado dia 21 de janeiro, para tomar parte na operação multinacional CARIBE, de combate ao tráfico de droga. (imagem RCN)
O HMCS MONCTON a deixar Halifax sob forte nevão, no passado dia 21 de janeiro, para tomar parte na operação multinacional CARIBE, de combate ao tráfico de droga. (imagem RCN)

Com esta ideia de comemorar a Batalha do Atlântico dando um visual diferente a dois dos seus navios, a Marinha do Canadá conseguiu dois importantes objetivos: o primeiro, foi tornar a evocação dum importante facto histórico notada por muito mais gente; e o segundo, que a própria Marinha fosse falada em notícias por todo o Mundo.

Veja aqui o vídeo que conta a estória da pintura da HMCS REGINA e a comemoração dos 75 anos do fim da Batalha do Atlântico. 

 

E o leitor, que pensa desta ideia? O que lhe parece a aplicação de pinturas diferentes nos navios de guerra por ocasião da celebração de efemérides?

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[1] Her Majesty’s Canadian Ship (Navio Canadiano de Sua Majestade)

João Gonçalves

Oficial da Armada. Especializou-se em submarinos, onde navegou durante seis anos nos navios da classe ALBACORA. Esteve colocado cerca de sete anos como Capitão do Porto nos Açores. Escreveu para a Revista da Armada e em 1997 ganhou o prémio de melhor colaborador. Está na Revista de Marinha desde 2016 e é diretor-adjunto desde janeiro de 2018.

5 Comentários

  1. Schieder Da Silva Responder

    No meu tempo de marinha ainda nao haviam leis sobre o consumo de alcool nos navios nem nas estradas,hoje hä nas estradas e espero tambem que nas marinhas.
    Embarquei em 88 em um cargueiro alemao e ambos os oficiais (ambos alemaes)era alcoolicos,o que nos trouxe grandes problemas de segurança,porque o capitwo que estava de serviço ä ponte ligou o piloto automatico e foi dormir,por sorte eu que era o cozinheiro e tinha a liberdade de ir ä ponte para lhe levar ägua quente para o cafè,vi que a ponte estava sem ninguèm e com a mäquina a toda a força avante.
    Acredito que grande parte dos acidentes maritimos sao provocados por consumo de alcool.

  2. Schieder Da Silva Responder

    Os navios que estao em missao de paz,visitas a paìses e afins podiam ter cor diferentes,os navios que teem missoes de guerra,de patrulhamento,manobras da NATO e afins que tenham as cores abituais.
    A diversidade deve de ser patente atè nas fardas,para dar um ar de liberdade a quem olha para uma marinha de guerra,e da sua capacidade em se diversificar em caso de necessidade.
    Desta forma os cìvis terao mais respeito e orgulho nas suas marinhas de guerra.

  3. Schieder Da Silva Responder

    Se o nosso navio se chama-se CR7 e estivessemos em guerra com um paìs estrangeiro,o comandante desse ordem para afundar o CR7 e o artilheiro e parte da tripulaçao fossem fans do CR7 eles nao teriam coragem de o fazer,isto parece uma brincadeira,mas vou dar um exemplo ao conträrio; o comandante dä ordem para afundar o Trump,acho que o artilheiro se ia encher de coragem e de raiva e executar a ordem de imediato.
    Os nomes e as cores das coisas,neste caso dos navios de guerra tem um efeito enorme.
    Mesmo muitos anos antes de Cristo isto funcionou como tatica de guerra,ou como forma de serem poupados pelo inimigo.
    Puxo agora dos meus galoes,tenho muito titulos que nao vou mencionar todos,apenas um .
    Tenho dois livros escritos em alemao,nao publicados (ainda nao )

  4. Schieder Da Silva Responder

    Comprar um navio novo e por o nome do CR7 e outro com a seleçao ganhadora do campeonato europeu de futebol e outro como o nome do Èder,pois foi ele que marcou o golo que deu a vitöria a Portugal!
    Estes navios podem ser pintados por artistas de diversos estilos,seriam por assim dizer os navios da marinha diplomatica,que podiam amenizar a tensao entre os beligerantes,em vez de mandar uns navios muito feios e ameacadores de cor cinzenta,podem crer que funciona,porque nem sö de guerra vive o homem,pois è parece comico,mas no passado a guerra era um passatempo,agora ser turista è que esta na moda.
    Ao autor do artigo:Seis anos em um submarino,respeito muito grande por quem anda e andou no mar,porque eu estou desde fevereiro na reforma e ninguèm me apanha mais a fazer coisas dessas,sö como turista em um navio de cruzeiro!

  5. Schieder Da Silva Responder

    Guerras como tivemos no passado nao vao de certeza mais acontecer,porque?porque a Histöria nao se repete!
    E porque è que a Historia se repete?porque a Criaçao do Universo estä baseada na diversidade!
    Diversidade de coisas,de todas as coisas,mesmo de marinhas,mesmo de guerras,mesmo de Guerras Mundiais,è verdade que as nossas guerras sao agora outras e como os contribuintes è que pagam os navios,entao estes que sejam lindos,agradäveis ä vista,onde possam ser visitados pelos contribuintes,que cada marinha adote uma cor e que por esta seja conhecida.
    Sobre estas condiçoes a agresividade das pessoas no seu todo baixarä e teremos longos tempos de paz.
    Embora a guerra e paz sejam os dois fatores que mais contribuem para o crescimento das inteligencias,a paz è muito mais duradoira do que o tempo de guerra,e acredito que teremos outro tipo de guerras pela frente,outras guerras nao sejam o de se andar aos tiros uns aos outros,ou a deitar navios de guerra ao fundo,ess tipo de guerra tem estä ultrapassado,devido ä diversidade de coisas,logo nao podia haver guerras de marinhas como tivemos no passado.
    E dar liberdade ä imaginaçao e pintar alguns navios com cores neutras que nao a habitual cinzenta.

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