Náutica de Recreio

A Náutica adapta-se aos tempos que vivemos

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Vivemos tempos sem precedentes à escala global em que todos, de uma forma ou outra, da Ásia aos Estados Unidos da América passando pela Europa, a África e a América do Sul, vimos as nossas vidas profundamente alteradas, cujas consequências futuras temos dificuldades em antecipar neste momento.

A Declaração do Estado de Emergência que teve lugar no passado dia 16 de Março, na sequência da pandemia da COVID-19,  alterou irremediavelmente a vida de todos os portugueses de um dia para o outro, numa decisão sem precedentes, em todos passámos a ficar obrigatoriamente confinados nas nossas casas, sem podermos trabalhar, ou ir para o mar, como tanto prezam os homens da náutica. Perante uma situação tão inesperada quanto gravosa, um grupo de 6 amigos ligados à Vela começou a idealizar formas de manter esta comunidade viva, aproveitando a sua experiência na gestão, organização e participação em grandes eventos náuticos, em Portugal e no estrangeiro, e juntou esforços para organizar regatas virtuais durante o confinamento, num exemplo de inovação e de capacidade de adaptação da Náutica aos tempos de pandemia.

A largada (imagem Luís Veríssimo)
A largada (imagem Luís Veríssimo)

Tudo começou com a primeira regata que contou com a participação de cerca de trinta participantes, os quais desafiaram a organização a continuar. Assim chegou-se à 9ª J Boats Portugal VR Series que contou com cerca de 400 participantes divididos entre as Qualificações Regionais e de Clubes. Como sempre, as finais decorreram de sexta a domingo. Para além dos velejadores portugueses há também a registar a participação de espanhóis, italianos e argentinos, que muito enalteceram a organização portuguesa do evento. Neste processo o maior apoio veio da Federação Portuguesa de Vela, que de uma forma clara e inequívoca apoiou a iniciativa e outorgou-lhe a sua chancela a partir da 3ª regata. Não menos importante foi também o apoio de muitas empresas de diferentes sectores da atividade económica que aceitaram contribuir com prémios para os primeiros cinco classificados de cada regata.

A J Boats Portugal VR Series tem o apoio da Federação Portuguesa de Vela (imagem Luís Veríssimo)
A J Boats Portugal VR Series tem o apoio da Federação Portuguesa de Vela (imagem Luís Veríssimo)

De fora de Portugal chegou uma excelente e frutuosa parceria com a eSailingTV, empresa dinamarquesa que faz a transmissão de eventos de Vela Virtual a nível mundial e com quem neste momento a organização portuguesa está já a preparar eventos para empresas estrangeiras, existindo propostas para a realização de regatas virtuais associadas a alguma das mais importantes competições reais, para além de campeonatos nacionais, europeus e mundiais.

Em Portugal vão continuar a ser organizadas regatas periodicamente para alimentar o ranking nacional, embora não de uma forma tão intensa como aconteceu nos meses de março, abril e até meados de maio, mas com regularidade, uma vez que a Vela Virtual veio claramente para ficar.

Rondando a boia (imagem Luís Veríssimo)
Rondando a boia (imagem Luís Veríssimo)

Uma das particularidades das regatas virtuais é que são abertas a todos, não havendo restrições de género, idade e capacidade física, nem custos de inscrição associados, o que tem levado a que cada semana mais pessoas participem nestas competições.

É já hoje do domínio público que a World Sailing e o Comité Olímpico Internacional estão a olhar com muito interesse para esta variante da Vela tradicional, havendo velejadores portugueses capazes de lutar por medalhas em qualquer campo de regatas “virtual”.

Na parte que lhe diz respeito a Revista de Marinha estará disponível para o devido realce às iniciativas de Vela Virtual como forma de popularizar e democratização da modalidade entre nós.

Eduardo Almeida Faria

Licenciado em gestão, tem uma larga experiência no associativismo desportivo, é especialista no tema da Náutica de Recreio, tendo feito parte do Conselho Nacional da Náutica de Recreio e, no âmbito do Fórum Oceano, integrado o Grupo Dinamizador do Portugal Náutico. É autor da obra “Náutica de Recreio em Portugal – Um pilar do Desenvolvimento Local e da Economia do Mar” e de inúmeros artigos e noticias na Revista de Marinha e no Jornal da Economia do Mar. Como desportista náutico tem muitas milhas percorridas pela costa portuguesa e pelo Mediterrâneo em veleiros de cruzeiro, quer em lazer, quer em regata.

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