Náutica de Recreio

A Parceria entre a NELO e a MELGES

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A Criação de um Pólo Tecnológico de Desenvolvimento de Náutica de Recreio – O Papel da Câmara Municipal de Viana do Castelo

Na sequência do recente anúncio público do estabelecimento de uma parceria entre a NELO, líder mundial no fabrico de kayaks e canoas sedeado em Vila do Conde, e a MELGES, fabricante norte-americano de embarcações de Competição à Vela, a Revista de Marinha visitou as instalações desta empresa no início de maio.

E em boa hora o fizemos.

Pelo que vimos e ouvimos não temos dúvidas em afirmar que estamos perante o embrião de uma Indústria Nacional de Náutica de Recreio tecnologicamente evoluída, economicamente sustentada, com um forte pendor exportador, geradora de emprego e com assinalável impacto socioeconómico para a região.

Neste momento, a NELO conta com 150 colaboradores altamente especializados, devendo a breve trecho atingir os 200.

Durante a visita efetuada não há como ocultar que formos de surpresa em surpresa. A NELO é uma empresa portuguesa cujo nome há muito ultrapassou as fronteiras do território nacional, porém, temos que o confessar, não estávamos preparados para o que nos foi dado observar.

A primeira agradável surpresa com que nos deparámos foi com a qualidade das instalações que a NELO ocupa desde setembro de 2017. Instalações modernas, muito bem localizadas, com um design exterior moderno e arrojado, um layout funcional onde pontifica uma moderna linha de produção distribuída ao longo de uma nave industrial de 15.000 m2 com um pé direito de 20 metros.

Impressionante foi a primeira palavra que nos ocorreu para descrever o que estava perante os nossos olhos.

Ao olhar atento de um qualquer visitante não escapa o visual amplo, aberto e arejado da receção, espaço onde complementarmente irá surgir o futuro Museu da NELO, bem como a limpeza quase imaculada da nave industrial, onde são fabricados os kayaks e as canoas da mais apurada conceção e construção, core business da empresa.

No decurso da nossa visita tivemos também oportunidade de observar em primeira mão a preocupação do Senhor Manuel Ramos (Nelo) com a inovação constante dos seus produtos, certamente uma das razões do sucesso que alcançou a nível mundial.

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O empresário Manuel Ramos, fundador da NELO.

Uma parceria que contempla uma estratégia mais vasta destinada a fabricar nas instalações da NELO embarcações à Vela tecnologicamente evoluídas e com um forte pendor exportador

Mas o principal enfoque da nossa visita prendia-se em perceber a importância da parceria estabelecida pela NELO com a MELGES no quadro da diversificação da atividade da empresa. E aqui mais uma agradável surpresa.

Convém reter que a empresa detém uma quota de quase 80% do mercado mundial da canoagem, posição que é dificilmente sustentável a longo prazo. Por outro lado, a empresa é reconhecidamente uma especialista na utilização de materiais compósitos no fabrico dos seus produtos, conjunto de razões que estão na base da aposta na diversificação da sua atividade e na escolha da MELGES para seu parceiro no fabrico das suas embarcações na Europa.

Dito isto, é, assim, mais facilmente se entende que a parceria agora estabelecida com a MELGES é apenas, como nos foi afirmado, uma parte de uma estratégia mais vasta destinada a fabricar nas instalações da NELO embarcações à Vela tecnologicamente evoluídas e com um forte pendor exportador.

Atente-se que a própria empresa norte-americana tem um vasto portfolio de embarcações de competição à Vela que vai desde o MELGES 14, presentemente já em produção na NELO, tendo sido já entregues as primeiras 10 unidades, até ao Melges 40, cuja construção em Portugal é um objetivo a prazo da empresa (Vide https://www.melges.com/).

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Um dos primeiros Melges14 fabricados, frente às instalações da NELO (foto NELO)

Para além disso, outros projetos estão também em fase adiantada de concretização, caso da construção de um catamaran em fibra de carbono com foils, sob a designação comercial de HIGHFLY, de conceção e desenho italianos, no que é verdadeiramente o State of the Art deste tipo de embarcações a nível mundial e cuja exportação já foi iniciada pela empresa.

A NELO também aposta na fabricação de OPTIMIST, embarcações de iniciação dirigidas aos mais jovens.

“Last, but not the least” a empresa tem também em construção um racer-cruiser à Vela de 10 metros de comprimento, cuja conceção e construção são inteiramente in-house, ombreando com o que de melhor se faz por esse mundo fora em estaleiros de grande nomeada e tradição.

Prevê-se que esta embarcação possa iniciar os testes de mar ainda este ano, devendo a sua produção industrial iniciar-se em 2019. Embora o segmento das embarcações cruzeiro à Vela seja um segmento altamente competitivo a nível mundial, tanto em qualidade como em preço, estamos certos, pelo que nos foi dado ver, de que este produto tem todas as condições para merecer a preferência dos seus clientes e impor-se no mercado como um produto líder.

Ou seja, de tudo o que é referido fica-nos uma certeza: ESTÁ EM GESTAÇÃO NO NORTE DE PORTUGAL O EMBRIÃO DE UMA FUTURA INDÚSTRIA NACIONAL DE NÁUTICA DE RECREIO PUJANTE E ROBUSTA COM FORTE PENDOR EXPORTADOR.

Contudo, mesmo que sumariamente, não nos podemos furtar a referir a Base de Testes da Nelo em Viana do Castelo, a qual resulta de uma Parceria de Colaboração Estratégica estabelecida recentemente com a autarquia liderada pelo Eng. José Maria Costa.

Com efeito, a NELO irá usar o Centro de Vela, construído em 2010 pela autarquia no quadro mais geral da Criação do Centro de Mar de Viana do Castelo, como Base de Testes e de Treino de todas as embarcações à Vela que vierem a ser fabricadas pela empresa, no quadro de uma política de qualidade destinada a garantir a maior fiabilidade possível aos clientes que optarem pelos seus produtos.

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O Melges14 em testes no Centro de Vela de Viana do Castelo, Base de Testes da NELO (foto NELO)

Este Centro de Treino, conforme referido pela autarquia numa nota distribuída à imprensa, “… integra a política municipal de tornar Viana do Castelo numa Cidade Náutica, assente no projeto de Centro de Mar que que está a ser implementado desde 2010 enquanto âncora do Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar e assume-se como uma aposta, de entre o conjunto de operações que o constituem, no desenvolvimento da náutica de recreio e dos desportos náuticos enquanto componentes relevantes para o reforço da posição de Viana do Castelo como uma Cidade Náutica do Atlântico”.

Este Centro de Vela, situado na Foz do Rio Lima, é, assim, visto pela NELO como o local ideal para instalar a sua Base de Testes e de Treino e é fruto de diversas sinergias de cooperação geradas pelo Município de Viana do Castelo em que pontificam a VianaSailing e o Clube de Vela de Viana do Castelo, para além da própria NELO.

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O moderno Centro de Vela de Viana do Castelo, cujo projeto, é da autoria do arquiteto vianense Tiago Castro (foto CMVC)

À VianaSailing caberá realizar os testes das embarcações a fabricar pela NELO com vista à otimização e melhoria das embarcações que vierem a ser produzidos pela empresa nas suas instalações de Vila do Conde.

Como referiu a Ministra do Mar no recente ato da assinatura do Protocolo que permitiu à NELO estabelecer a sua Base de Testes no Centro de Vela “O facto da empresa testar as suas novas embarcações em Portugal quer dizer que não só disponibiliza a possibilidade da sua utilização, mas também a possibilidade de atrair para Viana do Castelo atletas de alta competição e, por essa via, tornarmos Portugal mais conhecido no mundo do desporto náutico”

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A Ministra do Mar, Engª. Ana Paula Vitorino, discursa na cerimónia da assinatura do Protocolo de Colaboração Estratégica a 11 de Abril de 2018 entre a CMVC e a NELO (foto CMVC)

Muito ficou por dizer relativamente ao que vimos e ouvimos na nossa deslocação a Vila do Conde e a Viana do Castelo, mas fica a promessa de voltarmos a esta temática nos próximos números para mantermos informados os nossos leitores.

Por parte da Revista de Marinha fica desde já a disponibilidade para em estreita colaboração com os parceiros envolvidos darmos a maior visibilidade possível aos projetos de Vela da NELO, os quais se nos afiguram estruturantes para a criação de uma Indústria Nacional de Náutica de Recreio pujante e robusta centrada no norte de Portugal.

Pelo que vimos e ouvimos durante a nossa visita estamos certos que assim será.

Licenciado em gestão, tem uma larga experiência no associativismo desportivo, é especialista no tema da Náutica de Recreio, tendo feito parte do Conselho Nacional da Náutica de Recreio e, no âmbito do Fórum Oceano, integrado o Grupo Dinamizador do Portugal Náutico. É autor da obra “Náutica de Recreio em Portugal – Um pilar do Desenvolvimento Local e da Economia do Mar” e de inúmeros artigos e noticias na Revista de Marinha e no Jornal da Economia do Mar. É membro da Confraria Marítima de Portugal. Como desportista náutico tem muitas milhas percorridas pela costa portuguesa e pelo Mediterrâneo em veleiros de cruzeiro, quer em lazer, quer em regata.