Ciência e Tecnologia

A tartaruga “Gama” continua a sua longa viagem

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A caminho de Puerto Rico

No passado dia 5 de março, o Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM), em Aveiro, recebeu mais um sinal do transmissor fixo na carapaça da “Gama”. Os dados revelaram que o réptil se encontrava a 1.600 mn (milhas náuticas) a Leste de Porto Rico, seguindo um rumo na direção da montanha submarina Yakutat.

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Rota percorrida pela tartaruga “Gama” entre os dias 2 de novembro de 2017 e 5 de março de 2018. (imagem CRAM)

A “Gama” é uma tartaruga-comum da espécie caretta caretta, que tinha sido recolhida e entregue ao Aquário “Vasco da Gama” em 1997. Foi devolvida ao mar em Aveiro, a cerca de 8mn da costa, no passado dia 2 de novembro de 2017, com o apoio da Polícia Marítima.

Antes de ter sido devolvida ao mar, o CRAM avaliou o estado de saúde e a capacidade do animal de se adaptar ao seu habitat natural, para haver a garantia de que estaria apto para sobreviver sozinho. Não obstante, os 20 anos de cativeiro eram causa de naturais apreensões por parte dos biólogos do CRAM.

Nesse processo, a “Gama” passou do Aquário para as instalações do CRAM, onde foi observado o seu comportamento na presença de vários itens alimentares, incluindo presas vivas, única forma de avaliar se ela tinha capacidade de comer em liberdade.

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A “Gama”, no dia 2 de Novembro de 2017, já “equipada” com o transmissor satélite que permite a sua monitorização.

A “Gama” vai “equipada” com um transmissor satélite de monitorização, que permite verificar o sucesso da devolução do animal à natureza e também perceber qual o uso que as tartarugas fazem das águas portuguesas, bem como as rotas de migração.

As baterias do equipamento transmissor de satélite estão previstas durar 15 meses, pelo que os dados deverão continuar a chegar ao CRAM, duas vezes por semana até janeiro de 2019.

O CRAM publicou recentemente uma imagem comparando as rotas da “Gama” e da “Hipócrates”, outra tartaruga da mesma espécie, devolvida ao mar a 16 de novembro de 2010. O transmissor da “Hipócrates” funcionou durante 162 dias, permitindo registar a sua rota durante 1.521 mn. Apesar das duas tartarugas terem sido devolvidas em locais distintos (a Hipócrates no Algarve e a Gama em Aveiro) ambas convergiram para a mesma zona efetuando uma deslocação por águas a norte do Arquipélago dos Açores.

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Comparação das rotas percorridas pelas tartarugas “Hipócrates (amarelo) e “Gama” (laranja). (imagem CRAM)

Com 1.835 mn já percorridas, a Gama tornou-se a tartaruga-comum reabilitada e libertada pelo CRAM-ECOMARE, que maior distância percorreu após libertação. É também a mais veloz, com uma velocidade média de 0,7 nós.

O CRAM já seguiu 19 tartarugas cujos registos, para além das rotas transatlânticas, como as da “Hipócrates” e da “Gama”, também mostram rotas em direção ao Mediterrâneo e rotas para sul rumo a Cabo Verde.

Em funcionamento desde agosto de 2016 no concelho de Ílhavo, o Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM), localizado no ECOMARE – Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos da Universidade de Aveiro, é o maior centro de resgate e salvamento de animais marinhos da Europa. O Centro, da Universidade de Aveiro, conta com o apoio da Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem (SPVS) e do Oceanário de Lisboa.

O CRAM-ECOMARE conta com uma equipa multidisciplinar, envolvendo médicos e enfermeiros veterinários, voluntários e biólogos, que intervém 24h por dia, ao longo de 300km da costa norte e centro do país. O tratamento dos animais envolve cuidados veterinários especiais e instalações de excelência apropriadas para as diferentes espécies. Tem capacidade para receber anualmente cerca de 1000 animais marinhos, entre aves, mamíferos e tartarugas.

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As instalações do ECOMARE, em Ílhavo. (imagem Oceanário de Lisboa)

Todos os anos, centenas de animais marinhos são encontrados feridos ou doentes ao longo da costa, muitos são vítimas dos comportamentos imponderados do ser humano no mar. Capturados acidentalmente durante a pesca, emaranhados em redes ou fios, intoxicados com plástico, aves, mamíferos e répteis são resgatadas pelo ECOMARE, reabilitados e, assim que recuperados, devolvidos à natureza.

O resgate e reabilitação dos animais marinhos é um dever de todos

O resgate e reabilitação dos animais marinhos é um dever de todos, num esforço ímpar de integrar o crescente desenvolvimento económico associado ao mar, com políticas e ações que contribuam para uma diminuição dos impactos humanos e garantir a conservação de espécies emblemáticas e cruciais para a saúde do meio marinho.

O objetivo da reabilitação destes animais marinhos passa por devolvê-los à natureza o mais rapidamente possível, assegurando durante o processo o seu tratamento e bem-estar. Este projeto valoriza ainda o conhecimento científico marinho e visa consciencializar a população para a necessidade de diminuir o impacto individual que compromete a conservação dos oceanos.

(fonte: CRAM, AMN, Jornal de Notícias, Oceanário de Lisboa)

1 Comentário

  1. Artur Manuel Pires Responder

    Muito interessante o artigo sobre a Tartaruga Gama. Outras notícias sobre a Gama, e o seu acompanhamento, serão bem vindas.