Marinha de Guerra

Alguns de vós não fazem a mínima ideia…

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Àqueles que dizem:

Porque estão preocupados? É apenas um barco.

Vocês nunca vão entender o que é fazer parte dum navio.

Nunca vão saber o que é dar anos das nossas vidas a algo assim, dia a dia, todos os dias. Nunca vão compreender os laços que se criam, as lições e as experiências vividas. Nunca vão saber do sangue, do suor e, literalmente, das lágrimas vertidas por nós, Marinheiros, em algo que para vós é “apenas um barco”.

Muitos de nós já passámos mais de 5 anos embarcados. Imaginem tudo aquilo que fizeram em 5 anos do vosso emprego, multpliquem por 100 e podem ter uma ideia aproximada daquilo que nós fazemos.

É verdade que por vezes, também nos queixamos do nosso navio, mas ele é parte das nossas vidas.

(mensagem dum tripulante do USS BONHOMME RICHARD nas redes sociais)

Membros da guarnição do navio perfilam-se em sinal de respeito durante o hastear da bandeira, ao mesmo tempo que decorrem as operações de combate ao incêndio (imagem US Navy)
Membros da guarnição do navio perfilam-se em sinal de respeito durante o hastear da bandeira, ao mesmo tempo que decorrem as operações de combate ao incêndio (imagem US Navy)
Tripulantes dum helicóptero naval SH-60 Seahawk, empregue no combate ao incendio observam o estado de destruição das superestruturas e do convés de voo do USS BONHOMME RICHARD LHD-6 (imagem US Navy)
Tripulantes dum helicóptero naval SH-60 Seahawk, empregue no combate ao incêndio, observam o estado de destruição das superestruturas e do convés de voo do USS BONHOMME RICHARD LHD-6 (imagem US Navy)
Um helicóptero naval SH-60 Seahawk, da esquadrilha HCS-3 despeja água sobre o incêndio no USS BONHOMME RICHARD LHD-6. Nos últimos dias já foram despejados mais de 1.500 baldes de água sobre o navio (imagem US Navy)
Um helicóptero naval MH-60S Seahawk, da esquadrilha HCS-3 despeja água sobre o incêndio no USS BONHOMME RICHARD LHD-6. Nos últimos dias já foram despejados mais de 1.500 baldes de água sobre o navio (imagem US Navy)
Sallyvidia Isiaho transparece o enorme cansaço, após ser substituído no combate ao incêndio do seu navio, onde é Chief Machinist's Mate (imagem US Navy)
Sallyvidia Isiaho transparece o enorme cansaço, após ser substituído no combate ao incêndio do seu navio, onde é Chief Machinist’s Mate (imagem US Navy)
O mastro de vante, contendo os sensores mais importantes do navio, jaz tombado sobre a cobertura calcinada da ponte do USS BONHOMME RICHARD (imagem US Navy)
O mastro de vante, contendo os sensores mais importantes, jaz tombado sobre a cobertura calcinada da ponte do USS BONHOMME RICHARD (imagem US Navy)
Esta imagem à vertical de bordo dum SH-60, revela os terríveis danos nas superestruturas do USS BONHOMME RICHARD (LHD-6) (imagem US Navy)
Esta imagem à vertical no navio, tirada de bordo dum MH-60S, revela os terríveis danos nas superestruturas do USS BONHOMME RICHARD, LHD-6 (imagem US Navy)
Pessoal fresco entra a bordo para render os camaradas que combatem o incêndio a bordo do navio doca norte-americano. (imagem US Navy)
Pessoal fresco entra a bordo para render os camaradas que combatem o incêndio a bordo do navio doca norte-americano. (imagem US Navy)

Nota da redação:

O navio doca anfíbio porta-helicópteros USS BONHOMME RICHARD (LHD-6) está a arder na base naval de S. Diego, Califórnia, desde o dia 12 de julho, quando um incêndio deflagrou no hangar dos veículos, numa zona onde se acumulavam muitos materiais inflamáveis, como placas de cartão. Uma explosão ainda não totalmente esclarecida, mas cuja causa estará associada ao incêndio, terá agravado a intensidade e dimensão.  Por se encontrar em manutenção,  os sistemas de deteção e combate a incêndio estavam desmontados ou inoperativos, situação que levou ao rápido propagar das chamas. No dia 14 de julho, as chamas envolveram completamente a ponte e as superestruturas, de que grande parte derreteu, provocando o colapso do mastro principal dos radares. Devido ao embarque da grande quantidade de água utilizada para combater o incêndio, este estava a ficar adornado para estibordo. No entanto, na madrugada de dia 16, subitamente, alterou o adornamento para bombordo, na direção do cais, o que obrigou a uma evacuação de emergência de todas as pessoas que estavam a bordo e no cais.

Nas operações de combate ao incêndio estiveram envolvidos

O incêndio foi dado como extinto ao meio-dia de 16 de julho e, segundo declarações do Contra-almirante Philip Sobeck, comandante do Expeditionary Strike Group 3, seguir-se-á um exame minucioso de todo o navio, compartimento a compartimento e à medida que o navio for arrefecendo e a temperatura interna o permitir. Só depois será possível ter uma avaliação da extensão dos danos e da possibilidade de recuperação, ou não, do navio.

Na sequência do incêndio, 40 marinheiros e 23 civis receberam tratamento por ferimentos ligeiros, como inalação de fumos e exaustão por exposição ao calor. No total, participaram nas operações mais de 400 marinheiros das guarnições de 12 navios que estavam atracados na Base Naval de S. Diego. Os helicópteros MH-60S da esquadrilha de combate número 3 “Merlins” (HCS-3), despejaram cerca de 1.500 baldes de água.

 

Uma imagem que não se irá mais repetir, o USS BHR passando a famosa ilha de Alcatraz, em S. Francisco, numa visita que ocorreu em 2018 (imagem US Navy)

Uma imagem que não se irá mais repetir, o USS BHR passando a famosa ilha de Alcatraz, em S. Francisco, numa visita que ocorreu em 2018 (imagem US Navy)

João Gonçalves

Oficial da Armada. Especializou-se em submarinos, onde navegou durante seis anos nos navios da classe ALBACORA. Esteve colocado cerca de sete anos como Capitão do Porto nos Açores. Escreveu para a Revista da Armada e em 1997 ganhou o prémio de melhor colaborador. Está na Revista de Marinha desde 2016 e é diretor-adjunto desde janeiro de 2018.

4 Comentários

  1. É muito difícil para um membro da guarnição de um navio saber que a sua casa e casa dos seus camaradas está a ser destruído fiz parte da guarnição de um navio Patrulha durante 23 meses e um mês depois de sair já sentia saudades do ambiente a bordo, só entende quem pertenceu a uma guarnição.

  2. António Balcão Reis Responder

    Mais um magnifico artigo do Cte João Gonçalves, com muita oportunidade e qualidade.
    Estava curioso de saber um pouco mais, mas dos meios de comunicação habituais as referências foram mínimas, o que mais valoriza o trabalho do Cte João Gonçalves, que veio satisfazer as minhas curiosidades.

    Com não tantas horas de embarque e navegação, mas muitas de Marinha, bem entendo as sentidas palavras de exaltação dos “laços que se criam, as lições e as experiências vividas”.

  3. Monteiro Marques Responder

    Porque só agora tive oportunidade de ler o interessante artigo- reportagem sobre o incêndio no navio BONHOMME RICHARD (USA), felicito o seu autor Cmdt. Rodrigues Gonçalves pelo excelente trabalho. É difícil explicar a um “terráqueo” o sentimentos de pertença e dedicação a um navio onde se prestou serviço, que nem com o seu desmantelamento as desvanece…. Parabéns!

  4. Orlando Temes de Oliveira Responder

    Parabens João Gonçalves. Comentários bem ajustados mas que muitas vezes só entende quem passou e viveu nos navios.
    OTO

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