Ciência e Tecnologia

Antártida – mais um voo Português

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Pela 9 ª vez, o Programa Polar Português (PROPOLAR) contribuiu para a logística científica na Antártida, fretando um avião que transportou cientistas e técnicos entre Punta Arenas, no Chile, e o aérodromo Teniente Marsh, na ilha de Rei Jorge próximo da Península Antártica.

A missão, que se realizou no dia 12 de fevereiro de 2020, é um dos marcos da Campanha Portuguesa 2019-20 na Antártida. Os voos de ida e volta transportaram 62 passageiros: 12 investigadores integrados em projetos apoiados pelo PROPOLAR, e 50 investigadores dos programas búlgaro, checo, chileno, chinês, espanhol e uruguaio. A Campanha Portuguesa na Antártida integra este ano 10 projetos de investigação, com um total de 20 cientistas no terreno (15 portugueses, 1 australiano, 2 espanhóis, 1 inglês e 1 suíço), que se encontram a trabalhar nas ilhas de Rei Jorge, Deception, Livingston, Nelson e na área da Baía Margarida (Península Antártica), bem como no Oceano Austral  e no Mar de Scotia.

A Campanha Polar Portuguesa 2019-20 decorre até setembro de 2020 e é financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) – Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), assenta numa estreita cooperação internacional com a Bulgária, Brasil, Chile, China, Espanha, E.U.A., Reino Unido, República Checa e República da Coreia do Sul.

Esta colaboração envolve apoio logístico em bases de investigação e transporte de investigadores e equipamento. A Campanha 2019-20 inclui 16 projetos em ambas as regiões polares nas áreas das ciências sociais, biológicas, da criosfera, do ambiente e da Terra, bem como de projetos de cariz tecnológico. Os projetos apoiados são coordenados por cientistas de 11 centros de investigação públicos, 1 centro privado e 1 instituto politécnico, incluindo um total de 24 cientistas portugueses e 5 cientistas estrangeiros para o terreno.

8º voo PROPOLAR, após aterragem no Aeroporto Teniente Rodolfo Marsh Martin, na ilha Antártica de Rei Jorge 2 Março 2019, Pedro Pina
8º voo PROPOLAR, após aterragem no Aeroporto Teniente Rodolfo Marsh Martin, na ilha Antártica de Rei Jorge 2 Março 2019, Pedro Pina
Base Antártica Coreana King Sejong, Fevereiro 2020, Gonçalo Vieira
Base Antártica Coreana King Sejong, Fevereiro 2020, Gonçalo Vieira
A caminho do sítio de monitorização da vegetação KSJ1 do KOPRI, Ilha de Rei Jorge, Antártida, 7 fevereiro 2020, Gonçalo Vieira
A caminho do sítio de monitorização da vegetação KSJ1 do KOPRI, Ilha de Rei Jorge, Antártida, 7 fevereiro 2020, Gonçalo Vieira

Os projetos portugueses na região da Península Antártica:

ADAT – Adaptation Dynamics in Antarctica Teams. Coordenador:  Pedro Quinteiro (William James Center for Research, Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida). Local e datas de trabalho: Ilha de Rei Jorge, fevereiro 2020.

ANTERMON – ANTarctic Electrical Resistivity Monitoring Network. Coordenador:  Mohammad Farzamian, (Instituto Geofísico do Infante Dom Luís, Universidade de Lisboa). Local e datas de trabalho: Ilhas Livingston e Deception, fevereiro a março 2020.

CEPH-2019 – Cephalopod ecology of the Southern Ocean. Coordenador: José Xavier (Centro de Ciências do Mar e Ambiente, Universidade de Coimbra). Local e datas de trabalho: Oceano Austral, Mar de Scotia, novembro e dezembro 2019.

FACT – Links between phytoplankton dynamics and climate Forcing in NW AntarCTica. Coordenador:  Ana Brito (Centro de Ciências do Mar e Ambiente, Universidade de Lisboa). Local e datas de trabalho: Oceano Austral – Ilhas Orcadas do Sul, fevereiro a março 2020.

LICHEN EARLY METER 2 – Development of an ecological indicator to monitor the effects of climate change in polar regions based on lichen functional traits. Coordenador:  Paula Matos (Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa). Local e datas de trabalho: Ilhas Livingston e Nelson, janeiro a março 2020.

NUNANTAR – Analysis of nunataks of the Antarctic Peninsula as multiproxy data sources on environmental change and climate Dynamics. Coordenador: Marc Oliva (Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa). Local e datas de trabalho: Baía Margarida, Ilhas Emperor, Dion, Lagotellerie, Avian e Adelaide, fevereiro a março 2020.

PERMANTAR – Permafrost and Climate Change in Western Antarctic Peninsula. Coordenador:  Gonçalo Vieira (Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa). Local e datas de trabalho: Ilhas de Rei Jorge, Livingston, Deception e Amsler, e Cierva Cove na Península Antártica, fevereiro 2020.

POLAR LODGE – Performance Evaluation of a Resilient Shelter for Research Development in the Antarctic. Coordenador: Manuel Correia Guedes (Departamento de Engenharia Civil, Arquitectura e Georrecursos, Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa). Local e datas de trabalho:  Baía de Collins, Ilha de Rei Jorge, fevereiro 2020.

VEGETANTAR 2 – Multitemporal vegetation mapping in the Antarctic Peninsula through multiscale remote sensing, part II. Coordenador:  Pedro Pina (Centro de Recursos Naturais e Ambiente, Instituto Superior Técnico). Local e datas de trabalho: Ilha Livingston, fevereiro a março 2020.

WHY ANTARCTICA – Wastewaters for Hydroponics in Antarctica. Coordenador:  Maria de Fátima Nunes de Carvalho (Instituto Politécnico de Beja). Local e datas de trabalho: Ilha de King George, janeiro a fevereiro 2020.

Perfuração no solo de King Sejong Station, Península de Barton, Ilha de Rei Jorge, Antártida, 18 fevereiro 2019, Joana Baptista
Perfuração no solo de King Sejong Station, Península de Barton, Ilha de Rei Jorge, Antártida, 18 fevereiro 2019, Joana Baptista
Sistema de hidroponia instalado na base chinesa de Great Wall, na ilha Antártica de Rei Jorge, Janeiro 2020, Tânia Correia e Luis Madeira7
Sistema de hidroponia instalado na base chinesa de Great Wall, na ilha Antártica de Rei Jorge, Janeiro 2020, Tânia Correia e Luis Madeira7
Voo de Drone, Ilha de Livingston, Antártida, 02 fevereiro 2020, Vasco Miranda
Voo de Drone, Ilha de Livingston, Antártida, 02 fevereiro 2020, Vasco Miranda

Para o Ártico, são 6 os projetos a serem desenvolvidos: Kuujjuarapik-Umiujaq (Canadá), Islândia, no Oceano Ártico, na área de Kongsfjorden, Svalbard (Noruega) e na costa do Yukon e Territórios do Noroeste (Canadá):

MIGRANT – Effects of diet on long distance migrants: how to fuel incredible journeys on a rapidly changing world? Coordenador: Pedro Miguel Araújo (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto). Local e datas de trabalho: Reykjavik, Selfoss e Hofn, Islândia, datas a definir.

NUNATARYUK – Permafrost thaw and the changing Arctic coast. Coordenador em Portugal: Gonçalo Vieira (Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa). Local e datas de trabalho: Costa do Yukon e Territórios do Noroeste (Canadá), julho 2020.

PERMARSENIC – Arsenic speciation and biogeochemistry in Permafrost Thaw Lakes. Coordenador: João Canário (Centro de Química Estrutural, Instituto Superior Técnico). Local e datas de trabalho: Kuujjuarapik e Umiujaq, Canadá, fevereiro a março 2020.

THAWPOND2020 – Remote sensing analysis of vegetation and thaw pond colour dynamics at the tundra-forest zone: from local to regional scale (Whapmagoostui – Kuujjuarapik, Hudson Bay, sub-Arctic Canada). Coordenador: Carla Mora (Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa). Local e datas de trabalho: Kuujjuarapik- Whapmagoostui, datas a definir.

TINYARCTIC – Deciphering the Plankton Microbiome and its Functions in a Changing Arctic. Coordenador: Catarina Pinto de Magalhães (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, Universidade do Porto). Local e datas de trabalho: Oceano Ártico e Kongsfjorden, Svalbard, datas a definir.

TROPHICHANGE – Can trophic interactions alleviate environmental change effects at high latitudes? Coordenador: José Alves, Centre for Environmental and Marine Studies, University of Aveiro. Local e datas de trabalho: Selfoss, Islândia, datas a definir.

Zodiac em Potter Cove, Potter Cove, Antártida, 7 Fevereiro 2020, Gonçalo Vieira
Zodiac em Potter Cove, Potter Cove, Antártida, 7 Fevereiro 2020, Gonçalo Vieira
Colónia de Penguin da Adélia, Cabo Hallett, Terra de Vitória, Antártida 09 dezembro 2018, Mafalda Baptista
Colónia de Penguin da Adélia, Cabo Hallett, Terra de Vitória, Antártida 09 dezembro 2018, Mafalda Baptista
O navio polar Sul-Coreano ARAON, de 2009, do Korea Polar Research Institute, apoia as bases Sul-Coreanas King Sejong e Jang Bogo, na Antártida (foto KOPRI)
O navio polar Sul-Coreano ARAON, de 2009, do Korea Polar Research Institute, apoia as bases Sul-Coreanas King Sejong e Jang Bogo, na Antártida (foto KOPRI)

O Programa Polar PortuguêsPROPOLAR é coordenado pelo Centro de Estudos Geográficos/Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa e gerido por uma comissão composta por membros de 5 instituições de investigação: Gonçalo Vieira (CEG/IGOT-ULISBOA), Adelino Canário (CCMAR, UAlgarve), José Xavier, (MARE, UCoimbra), João Canário (CQE/IST, ULisboa), e Catarina Magalhães (CIIMAR, UPorto) e é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

O PROPOLAR apoia o desenvolvimento da ciência polar portuguesa, facilitando a cooperação internacional e proporcionando condições logísticas que permitam o acesso dos cientistas portugueses ao Ártico e à Antártida. O PROPOLAR incentiva e apoia a investigação multidisciplinar, de modo a promover o conhecimento das regiões polares e o seu papel na dinâmica da Terra. O PROPOLAR financia projetos em diversas áreas científicas, que permitem o acesso de cientistas e jovens investigadores às regiões polares, resultando na publicação de mais de 200 artigos em revistas científicas internacionais.

 

Portugal é membro das seguintes organizações internacionais, Scientific Committee for Antarctic Research – SCAR (www.scar.org), Council of Managers of National Antarctic Programs – COMNAP (https://www.comnap.aq/SitePages/Home.aspx), European Polar Board – EPB (http://www.europeanpolarboard.org), International Arctic Science Committee – IASC (http://iasc.info) e Forum of Arctic Research Operators – FARO (http://faro-arctic.org)

Ana Salomé David

Assume funções de secretariado, gestão logística e comunicação no Programa Polar Português (PROPOLAR). É investigadora do Centro de Estudos Geográficos (CEG), do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT), da Universidade de Lisboa (ULISBOA), com interesse científico pelo estudo da distribuição de vegetação antártica, nomeadamente das comunidades de líquenes fruticulosos e briófitas, relacionada com a orografia e a distribuição do permafrost (solo permanentemente gelado) e camada ativa.

1 Comentário

  1. Schieder da Silva Responder

    È importante que os polos sejam trabalhados,na forma de explorar os seus recursos naturais,pois è por issso que estao a ser libertos do gelo,para que possamos por estas matèrias primas em circulaçao no nosso dia a dia.
    A Terra è um corpo vivo e todos os seus recursos teem que progredir em igual para que a Terra possa atingir a sua plenitude,a plenitude da inteligencia,e isso sö pode acontecer com os polos libertos de gelo.

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