Construção e Reparação Naval

Apresentação do Ferry DONA TUTUTA

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O Grupo ETE promoveu, na manhã de 7 de junho de 2021, a apresentação pública do ferry para passageiros e carga DONA TUTUTA, comprado nas Bahamas e, entretanto, reparado e modernizado em Lisboa e no Seixal, nos estaleiros Navalrocha e Navaltagus.

O evento decorreu nas instalações do estaleiro Navaltagus, no Seixal, com a presença da Administração do Grupo ETE e diversas outras personalidades, destacando-se os Ministros dos Transportes de Portugal e do Mar de Cabo Verde, que proferiram palavras alusivas à importância da nova unidade para a melhoria das ligações entre as ilhas de Cabo Verde, asseguradas desde 2019 pela empresa CV INTERILHAS, do Grupo ETE.

Luís Figueiredo, administrador do Grupo ETE (imagem Daniel Maia)
Luís Figueiredo, administrador do Grupo ETE (imagem Daniel Maia)
O Ministro das Infraestruturas e da Habitação Pedro Nuno Santos (imagem Luís Miguel Correia)
O Ministro das Infraestruturas e da Habitação Pedro Nuno Santos (imagem Luís Miguel Correia)
O Vice-presidente do Grupo ETE em Cabo Verde, Jorge Maurício (imagem Luís Miguel Correia)
O Vice-presidente do Grupo ETE em Cabo Verde, Jorge Maurício (imagem Luís Miguel Correia)
Aspeto da assistência (imagem Luís Miguel Correia)
Aspeto da assistência (imagem Luís Miguel Correia)

O N/M DONA TUTUTA foi comprado nas Bahamas em fevereiro e chegou a Lisboa a 18 de março, tendo, entretanto, passado por um processo de modernização e adaptação às necessidades do mercado cabo-verdiano, com um período de doca seca na Navalrocha, seguido de intervenção a flutuar no Seixal (Navaltagus), ambos estaleiros do Grupo ETE. O navio deverá começar a operar em Cabo Verde a partir de julho, servindo a linha regular São Vicente – São Nicolau – Sal – Boavista, transportando até 220 passageiros e 43 viaturas, ou 11 atrelados, incluindo carga frigorífica.

O ferry DONA TUTUTA foi construído na China em 2001-2002, pelo estaleiro Xinhe, em Tianjin, para a empresa Mailboat Company, de Nassau, Bahamas, em cujo arquipélago operou de 2002 a 2021 com o nome FIESTA MAIL, fazendo duas viagens semanais entre Nassau e Freeport alternadas com uma viagem Nassau – Fort Lauderdale.

O nome do navio na amura de EB (imagem Luís Miguel Correia)
O nome do navio na amura de EB (imagem Luís Miguel Correia)
A chaminé do DONA TUTUTA ostenta as cores da empresa CV Interilhas (imagem Luís Miguel Correia)
A chaminé do DONA TUTUTA ostenta as cores da empresa CV Interilhas (imagem Luís Miguel Correia)
Os tripulantes do MV DONA TUTUTA (imagem Luís Miguel Correia)
Os tripulantes do MV DONA TUTUTA (imagem Luís Miguel Correia)

O ferry DONA TUTUTA apresenta as caraterísticas principais seguintes:

  • tonelagem – 2.485 GT, 910 NT, 679 Dwt.;
  • comprimento – 68,63 m (ff), 62,00 m (pp);
  • boca 14,70 m;
  • pontal 4,70 m;
  • calado máximo 3,00 m;
  • comprimento de vias 100 m;
  • 2 máquinas principais Diesel Anglo-Belgian Corporation com 3.196 kW,
  • 2 hélices e uma velocidade de 14 nós.

O navio vai operar com bandeira de Cabo Verde

O novo ferry da CV Interilhas, MV DONA TUTUTA. (imagem Luís Miguel Correia)
O novo ferry da CV Interilhas, MV DONA TUTUTA. (imagem Luís Miguel Correia)

Nota da Redação:

Dona Tututa

Epifânia de Freitas Silva Ramos Évora (1919-2014), conhecida como Dona Tututa ou Tutura Évora, foi uma pianista e compositora cabo-verdiana. Considerada uma figura lendária no seu país, foi autora de temas como Grito d’ Dor, Sentimento, Mãe Tigre e Vida Torturada, entre outros.

Epifânia nasceu na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, no dia 6 de janeiro de 1919. Era filha de António da Silva Ramos, o Anton Tchiche. Seu irmão, Tchufe (Pedro Alcântara Silva Ramos), era guitarrista e cantor. No início da adolescência iniciou os estudos de piano tornando-se uma excelente pianista.

A Orquestra Tututa no Café Royal, Mindelo, anos 50 (imagem facebook Escola Tututa)
A Orquestra Tututa no Café Royal, Mindelo, anos 50 (imagem facebook Escola Tututa)

Tocou profissionalmente no Café Royal e Inspirada pelo seu pai, compositor pioneiro da Coladeira, formou a Orquestra  Tututa que encantou a cidade do Mindelo nos anos 40 e 50 do século 20. Foi a primeira mulher a tocar à noite em São Vicente , quebrando um tabu. Musicalmente, também desafiou convenções ao conjugar a sua formação de pianista clássica com a música tradicional cabo-verdiana.

Apresentação do Ferry DONA TUTUTA 17
Dona Tututa e Bana nos EUA, anos 60 do século 20 (fonte Expresso das ilhas)

Em 1966, já aos 47 anos, lançou o seu único disco, numa viagem aos Estados Unidos, a convite de Bana, quando gravou Rapsódia Tututa & Taninho com o guitarrista Taninho. Depois disso passou a fazer viagens esporádicas, apresentando-se em França, Guiné e Portugal.

Dona Tututa foi homenageada ainda em vida, quando o governo atribuiu o seu nome à Escola Municipal de Artes do Sal. Morreu no Hospital do Sal, vítima de pneumonia, no dia 26 de janeiro 2014, tinha 95 anos.

 

Luís Miguel Correia

Fotógrafo e Investigador de História Marítima. Autor do blog Os navios e o mar (https://lmcshipsandthesea.blogspot.com/) e diretor da EIN-Náutica. É diretor-adjunto da Revista de Marinha.

1 Comentário

  1. Artur Manuel Pires Responder

    Artigo muito interessante, assente numa articulação estimulante entre o mar e a música cabo-verdiana, de onde resulta o Dona Tututa.
    Não há muito tempo atrás, o grande escritor Eduardo Agualusa, num trabalho intitulado O ouro das Ilhas, escreveu com toda a propriedade que “Cabo Verde é a prova da artificialidade da distinção entre música erudita e popular”.
    E no mesmo trabalho recorda as agruras dos seus tempos de crítico musical, apelando à conhecida frase do genial músico de jazz Thelonius Monk sobre o assunto: “Escrever sobre música é como dançar sobre arquitetura.”
    Bem, de qualquer forma estamos perante mais um excelente artigo de Luís Miguel Correia e da Revista de Marinha, a quem envio os meus parabéns.

    Com votos sinceros de longa e feliz vida ao Dona Tututa, e cordialmente,

    Artur Manuel Pires

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