Património Cultural Marítimo

Aquário Vasco da Gama – Passado com história, futuro com memória

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No ano em que comemora 123 anos de existência, o Aquário Vasco da Gama (AVG) possui uma riqueza histórica e de conhecimento, distingue-se como o museu aquário mais antigo do mundo aberto ao público. Com um futuro igualmente muito promissor não deixa de passar a sua missão: atuar na vertente educacional dando a conhecer a vida marinha com grande preocupação na preservação da biodiversidade e dos oceanos.

Pertencente à Marinha Portuguesa e integrado no Setor Cultural de Marinha, o AVG é uma instituição cujo objetivo visa, não só, expor a herança oceanográfica do rei D. Carlos I, realizada ao longo de doze anos de campanhas oceanográficas respeitando sempre os valores de educação, ciência e história, como também sensibilizar os visitantes para a conservação do meio aquático. Tem também promovido ao longo dos anos conhecimento nas áreas da Biologia, História da Ciência, História de Portugal, entre outras.

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Hippocampus guttulatus

É uma entidade alinhada para as várias gerações de famílias pelo que é comum dizer-se e/ou ouvir-se que existem três fases de visita ao Aquário Vasco da Gama, sendo a primeira enquanto criança seguindo-se a visita com os filhos e posteriormente com os netos e até com os bisnetos.

Com uma nova visão para o futuro, o aquário procura modernizar-se e adaptar-se à sociedade atual, tendo em vista o avanço digital a que assistimos diariamente. A parte exterior do edifício, do lado da Estrada Marginal, é uma das inovações visível a todos os que por lá passam com o mural de arte urbana, que dá agora uma nova imagem à “casa”. Mas, antes de se falar no futuro é importante relembrarmos o passado, uma vez que sem o legado deixado pelo Rei D. Carlos I seria inimaginável o aquário chegar onde está hoje.

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Aquário Vasco da Gama

O Rei D. Carlos I foi o grande impulsionador da criação do Aquário Vasco da Gama, com inauguração a 20 de maio de 1898 aquando das comemorações do IV centenário da partida de Vasco da Gama, na descoberta do caminho marítimo para a Índia.

Com um inexplicável interesse pelo mar/oceano e diversidade de animais que habitam nesses espaços aquáticos este rei explorou, a bordo dos quatro iates batizados com o nome da sua mulher, rainha Dona Amélia, as correntes do fundo marítimo com particular atenção para o estudo dos peixes. A fauna da costa portuguesa é também merecedora de destaque demonstrando assim a preocupação do monarca para com a vida animal local e nacional.

A área expositiva do aquário divide-se em duas partes, sendo uma delas dedicada à vida animal, onde é possível encontrar diversas espécies aquáticas de pequenas, médias ou grandes dimensões, sejam de zonas tropicais, de água doce, água salgada ou zonas temperadas, seguindo-se a parte do museu, do qual fazem parte o salão nobre e a biblioteca do rei.

Aquário Vasco da Gama - Passado com história, futuro com memória 17Entre arquivos, livros, manuscritos e documentação científica o monarca deixa-nos, assim, uma coleção oceanográfica com uma riqueza histórica inconfundível que poderá ser visitada por qualquer pessoa naquela que é apelidada de Biblioteca do Rei – Museu Oceanográfico D. Carlos I. Este espaço é outra das mudanças da área expositiva, uma vez que a sua mudança permite aos visitantes uma aproximação daqueles que são os registos mais antigos da história oceanográfica do país.

Na parte do museu poderá ainda encontrar espécies de animais que estão extintas na natureza, porém mantidos em meios líquidos e/ou naturalizados no Aquário Vasco da Gama, o qual preza a mensagem de preocupação com a preservação da vida animal marinha.

Atualmente, em parceria com o IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera – a instituição investiga a viabilidade da criação de sardinha em cativeiro, um projeto científico ainda em desenvolvimento.

Tendo em atenção o passado, presente e ainda todo o legado existente, o aquário pretende futuramente tornar o espaço emblemático e atrativo virado para uma vertente mais tecnológica, acessível e de inclusão para todos, sendo as acessibilidades uma das suas preocupações, de forma a dar a conhecer o seu espaço sem excluir ninguém.

Aquário Vasco da Gama - anémonasA transição para o digital, marca, então, a mudança e adaptação desta instituição secular à sociedade e novas gerações apresentando sempre como base o bem-estar dos animais que lá residem. Este cuidado demonstrado é visível uma vez que o aquário Vasco da Gama faz criação em cativeiro de espécies em vias de extinção com o objetivo de preservar estas espécies no ecossistema fluvial, como é exemplo o projeto dos Ruivacos-do-oeste, que é uma das espécies que tem sido reproduzida com sucesso, em tanques no Aquário, onde se recriaram as condições do seu habitat natural e posteriormente, quando atingem a idade adequada, são libertados nas diversas ribeiras com risco de extinção desta espécie, fundamental para os necessários equilíbrios dos ecossistemas .

Brevemente, será possível interagir com o oceano virtualmente, isto é, dar um mergulho nas profundezas do mar, uma vez que nesta instituição estará presente um dos maiores ecrãs interativos da Península Ibérica, uma janela virtual para o oceano que a “casa da ciência” disponibilizará aos seus visitantes como forma de integração à nova comunidade tecnológica e, consequentemente, comunicação digital.

Este projeto terá lugar no antigo tanque das otárias, espaço que se encontra vazio desde a perda da Olívia, a última que habitou no AVG.

Todas as remodelações e modificações do espaço pretendem incutir na sociedade um incremento duma atitude e consciência responsável na vontade de preservar a biodiversidade e meio ambiente.  Além disso, a adequação à nova era em que nos encontramos torna-se importante de forma a abrir horizontes a todas as gerações, conhecendo novas experiências a nível da tecnologia e imagem.

Aquário Vasco da Gama - Passado com história, futuro com memória 18Além da preocupação com o conforto animal, o Aquário tem em atenção as necessidades do público que o visita pelo que, o Tanque das Tartarugas sofreu, recentemente, remodelações permitindo às crianças a visualização através de vigias criadas nas suas paredes laterais, o que não era possível no período anterior devido à sua borda alta que dificultava o acesso aos mais novos e poderia colocar em risco a criança. Em acrescento, esta área terá ainda novas espécies  com as condições  que encontram no seu meio natural.

Um futuro promissor para este antigo aquário que até aos dias de hoje preza um passado de conhecimento!

Saiba mais em: https://ccm.marinha.pt/pt/aquariovgama

Colaboração: Leonor Monteiro, AVG

1 Comentário

  1. Artur Manuel Pires Responder

    Excelente artigo, sobre uma pedra angular do nosso imaginário cultural.
    Pertenço a uma geração que cresceu com três programas imbatíveis: uma ida ao Jardim Zoológico, uma noite na Feira Popular e uma visita ao Aquário Vasco da Gama.
    A transição da escuridão da primeira sala, para as escotilhas dos peixes tropicais, provocava uma sensação, que só vim a encontrar mais tarde nos trigais de Van Gogh.
    Muitos parabéns à Revista de Marinha, e longa vida ao Aquário Vasco da Gama.

    Cordialmente, Artur Manuel Pires

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