Economia

Assinatura do Contrato de Construção do Molhe de Angeiras

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A Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, presidiu no passado dia 2 de maio à cerimónia de assinatura do contrato de empreitada de construção da obra marítima de abrigo na zona piscatória de Angeiras (Quebra-Mar de Angeiras), que decorreu no Ministério do Mar.

A obra, com um tempo de vida útil de 50 anos e um investimento de cerca de 4 milhões de euros, tem como objetivo proporcionar melhores condições de abrigo no Portinho de Angeiras, em relação à agitação marítima, durante as fases de aproximação e partida das embarcações para a pesca.

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Desenho técnico do projeto do novo quebramar de Anjeiras.

A empreitada, a cargo da firma Teixeira Duarte – Engenharia e Construções, S.A., será co-financiada pelo Programa Operacional (PO) MAR2020(*) em 75% do valor do contrato. O quebra-mar, com cerca de 448 m de comprimento, será fundado sobre afloramentos rochosos, com estrutura clássica constituída por prisma de enrocamentos revestido por submantos e por mantos em enrocamentos selecionados e, na cabeça, protegido por blocos Antifer de 100 kN, e será dotado de uma estrutura de betão simples no coroamento, em cuja cabeça será instalado um farolim. O prazo de execução da empreitada é de 18 meses, incluindo 6 meses de paragem no inverno.

De referir que, face às condições atuais de acesso marítimo à Praia de Angeiras, muito desfavoráveis em termos de ondulação e fundos, com implicações no número de dias de inoperacionalidade para a frota ali baseada, as obras marítimas de abrigo em apreço são fundamentais para os pescadores desta região.

Esta obra corresponde à II fase da intervenção, tendo sido a primeira da responsabilidade da Docapesca, envolvendo a reabilitação do edifício da lota e o canal de acesso, com um custo de cerca de 500 m€.

 

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A enseada de Anjeiras (imagem Google Earth)

O porto de pesca resume-se a uma pequena enseada, protegida a norte e sul por grupos de rochedos. As embarcações de pesca ficam resguardadas no areal, sendo retiradas do mar com a ajuda de um tractor. Tem uma estação do ISN, mas desativada, e um posto da Docapesca. A comunidade piscatória é relativamente pequena, mas muito antiga, e satisfaz com agrado o mercado local, muito procurado principalmente devido ao marisco de excelente qualidade.

Angeiras é um local inserido na união de freguesias de Lavra, Perafita e Santa Cruz do Bispo, situado a norte do concelho de Matosinhos. Tornou-se conhecido pelas pedras de salga de peixe de origem romana. Sobre isto existe a seguinte informação disponibilizada através do portal da C.M. de Matosinhos:

Enterrada sob as areias da praia de Angeiras, localiza-se uma das mais importantes estações arqueológicas, de época romana, do norte de Portugal. Trata-se de um magnífico exemplo da arquitectura industrial romana e que, juntamente com alguns exemplares similares identificados na Póvoa de Varzim, constituem um conjunto de cetárias, datado da época do Baixo Império Romano (século IV – V), único na região norte. É composto por seis conjuntos de tanques, com um total de 32 exemplares, de formato rectangular e trapezoidal escavados no afloramento rochoso e dispersos ao longo de cerca de 600 metros pelo areal da praia de Angeiras. Estes tanques destinavam-se à salga de peixe ou à produção de outros tipos de conserva de peixe muito apreciado na época romana como o garum (pasta resultante da maceração de diversas espécies de peixe e moluscos com vinho, azeite e outros produtos). Foram ainda identificados tanques artificiais com pavimento composto por seixos e barro e delimitados por muretes construídos por lajes graníticas, seixos e barro. Estas estruturas destinavam-se à extracção do sal a partir da água do mar. É provável ainda que houvesse outras cetárias construídas em barro, de que têm aparecido alguns fragmentos, à semelhança do que se observa, por exemplo, em Tróia.

Estas estruturas parecem datar duma época tardia da romanização (séc. III – IV d.C.).

Angeiras é igualmente apreciada pela praia, restaurantes e pelo parque de campismo, onde recebe/ acolhe muitos estrangeiros todos os anos. Actualmente é também local de passagem de muitos peregrinos a caminho de Santiago de Compostela.

O porto de pesca resume-se a uma pequena enseada, protegida a norte e sul por grupos de rochedos. A comunidade piscatória é pequena, mas satisfaz com agrado o mercado local, que é muito procurado, principalmente devido ao marisco de boa qualidade. Os barcos de pesca ficam resguardados no areal, sendo retirados do mar com a ajuda de um tractor.

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A antiga Estação Salva-Vidas de Anjeiras (foto do autor)

Tem estação do ISN mas está desactivada, estando os socorros a náufragos dependentes da estação de Leixões. A Docapesca ali existente, como pode ler-se na lápide aposta na fachada, foi inaugurada pela Engª Ana Paula Vitorino.

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A porta do edifício da DOCAPESCA, vendo-se a placa da inauguração. (foto do autor)

(*) PO MAR2020 – Programa Operacional «Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas — Programa Operacional de Portugal»  – saiba mais aqui.

 

Autor do blog "Navios e Navegadores", é um amante do mar e dos navios, que fotografa com regularidade. Investigador sobre história marítima (marinhas de guerra e de comércio), é colaborador da Revista de Marinha há vários anos, escrevendo principalmente sobre temas relacionados com o norte do país. Durante a sua vida profissional exerceu funções na agência Sofrena - Sociedade de Afretamentos e Navegação, Lda. de Matosinhos, hoje integrada no grupo E.T.E. - Navex