Património Cultural Marítimo

Camisola poveira, uma orgulhosa novidade antiga!

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Custe o que custar, deve ser reconhecido o mérito à estilista americana Tory Burch, ao chamar a atenção para a peça de vestuário, lamentavelmente um pouco esquecida, para que o sempre proverbial e indispensável nacionalismo, se revoltasse contra tão ousada descoberta de comercialização.

A camisola poveira bordada é feita em lã branca de fio grosso, da zona da Serra da Estrela, denominada “lã poveira” e decorada a ponto de cruz, com motivos de inspiração diversa (escudo nacional, com coroa real; patinhos; siglas; remos cruzados; vertedouros; etc), sendo somente utilizada lã de cor preta e vermelha nos bordados. (imagem Reinaldo Delgado)
A camisola poveira bordada é feita em lã branca de fio grosso, da zona da Serra da Estrela, denominada “lã poveira” e decorada a ponto de cruz, com motivos de inspiração diversa (escudo nacional, com coroa real; patinhos; siglas; remos cruzados; vertedouros; etc), sendo somente utilizada lã de cor preta e vermelha nos bordados. (imagem Reinaldo Delgado)

E de repente tudo se alterou, através da revitalização da inimitável camisola poveira, que desde uma das últimas reuniões camarárias, passa a ter o direito de ser celebrada com a dignidade que orgulhosamente merece.

O dia escolhido para a celebração anual será o dia 8 de Dezembro, que este ano, também por sugestão camarária, irá trazer ás ruas da cidade as afamadas camisolas multicoloridas, plenas de símbolos marítimos e de outros desenhos, saídos e a sair das mãos das inspiradas bordadeiras.

Para tanto, convirá aproveitar as explicações dos historiadores camarários sobre a sua origem e fabrico, constando ser

bordada sobre lã branca de fio grosso, da zona da Serra da Estrela, denominada “lã poveira” e decorada a ponto de cruz, com motivos de inspiração diversa (escudo nacional, com coroa real; patinhos; siglas; remos cruzados; vertedouros; etc), sendo somente utilizada lã de cor preta e vermelha nos bordados».

Simultaneamente, é igualmente importante perceber que

a camisola poveira era inicialmente (1ª metade do século XIX) feita em Azurara e Vila do Conde e bordada (ou marcada) na Póvoa pelos velhos pescadores. Em evolução, passou a ser bordada pelas mães, esposas e noivas dos pescadores, e depois feita e bordada na Póvoa».

“A camisola poveira era inicialmente (1ª metade do século XIX) feita em Azurara e Vila do Conde e bordada (ou marcada) na Póvoa pelos velhos pescadores. Em evolução, passou a ser bordada pelas mães, esposas e noivas dos pescadores, e depois feita e bordada na Póvoa”, Maria Glória Martins da Costa – “O Traje Poveiro””, In: Póvoa de Varzim Boletim Cultural, vol. 19 (1980) (imagem Reinaldo Delgado)
“A camisola poveira era inicialmente (1ª metade do século XIX) feita em Azurara e Vila do Conde e bordada (ou marcada) na Póvoa pelos velhos pescadores. Em evolução, passou a ser bordada pelas mães, esposas e noivas dos pescadores, e depois feita e bordada na Póvoa”, Maria Glória Martins da Costa – “O Traje Poveiro””, In: Póvoa de Varzim Boletim Cultural, vol. 19 (1980) (imagem Reinaldo Delgado)

Quem vive próximo da cidade e naturalmente os residentes, não vão querer deixar de aproveitar a oportunidade para retirar dos baús as preciosas relíquias, quem sabe guardadas há muito, para no dia 8 de Dezembro passear o que de bom e bonito se faz por lá.

Ainda acerca da camisola poveira, leia o artigo Identidades marítimas, memórias e representações poveiras

Reinaldo Delgado

Autor do blog "Navios e Navegadores", é um amante do mar e dos navios, que fotografa com regularidade. Investigador sobre história marítima (marinhas de guerra e de comércio), é colaborador da Revista de Marinha há vários anos, escrevendo principalmente sobre temas relacionados com o norte do país. Durante a sua vida profissional exerceu funções na agência Sofrena - Sociedade de Afretamentos e Navegação, Lda. de Matosinhos, hoje integrada no grupo E.T.E. - Navex

1 Comentário

  1. Manuel de Oliveira Martins Responder

    Gostei de saber as tradições poveiras e a origem da camisola poveira.
    Obrigado amigo Reinaldo, Um abraço,
    M. O. Martins

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