Desportos Náuticos

Campeonato Mundial de Remo de Mar em Oeiras – O maior mundial de sempre

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Durante duas semanas o Mar Português recebeu mais de mil remadores e respetivos acompanhantes vindos de todos os continentes, tendo por pano de fundo o cenário único da linha de costa ao redor Forte de São Julião da Barra, em Oeiras. A Revista de Marinha esteve presente durante o evento e pôde testemunhar em primeira mão o entusiasmo e o colorido com que a prova decorreu.

De acordo com os números divulgados pela Federação internacional de Remo (“World Rowing Federation”, FISA – Federação Internacional de Sociedades de Remo) estiveram presentes em Oeiras 1.024 atletas de 36 países, o que fez desta prova o maior evento jamais levado a cabo pela Federação Internacional.

Campeonato Mundial de Remo de Mar em Oeiras
Campeonato Mundial de Remo de Mar em Oeiras

Esta prova esteve inicialmente prevista para se realizar 2020, mas em virtude da pandemia que assolou a Europa e o Mundo foi adiada para 2021, sem, contudo, nunca ter desmerecido o interesse e o entusiasmo de muitos dos melhores remadores da atualidade.

Pela Praia da Torre, em Oeiras, passaram inclusive 16 remadores que participaram nos recentes Jogos Olímpicos de Tóquio, entre os quais 8 medalhados. Estes números tiveram o brilho de um sol de verão que teimou em manter as temperaturas elevadas, apesar de já ser instalado outono. A temperatura das águas do Estuário do Tejo também estiveram muito convidativas, ao contrário do que aconteceu durante o Verão em toda a costa portuguesa. Enfim tudo se conjugou para fazer desta prova internacional um evento para mais tarde recordar.

As competições decorreram entre 24 de Setembro e 2 de Outubro, mas a ação começou muito antes. Quer com os treinos de muitos dos remadores, muito dos quais experimentaram pela primeira vez esta vertente do remo, outros apostados em apurar a forma visando a glória mundial e também daqueles que navegavam pela primeira vez nas correntes à entrada do Tejo.

Campeonato Mundial de Remo de Mar em Oeiras
Campeonato Mundial de Remo de Mar em Oeiras

Neste cenário, perante o entusiasmo e o reconhecimento internacional, o Presidente da Federação Portuguesa de Remo (FPR), Dr. Luis Ahrens Teixeira, tirou as conclusões que já estavam à vista de todos.

Tivemos uma adesão magnífica porque a nossa costa é fantástica e tem condições únicas. A grande ideia da Federação internacional e da FPR é ser um primeiro passo para fazer crescer a modalidade“.

Aposta ganha, dizemos nós.

Às excelentes condições naturais juntou-se uma capacidade organizativa da FPR que conseguiu concretizar e superar o plano idealizado pela FISA ainda em plena pandemia. A aposta foi pois claramente ganha por todos, tanto externamente como internamente.

Há sete anos, quando a FPR decidiu apostar nesta variante, não havia um único barco de remo de mar em Portugal. Agora, organizámos o maior mundial de sempre de uma modalidade que poderá ser olímpica brevemente”,

referiu ainda o Presidente da Federação Portuguesa de Remo.

Com efeito o Remo de Mar tem vindo a ganhar força e está na calha para ser modalidade de demonstração nos Jogos Olímpicos de 2028, a realizar em Los Angeles. Na decisão do Comité Olímpico Internacional vai certamente ter muito o peso tudo o que aconteceu na Praia da Torre.

Este modelo de Campeonato do Mundo de Remo de Mar Mundial tem dois tipos de provas em diferentes escalões e categorias. De 24 a 26 de Setembro realizaram-se os “Beach Sprints“, por seleções, uma prova de 500 metros com slalom entre boias e corrida na areia.

Campeonato Mundial de Remo de Mar em Oeiras
Campeonato Mundial de Remo de Mar em Oeiras

De 30 de setembro a 2 de Outubro foi a vez do “Coastal Rowing“, campeonato de fundo com eliminatórias de 4.000 metros e finais de 6.000 metros em que a participação foi feita por clubes.

Foi na primeira vertente e nas embarcações a solo, o skiff, que Portugal mais se destacou. Afonso Santos foi a prova de que o remo português avança com grande potencial mar adentro e com apenas 16 anos sagrou-se Campeão Mundial Júnior.

No momento da consagração o jovem Afonso Santos da Figueira da Foz afirmou pleno de sentido que

É uma vitória que tem um sabor especial para mim, para o meu país, para o meu clube e para a minha modalidade. Serve para abrir os horizontes e mostrar que o remo é uma modalidade linda e que merece ter mais atenção em Portugal.

E terminou dizendo que

Um dia gostava de competir nos Jogos Olímpicos e trazer uma medalha de ouro para Portugal“.

Ficamos à espera e a Revista de Marinha aproveita o ensejo para desejar ao nosso jovem remador os maiores sucessos.

Para dar mais ênfase ao futuro da modalidade, Madalena Peça, também júnior, colocou as cores portuguesas em mais um pódio com a conquista da medalha de bronze.

Afonso Santos e Madalena Peça, jovens medalhados no Campeonato Mundial de Remo de Mar em Oeiras
Afonso Santos e Madalena Peça, jovens medalhados no Campeonato Mundial de Remo de Mar em Oeiras

No geral, as regatas foram dominadas por espanhóis, franceses e italianos. Os países mais próximos de Portugal na Europa mostraram superioridade nesta vertente do remo.

A organização do evento mereceu extensos e rasgados elogios e reconhecimento por parte dos responsáveis da Federação internacional de Remo, o que deixou o elenco federativo nacional com o sentimento de dever cumprido. Para a história fica o contributo português para o crescimento da modalidade e o reforço da ideia de que o nosso País tem condições únicas para estar na linha da frente do Turismo Desportivo de Mar.

Aliás, essas condições excecionais do nosso país para a prática desta atividade náutica foram dadas a conhecer para todo o Mundo através da transmissão exaustiva via “streaming” no canal da “World Rowing”. As imagens captadas por drones e projetadas no écran gigante instalado no recinto do evento foram não só empolgantes mas também de uma rara beleza, tendo para além disso permitido aos espetadores instalados na Praia da Torre acompanhar em tempo real as provas em toda a sua extensão, de uma forma muito particular nas provas de Coastal Rowing.

O sucesso do evento foi testemunhado por diversas entidades. Pela Praia da Torre passaram o Ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, o Senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. Paulo Rebelo, o Presidente do Comité Olímpico, Prof. José Manuel Constantino e Dr. Vitor Pataco, Presidente do IPDJ, bem como de responsáveis da Câmara de Oeiras que apadrinharam o evento.

Mas e o evento foi um enorme êxito no capítulo desportivo não o foi menos na vertente económica. Durante as duas semanas de duração do evento os restaurantes na área de influência da Praia da Torre, Porto de Recreio de Oeiras incluído, estiveram sempre cheios de manhã à noite, no que foi um verdadeiro bálsamo para esta atividade económica depois de 18 meses de pandemia que limitou severamente o seu funcionamento.

Também a Hotelaria da zona beneficiou da presença de um grande número de atletas estrangeiros, treinadores, familiares e respetivos acompanhantes, bem como da imprensa especializada, que deram por muito bem-vinda destes clientes, cuja estadia não se limitaram só aos dias do evento propriamente dito.

Campeonato Mundial de Remo de Mar em Oeiras
Campeonato Mundial de Remo de Mar em Oeiras

Com efeito, muitas das representações estrangeiras chegaram ao nosso País ainda antes do início do evento, neste caso para treino e aclimatação dos atletas às condições de mar, tendo permanecido entre nós depois da cerimónia da entrega dos prémios aproveitando para visitar vários pontos do território nacional.

 

Foi o caso da seleção do Egipto, um conjunto muito simpático de jovens atletas deste País do Médio Oriente, raparigas e rapazes, com que tivemos oportunidade de conversar longamente, e que aproveitaram a vinda a Portugal, onde estavam pela primeira vez, para visitar Sintra, Palmela e o Porto, antes de regressarem ao seu País de origem.

A Revista de Marinha aproveita o ensejo para endereçar a toda a equipa da Federação Portuguesa de Remo as maiores felicitações pelo êxito alcançado na organização deste evento de que foi testemunha presencial, na certeza de que continuará disponível para fazer eco do que de relevante for acontecendo no desenvolvimento desta modalidade desportiva no nosso País.

Sabemos, entretanto, que estão já sendo desenvolvidos contactos entre a Federação Portuguesa de Remo, a Câmara Municipal de Oeiras e a Associação AMaRO para a instalação de um núcleo de Remo de Mar na Praia de S. Amaro, junto ao Restaurante Saisa.

Que esta semente deixada pela realização do Campeonato do Mundo de Mar na Praia da Torre possa florescer em prol não só dos mais jovens mas também daqueles que são jovens há mais tempo, é o nosso desejo.

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Nota: Este texto foi elaborado a partir de um texto inicial da responsabilidade do Senhor Filipe Mendonça da Assessoria de Imprensa da Federação Portuguesa de Remo,

Eduardo Almeida Faria

Licenciado em gestão, tem uma larga experiência no associativismo desportivo, é especialista no tema da Náutica de Recreio, tendo feito parte do Conselho Nacional da Náutica de Recreio e, no âmbito do Fórum Oceano, integrado o Grupo Dinamizador do Portugal Náutico. É autor da obra “Náutica de Recreio em Portugal – Um pilar do Desenvolvimento Local e da Economia do Mar” e de inúmeros artigos e noticias na Revista de Marinha e no Jornal da Economia do Mar. Como desportista náutico tem muitas milhas percorridas pela costa portuguesa e pelo Mediterrâneo em veleiros de cruzeiro, quer em lazer, quer em regata.

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