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A Volvo Ocean Race apresentou um mapa global de microplásticos

A conclusão da primeira fase do tratamento dos dados recolhidos pelos dispositivos científicos instalados a bordo dos barcos Team AkzoNobel e Turn the Tide on Plastic, no âmbito do Programa de Sustentabilidade da Volvo Ocean Race Science, permitiu que a Volvo Ocean Race revelasse agora a dimensão da poluição mundial por microplástico.

Das setenta e cinco amostras recolhidas durante a corrida, apenas três , localizadas no sul da Austrália, a leste da Argentina e a oeste da Irlanda, não contêm nenhum microplástico.

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A velejadora Liz Wardley a recolher uma amostra de água do mar, a bordo do TURN THE TIDE ON PLASTIC (foto Jeremie Lecaudey/Volvo Ocean Race)

No Escagerraque (em norueguês, sueco e dinamarquês: Skagerrak), o estreito que separa o Mar Báltico do Oceano Atlântico, entre a Noruega, a Suécia e a Dinamarca, os dados recolhidos acusaram 224 partículas por metro cúbico, um nível particularmente alto de microplásticos.

O nível mais alto de microplástico, 349 partículas por metro cúbico, foi encontrado numa amostra retirada do Mar do Sul da China, uma massa de água que alimenta a Corrente de Kuroshio e a Corrente do Pacífico Norte. O segundo maior, 307 partículas por metro cúbico, foi recolhido no Estreito de Gibraltar, onde o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico se encontram.

No Ponto Nemo, o Pólo de Inacessibilidade do Pacífico, o lugar mais distante de qualquer porção de terra, onde os humanos mais próximos são os da Estação Espacial Internacional, foram registadas 9 a 26 partículas de microplástico por metro cúbico.

Ponto Nemo, o pólo oceânico de inacessibilidade. (imagem Timwi, Wikimedia)

As amostras de água do mar foram recolhidas ao longo de 45.000 milhas náuticas e durante oito meses, nas tiradas que ligaram seis continentes e as doze cidades-sede da regata de Volta ao Mundo, começando em Alicante, e terminando em Haia.

Um trabalho validado por organismos internacionais de elevada reputação.

Os dados preliminares sobre os microplásticos foram analisados no laboratório do Instituto GEOMAR, de Pesquisa Oceânica de Kiel, financiado pelo Cluster of Excellence Future Ocean, em Kiel, na Alemanha. Seguidamente, foram enviados para um banco de dados da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) dos EUA, tendo depois sido disponibilizados para acesso livre pela comunidade científica.

Na opinião de Toste Tanhua, diretor do GEOMAR –  “o programa Volvo Ocean Race Science contribuiu enormemente para a compreensão da poluição de microplásticos em todo o mundo e para a construção do mapa global da absorção de CO2 pelos oceanos.”

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Dr. Toste Auhna (imagem Universität Kiel CAU)

As duas equipas também efecturam medições de dados oceanográficos, incluindo temperatura, CO2 dissolvido, salinidade e conteúdo de algas (como clorofila a), permitindo obter uma indicação dos níveis de saúde oceânica e acidificação, e apoiar a quantificação da absorção de CO2 pelo oceano. Paralelamente, 30 bóias científicas, largadas durante a corrida, estão a transmitir dados essenciais para a previsão do tempo e das alterações climáticas, tanto a curto como a longo prazo. Toda esta informação está a ser utilizada pela Organização Meteorológica Mundial e pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO.

O Programa Volvo Ocean Race Science é financiado pela Volvo Cars, que doou 300.000,00€, recolhidos das primeiras 3.000 vendas da nova edição Volvo Ocean Race, do automóvel modelo Volvo V90.

A gravidade da poluição pelo micropástico

Os microplásticos, muitas vezes invisíveis a olho nu, podem levar milhares de anos para se degradarem. Ao recolher informações sobre os seus níveis, o programa Volvo Ocean Race Science proporciona à comunidade científica mundial novas perspectivas sobre os níveis de poluição dos oceanos pelo plástico e o seu impacto na vida marinha.

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Microplástico nos oceanos (infografia Volvo Ocean Race)

Nos próximos anos, o programa Volvo Ocean Race Science irá continuar intimamente ligado à grande regata, prevendo já, em preparação da próxima edição, a realização dum conjunto de Encontros Oceânicos Internacionais e a futura expansão do Programa de Educação e a continuação deste programa científico pioneiro, focado no plástico oceânico.
Este programa conta com a colaboração duma série de parceiros inovadores, incluindo a 11th Hour Racing e a UN Environment, parcerias que asseguram um legado duradouro, a fim de impulsionar mudanças reais para um futuro saudável do planeta.

O Programa de Sustentabilidade também organizou um workshop pós-corrida, com as principais partes interessadas da ciência, academia, setor privado e outras instituições, incluindo a Fundação Mirpuri, para identificar as lacunas a serem preenchidas, para avançar no entendimento dessas questões e alinhar as novas missões.

Fiona Ball, diretora de negócios, responsável ​​da Sky Ocean Rescue, disse: “Os dados coletados pela equipa TURN THE TIDE ON PLASTIC, na Volvo Ocean Race, destacam o estado crítico  dos nossos oceanos. Ao apoiar o veleiro TURN THE TIDE ON PLASTIC, a Sky Ocean Rescue visou aumentar a consciencialização para a poluição pelo microplástico e inspirar todos a fazerem mudanças simples e quotidianas para impedir que os nossos oceanos se afoguem em plástico. Todos nós podemos desempenhar o nosso papel e desligar a torneira de plástico, agora é a hora da mudança fundamental para proteger o nosso planeta.”

O veleiro TURN THE TIDE ON PLASTIC no dia 3 de março de 2018, após passar o ponto Nemo, na aproximação ao Cabo Horn. (foto Ainhoa Sanchez/Volvo Ocean Race)

O Programa de Sustentabilidade Volvo Ocean Race é uma parceria com os Sustainability Partners, o Team 11th Hour Racing, a Fundação Mirpuri,  a Volvo, o Team AkzoNobel, a Ocean Family Foundation,Stena Recycling e a Bluewater.

A campanha do meio ambiente da ONU #CleanSeas, que faz parceria com a regata Volvo Ocean Race, visa incentivar governos, empresas e indivíduos a fazer mudanças nas suas próprias vidas para reduzir a sua pegada de plástico.

(fonte VOR)