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Sabia que cerca de 8,3 biliões de toneladas de plástico foram produzidas desde 1950, o que equivale ao peso de aproximadamente um bilião de elefantes ou 47 milhões de baleias? [1]

E sabia ainda que apenas 9% de todo este plástico foi reciclado, 12% queimado e que os restantes 79% se destinaram a aterro ou foram simplesmente abandonados no ambiente? [1]

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Estamos a afogar-nos em plástico

Pois bem, estes números referentes ao passado e ao presente são chocantes e as estimativas futuras não são animadoras. A produção anual de plástico aumentou exponencialmente desde 1950 atingindo um valor de 322 milhões de toneladas em 2015 não incluindo fibras sintéticas usadas na produção de roupa e de outros produtos, que representaram 61 milhões de toneladas só em 2016. Está previsto que a produção de plástico duplique até 2025! [2]

Em resultado disto formaram-se ao longo destes anos, devido às correntes oceânicas, as chamadas “ilhas de plástico”. Estas ilhas de lixo plástico, que se concentram maioritariamente no Pacífico, têm uma área cinco vezes superior ao território continental Português [3]. Para além das consequências nefastas para os ecossistemas e para várias especies marinhas, algum deste lixo acaba também por dar à costa. Estes são valores alarmantes que já despertaram a atenção de múltiplas entidades. É o caso da “Ocean Cleanup”, uma ONG holandesa que desenvolve tecnologias para retirar o lixo do oceano. Também Portugal se une na luta contra o plástico; em Lisboa, nomeada a Capital Verde Europeia de 2020, um dos objetivos traçados pela Câmara Municipal é banir até lá o uso de copos de plástico.

O Elisabeth, um navio tanque de LPG.

Em paralelo com este panorama dramático, a indústria marítima tem sido contemplada nas novas legislações relativas à emissão de gases. Como mencionado no número 999 da Revista de Marinha (“O Gás Natural como Combustível para a Marinha”), nos novos regulamentos introduzidos pela IMO (International Maritime Organization) para 2020, apenas combustíveis com um teor de enxofre abaixo de 0,5% (0,1% para as áreas ECA) podem ser utilizados. Este valor compara com o teor atual, de 3,5%.

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(imagem BlueBenu)

Olhando o cenário acima descrito, a startup BlueBenu, criada na Dinamarca, apercebeu-se de uma boa oportunidade para desenvolver o processo que tem em estudo.

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O logo da Blue Benu

A BlueBenu propõe-se produzir um combustível de baixo teor em enxofre a partir do lixo plástico retirado do oceano. Isto é possível uma vez que o processo em desenvolvimento simula as condições naturais de pressão e temperatura para converter o lixo em óleo bruto, que pode então ser refinado para a produção de diesel. A equipa é formada por recém-graduados e estudantes de doutoramento na Dinamarca e inclui pessoas de várias nacionalidades como a Dinamarquesa, Brasileira, Eslovena, Costa-Riquenha e Portuguesa. As suas especialidades abrangem a gestão, engenharia química, bioquímica e do ambiente.

Apesar desta startup fazer apenas 4 meses em agosto, a ideia de limpar os oceanos e criar valor a partir do lixo recolhido, levou-os a chegar às finais no concurso “Venture Cup Denmark 2018” na categoria “NextGen Logistics”, financiada pela conhecida empresa marítima Dinamarquesa Mærsk. A “Venture Cup” é uma organização líder mundial que promove o desenvolvimento de novas startups e que tem também representação em Portugal.

A equipa de jovens cientistas da nova start up (imagem BlueBenu)

A BlueBenu prepara-se agora para se candidatar a vários programas de fundos de âmbito europeu e também em Portugal, para o programa “Blue Bio Value” promovido pelas Fundações Calouste Gulbenkian e Oceano Azul. A “Blue Bio Value” é uma iniciativa que visa reforçar o desenvolvimento de negócios ao longo da cadeia dos biorecursos marinhos a nível internacional.

Referências:

[1] https://www.telegraph.co.uk/science/2017/07/19/plastic-weighing-equivalent-one-billion-elephants-has-made-since/

[2] https://www.theguardian.com/environment/2017/dec/26/180bn-investment-in-plastic-factories-feeds-global-packaging-binge

[3] http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2017-12-16-Ilhas-de-plastico-e-lixo-podem-vir-a-ser-consideradas-pais

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A origem do termo Benu (imagem BlueBenu)