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Construção e Reparação Naval

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Por ocasião do 10º aniversário da VERA NAVIS …

… a RM entrevista os Engºs Luís Batista e Pedro Antunes

A VERA NAVIS, constituída em março de 2009, é uma empresa especializada em engenharia naval que emprega engenheiros do ramo naval (a maioria), mas também aeroespacial e química, oferecendo um conjunto completo de serviços, desde a arquitetura e engenharia navais, passando pelos softwares de design e construção naval, até à supervisão.

 

RM: Como surgiu a ideia de constituir esta empresa?

— Em Portugal não existia nenhuma empresa privada com dimensão e capacidade para o mercado de projeto de navios.

— Pensámos que, em pleno cenário de crise financeira, no início de 2009, não haveria melhor altura para entrar no mercado. Todas as empresas ligadas ao sector nos pareciam presas à iniciativa pública e achámos que tínhamos espaço para trabalhar as nossas ideias independentemente da universidade, institutos públicos, etc.

(…) Rapidamente entendemos que teríamos de ser nós próprios a gerar esses desenhos e documentação técnica. Embora difícil, a única opção credível que tínhamos era avançar com as nossas ideias.

— Trabalhámos alguns anos na construção e supervisão de construção de navios, ou seja, estávamos no lado de quem utilizava e tinha de aplicar em estaleiro a documentação técnica fornecida por Gabinetes de Engenharia externos. Para tornar os processos eficientes, identificámos os elementos que a documentação técnica devia conter e tratámos de discutir e sugerir aos Gabinetes emissores de documentação, os quais, não aceitaram bem a nossa ideia uma vez que não tinham ferramentas nem processos internos para automatizar os nossos pedidos.  Rapidamente entendemos que teríamos de ser nós próprios a gerar esses desenhos e documentação técnica. Embora difícil, a única opção credível que tínhamos era avançar com as nossas ideias.

Engenheiro Luís Batista

Diríamos que o core business da VERA NAVIS é a produção de planos de construção de navios a partir de um modelo tridimensional multidisciplinar que cobre as diferentes fases do projeto.

RM: Qual é o core business da VERA NAVIS?

—  Nós fazemos projeto de navios e embarcações. Os nossos clientes são maioritariamente Armadores e Estaleiros de Construção Naval. Também trabalhamos com Gabinetes de Engenharia providenciando serviços complementares aos nossos.

— Trabalhamos em todas as fases do Projeto de Navios, ou seja, no Conceito, Aprovação, Básica e Detalhe. Dentro destas fases de projeto, trabalhamos diretamente na execução de algumas delas, noutras, recorremos a parceiros.

— Diríamos que o core business da VERA NAVIS é a produção de planos de construção de navios a partir de um modelo tridimensional multidisciplinar que cobre as diferentes fases do projeto. A nossa documentação técnica é extraída do modelo tridimensional e de meta dados que permitem explorar e manipular informação. Este conceito garante o acesso e manipulação de informação essencial para que os nossos clientes detenham vantagem competitiva num cenário internacional de competição muito aguerrido. O nosso core business passa por adaptar a nossa documentação às necessidades muito específicas e complexas dos Estaleiros com que trabalhamos.

Engenheiro Pedro Antunes

 

RM: Quais são, presentemente, as capacidades técnicas da VERA NAVIS?

— Temos áreas já bem estabelecidas, algumas em consolidação e outras em fase de arranque. Num passado recente, parte do corpo de gestão da empresa ainda desenvolvia trabalho direto em alguns projetos, nomeadamente, nos primeiros conceitos de navio. Com o crescimento da empresa, algumas destas áreas estão agora a ser consolidadas com pessoal e ferramentas dedicadas. Temos também pessoal dedicado à nossa imagem e comunicação. Nesta fase, a VERA NAVIS tem grande parte da capacidade dedicada ao projeto de detalhe das especialidades principais. Num navio isto significa que conseguimos responder tecnicamente ao detalhe de Estruturas, Redes de Encanamentos, AVAC e Elétrica.

— Com 30 elementos permanentes nos nossos escritórios, conseguimos processar de forma eficiente projetos de grande dimensão e complexidade com prazos exigentes. Ambicionamos consolidar outras áreas do projeto, para as quais estamos a enquadrar recursos humanos e ferramentas, para integração ou desenvolvimento direto.

Projeto de navio de transporte de isco vivo de 85,68m, construção P190 do estaleiro noruguês AasMek

 

RM: Quais foram os vossos mais importantes projetos nos últimos dez anos?

— A VERA NAVIS tem já quase duas centenas de projetos. Tentando ser resumido e elencar os três mais importantes:

  • Começámos com uma empresa líder no desenho de embarcações rápidas do Reino Unido. Trabalhávamos em projeto de detalhe de embarcações até 24 m em alumínio/aço e o nosso cliente trabalhava com ferramentas semelhantes às nossas. Trabalhámos intensamente para conseguir entregar os projetos a tempo, dado as construções serem feitas em Estaleiros de todo o mundo.  Ainda trabalhamos com eles passados 10 anos.
  •  Depois, demos um salto quantitativo com um estaleiro norueguês que é líder na construção e design de Live Fish Carriers. Já tínhamos trabalhado com eles em supervisão de construção em Estaleiros satélite que constroem cascos e encanamentos. Como conhecíamos bem os projetos em causa, e os nossos clientes acreditavam que íamos entregar o que prometemos, foi fácil dar esse passo. A nossa faturação típica por projeto multiplicou por 10 e tivemos que enquadrar pessoal novo. Hoje em dia, o nosso cliente cresceu connosco e entrega dois a três projetos chave na mão. Quando começámos o primeiro projeto com eles, só entregavam dois navios por ano e achámos ser parte do sucesso conseguir entregar mais um navio todos os anos. Nós fornecemos estudos de projeto de Estruturas e pacotes de produção de Estruturas e Encanamentos para todos os Estaleiros onde eles constroem.
  • No final de 2015 a VERA NAVIS estava a avaliar juntar forças com algumas empresas de maiores dimensões para dar escala e capacidade de investimento em novas disciplinas de projeto. Durante as negociações, surgiu um projeto interessante com um Estaleiro Escocês que à altura tinha ganho a construção de dois ferries de grandes dimensões com propulsão MGO-LNG. Decidimos avançar sozinhos e esse projeto permitiu-nos aumentar a equipa e a faturação 3 a 4 vezes. Este projeto é muito complexo e ainda está a decorrer. Pelo caminho, fomos ganhando e entregando outros projetos para o mesmo cliente.
Projeto de ferry LNG-DO, MV Glen Sannox _ de 102.40m, do estaleiro escocês Ferguson Marine

RM: Mantém contactos regulares com Universidades e Institutos Politécnicos?

— Sim, contudo, não com a regularidade e profundidade que necessitamos e entendemos serem as necessárias.

— A VERA NAVIS move-se num meio de negócios muito concreto e exigente no qual o tempo é um bem valioso e todas as intervenções têm que ser ponderadas. Talvez num futuro próximo consigamos desenvolver relações mais constantes e planeadas para a construção de objetivos comuns e tangíveis.

 

RM: Quem são, a nível nacional e internacional, os vossos mais importantes clientes?

— A nossa empresa opera quase exclusivamente no mercado Internacional, dado que são escassos entre nós Armadores, Estaleiros e Gabinetes de Engenharia. A nossa faturação fala por si, 90% de exportação. Os nossos clientes mais importantes são estaleiros e gabinetes de engenharia sediados na Noruega, Reino Unido e França. Em Portugal, o Grupo ETE tem sido o Cliente com o qual desenvolvemos relações comerciais mais intensas nos últimos anos.

 

RM: Quais os mais importantes desafios encontrados na internacionalização da empresa?

— Os mercados internacionais na Europa onde operamos valorizam os nossos serviços em construções de complexidade e grande dimensão. A VERA NAVIS foi criada, cresceu e consolidou-se como uma empresa internacional, nunca vimos a internacionalização como um desafio por si só. Esperamos um dia ter uma presença nacional forte. Temos capacidade instalada suficiente para responder aos maiores desafios.

O logotipo da empresa

Apesar de tudo, continuamos apaixonadamente empenhados em resolver eficientemente problemas complexos e de grande dimensão.

RM: Quais as perspetivas de futuro da VERA NAVIS, no curto/médio e no longo prazo?

— A VERA NAVIS faz uma década de trabalho intenso. Crescemos de uma empresa de duas pessoas para uma empresa de 30 pessoas com engenheiros, desenhadores e pessoal administrativo.

— No curto/médio prazo procuramos consolidar o Gabinete de Conceitos e Engenharia Básica, ou seja, fortalecer os nossos serviços a montante do core-business. No ponto de vista da Gestão queremos continuar a estruturar os nossos processos internos para sermos mais eficientes e competitivos. Comercialmente, desejamos encontrar clientes e projetos desafiantes onde os nossos serviços sejam valorizados.

— O cenário a longo prazo é difícil de estabelecer pois temos muitos objetivos para concretizar e existem imensas oportunidades. Digamos que, conseguir ter um gabinete de engenharia de projeto de navios com recursos humanos e ferramentas especializadas para a execução ou integração de todo o espectro do projeto seria excelente e aliciante.

— Apesar de tudo, continuamos apaixonadamente empenhados em resolver eficientemente problemas complexos e de grande dimensão.