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Emprego e Formação

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O Dia Internacional da Mulher foi oficializado pelas Nações Unidas a 8 de março de 1975. A efeméride, criada para assinalar as lutas sociais, políticas e económicas das mulheres, continua a fazer todo o sentido, basta olharmos para a terrível condição em que vivem muitas mulheres no chamado terceiro mundo ou para o posicionamento secundário das mulheres no mercado de trabalho no Mundo Ocidental, razão que hoje motivou greves e manifestações no país vizinho.

No mar e nas atividades marítimas, apesar do muito que já foi alcançado, a igualdade de oportunidades ainda não é plena. Nem tão pouco está o género feminino desperto para todas as oportunidades de carreira neste sector, razão pela qual a International Maritime Organization (IMO), Organização Marítima Mundial, lançou em 1990 o programa IWMS (Integration of Women in the Maritime Sector) – Integração de Mulheres no Setor Marítimo, que pretende encorajar os estados membros a abrir às mulheres as portas das academias e institutos marítimos, permitindo-lhes beneficiar da formação juntamente com os homens e assim, adquirirem os altos níveis de competência exigidos pela indústria marítima.

Outra prioridade fundamental neste programa é a harmonização regional das questões de género, através do apoio da IMO à criação de associações regionais de mulheres no setor marítimo. Neste momento existem já sete destas associações, a saber duas em África, Ásia, Caribe, América Latina, Oriente Médio e Ilhas do Pacífico.

A IMO continua a apoiar a participação das mulheres em profissões terrestres e marítimas, de acordo com os objetivos definidos no Objetivo 5 do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas: “Alcançar a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e raparigas”, sob o slogan: Formação-Visibilidade-Reconhecimento (Training-Visibility-Recognition).

O testemunho dos primeiros 28 anos do programa IWMS da IMO mostra que melhorar as competências e a igualdade de oportunidades das mulheres contribui para a prosperidade das economias, estimula a produtividade e o crescimento e beneficia todos os interessados ​​da comunidade marítima global.

Em 2016 o prémio da IMO para bravura excecional no mar foi ganho por uma senhora, a Capitão Radhika Menon, comandante do NT SAMPURNA SWARAJYA, um petroleiro de pavilhão indiano com 172m e 33.000T de deslocamento, que resgatou sete pescadores do naufrágio do DURGAMMA, sob ventos de 60 a 70 nós e ondas de 8 metros de altura. Os pescadores estavam à deriva há seis dias.

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Capitão Radhika Menon a receber a honrosa distinção da IMO

Em Portugal a presença das mulheres nas Marinhas de Pesca e Mercante é ainda residual, existindo uma meia dúzia de oficiais embarcadas. No entanto, na Escola Náutica Infante D. Henrique regista-se um número significativo de alunas matriculadas, atingindo 94 num universo de global de 750, ou seja 12,5%. Já no caso da formação nas áreas da pesca, tráfego local e comércio, os totais de mulheres que participaram em cursos da FOR-MAR situa-se nos 7% (dados de 2017).

Na Marinha de Guerra Portuguesa as mulheres representam hoje 10,5% do total de militares no ativo, com 772 militares do sexo feminino. Destas, 45 estão atualmente embarcadas nos dois navios que se encontram em missão em África, a fragata NRP ÁLVARES CABRAL, com 30 e o navio reabastecedor NRP BÉRRIO com 15.

Outras áreas da economia do mar onde as mulheres se estão a evidenciar é o Ensino Superior, nomeadamente na investigação científica, na biologia e na oceanografia, e os Desportos Náuticos, nomeadamente na Vela de Competição, especial referência para Joana Pratas, a primeira velejadora portuguesa a classificar-se para representar Portugal em Jogos Olímpicos, no caso os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, proeza que viria a repetir em Sidney, em 2000. Também uma referência para Catarina Fagundes, em prancha à vela, que também representou as cores nacionais nos Jogos Olímpicos de Atlanta. Mais recentemente a Vela Olímpica Feminina fez-se representar por Sara Carmo e Mariana Lobato, ambas estiveram presentes em Londres 2012, tendo a primeira voltado a repetir idêntica façanha nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Mas é no caso das modalidades integradas na Federação Portuguesa de Surf, em particular no caso do surf e do bodyboard, que o crescimento da participação feminina é um verdadeiro fenómeno, com um número cada vez maior de praticantes e de atletas de alta competição, somando prémios importantes, como vitórias em campeonatos mundiais e europeus. Aqui surgem nomes como Joana Schenker tetra-campeã europeia e campeã do mundo 2017 de bodyboard, Teresa Almeida campeã do mundo de bodyboard em 2013 e as campeãs europeias Teresa Padrela (Bb), Madalena Guerra (Bb) Mafalda Lopes (Surf) e Carol Henrique (Surf).

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Bodyboarders portuguesas no podium do Circuito Nacional, na Ericeira, em 2017. (foto surfingportugal.com)

A Revista de Marinha, congratula-se com o muito que já foi alcançado em Portugal em prol da igualdade de oportunidades e de tratamento entre géneros, mas reconhece a necessidade de se continuar a pugnar por uma maior presença das mulheres nos sectores tradicionalmente dominados pelos homens, como é exemplo o sector marítimo.