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Marinha de Guerra

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Esse espírito, essa atitude, essa forma de estar é transversal a todos os que ousaram mergulhar no reino do Rei Neptuno e tiveram a oportunidade de escutar as profundezas dos mares.

Porquê uma Associação de Submarinistas?

Os submarinos nacionais, no princípio do século XX, em 1913, designados como submersíveis, constituem-se, desde a data do seu aumento ao Sistema de Forças, como um meio naval de excelência e Portugal, uma nação marítima incondicional desde os tempos do Infante D. Henrique, teve sempre uma relação privilegiada com o mar. Mas se o mar é, no dizer do prosélito Cardeal Richelieu (1585-1642), “… das heranças que todos os soberanos mais pretendem e, entretanto, é aquela cujos direitos estão menos esclarecidos” concluindo afirmando que, … “Os verdadeiros títulos desse domínio são a força e não a razão.”, não haverá, hoje como no passado, país ribeirinho que não entenda os submarinos como uma arma que, com recurso às suas característica e especificações próprias, não se afirme como essencial na política de defesa e segurança nacionais e contribua para o equilíbrio entre as nações, num contexto global.

Grupo de Sargentos do NRP BARRACUDA, em Málaga, durante um exercício TAPON no ano de 1986. Da esquerda para a direita e de trás para a frente, 1SAR ETC Calado, 2SAR E Farinha, 1SAR MQ Araújo, 2SAR ETS Messias, 2SAR ETS Pinheiro e 1SAR ETI Carmo. (imagem António Araújo)
Grupo de Sargentos do NRP BARRACUDA, em Málaga, durante um exercício TAPON no ano de 1986. Da esquerda para a direita e de trás para a frente, 1SAR ETC Calado, 2SAR E Fari Araújo, 2SAR ETS Messias, 2SAR ETS Pinheiro e 1SAR ETI Carmo. (imagem António Araújo)

Contudo, falar em submarinos sem uma referência a todos os marinheiros que operam estas máquinas é uma omissão de palmatória. Ao longo destes mais de 100 anos da existência de submarinos terão sido centenas os homens – oficiais, sargentos e praças – que deram corpo a cada uma das páginas em que, dia a dia, a sua história se foi escrevendo. Com um elevado espírito profissional e detentores de um enorme sentido de solidariedade, companheirismo, sabendo ouvir o próximo, sempre souberam como ultrapassar as difíceis condições de habitabilidade e restrições de vária ordem impostas pelo meio em que exerciam o seu mister. Todos eram conhecedores do navio e, conhecedores de que da sua actuação poderia advir dano para a guarnição e para o navio, eram cientes da importância da sua função, exercendo-a com um verdadeiro empenho e sentido de missão, com a convicção plena de que quando a escotilha de embarque se fechava e o navio largava amarras, o mundo exterior não existia. Esse espírito, essa atitude, essa forma de estar é transversal a todos os que ousaram mergulhar no reino do Rei Neptuno e tiveram a oportunidade de escutar as profundezas dos mares. Todos os que tiveram esse privilégio fazem parte da Família Submarinista.
É esta Família Submarinista, que hoje, com a criação da Associação dos Submarinistas de Portugal, se convoca.

A ideia de criar uma associação nasceu do sucesso das muitas tertúlias realizadas e sempre muito concorridas pelos velhos submarinistas. (imagem do Facebook Submarinistas de Portugal)
A ideia de criar uma associação nasceu do sucesso das muitas tertúlias realizadas e sempre muito concorridas pelos velhos submarinistas. (imagem do Facebook Submarinistas de Portugal)

Um grupo de antigos submarinistas tomou recentemente a iniciativa de criar uma associação.

A proposta apresenta os seguintes objetivos estatutários:

Promover, desenvolver e consolidar a camaradagem e solidariedade navais entre submarinistas, nomeadamente através de actividades culturais e recreativas, contribuindo para dinamizar o convívio entre sócios.
Divulgar a arma submarina e apoiar acções de esclarecimento da missão dos submarinos, em sintonia com a política e objectivos da Marinha.
Contribuir para a preservação e protecção da herança histórica dos submarinos, de forma autónoma, em acções coordenadas com a Marinha, em colaboração com entidades públicas ou privadas.
Promover e desenvolver relações entre esta Associação e associações congéneres de outras nacionalidades.
Manter um contacto permanente com os associados.
Contribuir para o bem-estar dos antigos submarinistas e das suas famílias

No passado dia 8 de outubro, alguns membros que integram a comissão instaladora da ASubPOR foram recebidos pelo Alm. CEMA. A reunião decorreu muito bem tendo havido a oportunidade de transmitir ao chefe da Armada os objectivos da Associação, qual a sua inspiração e realçado os aspectos em que, apesar da sua natureza autónoma e civil, na sua opinião, se poderia verificar uma frutífera colaboração com a Marinha de Guerra. Pela sua parte o Alm. CEMA manifestou apreço pela iniciativa e, tecendo considerações quanto à importância de que a Associação se poderia revestir no futuro, desejou aos presentes os maiores sucessos.

A Comissão instaladora da ASubPOR com o ALM CEMA. Da esq p a direita Luís Sousa, José Campos, Alm Mendes Calado, António Araújo e António Valido (imagem MGP)
A Comissão instaladora da ASubPOR com o ALM CEMA. Da esq p a direita Luís Sousa, José Campos, Alm Mendes Calado, António Araújo e António Valido (imagem MGP)

A Revista de Marinha, cuja redação também inclui antigos submarinistas, congratula-se muito com esta iniciativa e deseja muitas imersões e emersões seguras à nova instituição.

Caso seja submarinista ou tenha trabalhado na Esquadrilha de Submarinos da Marinha de Guerra Portuguesa, pode entrar em contacto com a ASubPOR e manifestar o seu desejo de pertencer à nova Associação. Para isso aqui ficam os contactos: asubportugal@gmail.com ou telefone 919 103 915.

(Colaboração da Comissão Instaladora da ASubPOR)