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Marinha de Guerra

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Os navios de guerra de minas Tripartite

Estiveram de visita ao porto de Leixões três caça-minas do tipo “Tripartite”. Foram eles o M916 BELLIS e o M921 LOBELIA, ambos da Marinha Belga e o M861 URK, da Marinha Holandesa. Entraram no dia 15, procedentes de Zeebrugge, os dois últimos, enquanto que o BELLIS veio de Cherbourg. Saíram no dia 18 com destino a Toulon, onde foram participar nos grandes exercícios aliados que se desenrolaram no Mediterrâneo.

O draga-minas da Marinha Real Holandesa ZrMs URK atracado na Doca nº1 do porto de Leixões (imagem Reinaldo Delgado)
O draga-minas da Marinha Real Holandesa ZrMs URK atracado na Doca nº1 do porto de Leixões (imagem Reinaldo Delgado)

O BELLIS construído em 1984, entrou ao serviço em 13 de Agosto de 1986, enquanto que o LOBELIA, construído em 1986, entrou ao serviço em 8 de Julho de 1989. Quanto ao navio URK, unidade da classe ALKMAAR, construído em 1984, está ao serviço da Marinha Holandesa desde 10 de Dezembro de 1986. Têm um deslocamento na ordem das 570 toneladas, 52 metros de comprimento e 9 metros de boca.

Os draga-minas belgas M916 BELLIS e M921 LOBELIA atracados na doca nr.1 de Leixões (imagem Reinaldo Delgado)
Os draga-minas belgas M916 BELLIS e M921 LOBELIA atracados na doca nr.1 de Leixões (imagem Reinaldo Delgado)

Os caça-minas do tipo “Tripartite”, como o próprio nome indica, foram pensados para integrar as esquadras de três países, a saber, a Bélgica, França e Holanda. Actualmente, por venda das marinhas dos países construtores, algumas destas unidades equipam igualmente as esquadras das marinhas da Bulgária, da Letónia, da Indonésia e do Paquistão.

Existe a previsão que os navios desta classe, que à data contabilizam cerca de 35 anos de vida útil, possam vir a ser substituídos a partir de 2027.

O navio hidrográfico ANDRÉ MALRAUX atracado na doca nº1 do porto de Leixões (imagem Reinaldo Delgado)
O navio hidrográfico ANDRÉ MALRAUX atracado na doca nº1 do porto de Leixões (imagem Reinaldo Delgado)

O navio hidrográfico ANDRÉ MALRAUX

Igualmente na doca nº1 do porto de Leixões, onde esteve entre os dias 19 e 21 de setembro, registámos a presença do navio hidrográfico francês ANDRÉ MALRAUX, cujo nome  presta homenagem a um notável escritor, político e intelectual francês que, em 1966, fundou o DRASSM (Departamento de Pesquisas Arqueológicas Subaquáticas). É um navio ainda bastante recente, entregue em 2012, ano em que entrou ao serviço substituindo outro navio de características idênticas, o ARCHÉONAUTE, que tinha estado ao serviço do Ministério da Cultura francês ao longo de 43 anos.

O ANDRÉ MALRAUX tem o casco feito de materiais compósitos, mede 36,3 metros de comprimento por 8,85 metros de boca, e um calado de 3,2 metros. Desloca 275 toneladas, tem propulsão diesel-elétrica e pode navegar a uma velocidade de 13 nós.

Vista de proa em pormenor do NH ANDRÉ MALRAUX (imagem Reinaldo Delgado)
Vista de proa em pormenor do NH ANDRÉ MALRAUX (imagem Reinaldo Delgado)

Permite acomodar durante vários dias uma quinzena de marinheiros e cientistas, porém, em caso de necessidade pode também embarcar, quando em acções diárias, uma equipa de 30 pessoas, dos quais 20 mergulhadores.

O navio tem um domo sob o casco que incorpora um sonar multifeixe, um celerímetro e uma sonda de temperatura. Está também equipado com uma grua e um pórtico com capacidade para 6 toneladas, permitindo o lançamento vários equipamentos, por exemplo de veículos subaquáticos não tripulados. Esses meios de elevação também são usados ​​para deslocar sistemas rebocados (como magnetómetros) e para embarcar, no convés, contentores especializados (logística, processamento de informações, equipamentos científicos, estações hiperbáricas, etc.)

Perspectiva de alheta, vendo-se o pórtico, a grua e um contentor no tconvés. (imagem Reinaldo Delgado)
Perspectiva de alheta, vendo-se o pórtico, a grua e um contentor no tconvés. (imagem Reinaldo Delgado)

Está dotado de um sistema de posicionamento dinâmico que lhe permite trabalhar em diferentes condições de mar e operar desde a orla costeira até aos limites da Zona Económica Exclusiva francesa. Tem capacidade para realizar campanhas de prospecção “simples”, como escavações exaustivas e metódicas em águas pouco ou muito profundas.

 

A DRASSM e o património subaquático

ANDRÉ MALRAUZ não é um navio de guerra, mas sim um navio do estado francês, ao serviço do Ministério da Cultura, através do DRASSM, entidade que tem a competência de gerir administrativa e cientificamente todos os bens culturais marítimos nas águas territoriais francesas (continente e ultramar). Neste contexto, o ANDRÉ MALRAUX está principalmente atribuído à produção do mapa arqueológico subaquático francês, à perícia de naufrágios ou ao estudo dos locais mais ameaçados.