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Náutica de Recreio

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A America’s Cup, troféu desportivo mais antigo no mundo, é o retrato perfeito que sustenta esta máxima (…)

Durante as últimas décadas desta prestigiada prova mundial, os segredos tecnológicos das embarcações são também parte integrante do “jogo” entre adversários.

Durante a regata do Natal, as equipas neozelandesa da Emirates Team New Zealand, e britânica da Ineos Team UK, em Auckland, NZ (imagem Stefano Gattini)

Durante a regata do Natal, as equipas neozelandesa da Emirates Team New Zealand, e britânica da Ineos Team UK, em Auckland, NZ (imagem Stefano Gattini)

Durante a regata do Natal, a equipa neozelandesa da Emirates Team New Zealand (pormenor da imagem de Stefano Gattini)
Durante a regata do Natal, a equipa neozelandesa da Emirates Team New Zealand (pormenor da imagem de Stefano Gattini)
A equipa britânica da Ineos Team UK (pormenor da imagem de Stefano Gattini)
A equipa britânica da Ineos Team UK (pormenor da imagem de Stefano Gattini)

É recurso normal do autor invocar na argumentação de alguns artigos, a sabedoria popular para transmitir o conteúdo dos provérbios e ditados usados quotidianamente, onde por norma o seu significado expressa por vezes, verdades da erudição sustentada na experiência da humanidade em sociedade.

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, não é provérbio, mas trata-se de uma máxima já assimilada nacionalmente, que traduz o valor sábio oriundo do título de um poema do mais icónico poeta português, Luís Vaz de Camões, símbolo da pátria Portugal.

Porquê o recurso a este título?  A America’s Cup, troféu desportivo mais antigo no mundo, com origem em 1851 – 170 anos – é, para o autor, o retrato perfeito que sustenta esta máxima. Ao longo da sua história, as sucessivas peripécias de alterações de condições impostas pelos vários sucessivos ganhadores, de edição para edição, justificam a convicção das constantes exigências, tornando-se já parte integrante do “jogo”. A actual edição, a 36ª não fugiu à regra.

Duelo renhido entre os barcos da New York Yacht Club American Magic e da Luna Rossa Prada Pirelli Team, durante o primeiro dia das meias finais, no dia 29 de janeiro (imagem Carlo Borlenghi)
Duelo renhido entre os barcos da New York Yacht Club American Magic e da Luna Rossa Prada Pirelli Team, durante o primeiro dia das meias finais, no dia 29 de janeiro (imagem Carlo Borlenghi)

A presente edição, sob a organização da Nova Zelândia, actual detentora da Taça, que após tentativas repetidas mal sucedidas de recuperação do troféu, conseguiu em 2017, colmatar os infortúnios que transportava desde 2007. Pelas prerrogativas alcançadas com a vitória, imprimiu como uma das exigências: local de competição do seu bem conhecido e difícil plano de águas de Auckland; outra exigência, “duelos” em novos monocascos (AC75), contudo bem diferentes dos clássicos monocascos, pois os agora optados movem-se a velocidades excessivas (até 50 nós), por navegarem fora de água graças à ajuda de foils laterias hidráulicos, que provocam o sobrelevar o casco aquando em andamento, situação idêntica já observada nos catamarans das anteriores gerações de 2013 e 2017, que se assemelhavam a plataformas larguíssimas que dificultavam a ocorrência das bonitas típicas manobras de confrontos de match-racing, imagens que se guardam na memória de um passado não muito longínquo. Os actuais monocascos também têm alguma dificuldade de movimentos curtos e agéis, estimulando os observadores a uma sensação de assistirem ao visionamento de vela circense. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

A equipa italiana Luna Rossa Prada Pirelli Team, durante o primeiro dia das meias finais, no dia 29 de janeiro (pormenor da imagem Carlo Borlenghi)
A equipa italiana Luna Rossa Prada Pirelli Team, durante o primeiro dia das meias finais, no dia 29 de janeiro (pormenor da imagem Carlo Borlenghi)

quem consegue inovar no sentido de um melhor rendimento em prova, guarda segredo e esconde-o dos olhares (…)

As soluções diferenciadas a bordo de cada embarcação são inúmeras e especuláveis para quem as tenta decifrar, sendo difícil perceber para que serve o quê.

Conforme se vem observando durante as últimas décadas desta prestigiada prova mundial, os segredos tecnológicos das embarcações são também parte integrante do “jogo” entre adversários; quem consegue inovar no sentido de um melhor rendimento em prova, guarda segredo e esconde-o dos olhares. As opções técnicas na escalada do tempo são inúmeras, vertiginosas e fazem a diferença, sendo quase impossível serem copiadas no curto espaço de tempo entre regatas. Em Auckland a situação repete-se e os segredos das embarcações não são visíveis para quem os observa, sendo as soluções a bordo de cada barco, diferenciadas e com certeza com inúmeras finalidades especuláveis para quem as tenta decifrar, sendo difícil perceber para que serve o quê.

A equipa New York Yacht Club American Magic, durante o primeiro dia das meias finais, no dia 29 de janeiro (pormenor da imagem Carlo Borlenghi)
A equipa New York Yacht Club American Magic, durante o primeiro dia das meias finais, no dia 29 de janeiro (pormenor da imagem Carlo Borlenghi)

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

A discussão da 36ª edição da Taça será em Março de 6 a 15, até lá, a eleição do Challenger é feita entre os vários desafiadores que se apresentaram à chamada e foram três países:

  • “Ineos Team UK” (Reino Unido)
  • “Luna Rossa Prada Pirelli Team” (Itália)
  • “NYYCA American Magic” (Estados Unidos da América)

Entretanto de 15 de Janeiro a 22 de Fevereiro, está a ocorrer o apuramento do Challenger, numa prova específica para o efeito, sobressaindo o “melhor” e “mais habilitado” classificado entre os concorrentes para o desejado confronto na America’s Cup propriamente dita. No passado esse prémio era distinguido pela vitória no “Troféu Louis Vuitton”, nome sobejamente conhecido da alta roda da moda e do luxo, hoje esse patrocinador saiu de cena, ao fim de mais de 35 anos de casamento, consequência de um interregno forçado e desmobilizador, provocado por mais um dos habituais fait divers, que por norma acabam em tribunal sem consequências favoráveis a bem do evento e da vela.

America's Cup - O AC75 da equipa italiana Luna Rossa Prada Pirelli Team, em plena prova meias-finais do dia 30 de janeiro (imagem Carlo Borlenghi)
O AC75 da equipa italiana Luna Rossa Prada Pirelli Team, em plena prova meias-finais do dia 30 de janeiro (imagem Carlo Borlenghi)

Como consistia e agora também consiste, a forma de apuramento?

– Confrontos directos, em provas de round-robins, entre todos os sindicatos candidatos ao título de Challenger, os dois sindicatos/equipas/países, que somam mais pontos nas sucessivas eliminatórias seguem até à Final, onde o vencedor do troféu recebe o ambicionado prémio de defrontar o detentor da “America’s Cup”.

Com esta 36º edição, o troféu de apuramento do Challenger deixou de vestir Louis Vuitton, para vestir outra luxuosa marca de prestígio mundial – Prada – e com essa mudança de imagem a exuberante Taça “One Hundred Guinea Cup” (America’s Cup), que na sua qualidade de excelência de elegância, era transportada com a maior comodidade e reconhecido estatuto da sua magnitude, numa mala única e de valor incalculável com imagem e chancela Louis Vuitton. Interrogamo-nos agora, que é provável que a comodidade do transporte, tenha ela também sido substituída, no mínimo, por igual preciosidade a honrar o nome do seu actual patrocinador Prada.

Vamos tentar decifrar esta dúvida nas revistas sociais côr de rosa, porque também isto faz parte da história presente deste evento.

Pormenor da tripulação italiana da Luna Rossa Prada Pirelli Team (imagem Carlo Borlenghi)
Pormenor da tripulação italiana da Luna Rossa Prada Pirelli Team (imagem Carlo Borlenghi)

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Uma coisa é certa, mudou o nome do troféu que assegura o acesso à America’s Cup: é o “Troféu Prada”. Neste momento já terminou a 1ª fase de apuramento entre as três equipas, ficando a “Ineos Team UK” do Reino Unido, directamente apurada para a fase Final, as duas restantes equipas em confronto na Meia Final, ao defrontarem-se, a “Luna Rossa Prada Pirelli Team” da Itália eliminou os ex-detentores da Taça, os americanos do “NYYCA American Magic”.

“Ineos” ou “Luna Rossa” subirão ao palco rainha para confrontar os neozelandeses da “Emirates Team New Zealand”, a acontecer uma vitória de uma das equipas europeias sobre a Nova Zelândia, um novo paradigma surgirá na história da America’s Cup, ou o Reino Unido faz regressar ao fim de 170 anos a Taça ao local onde a perdeu e nunca a conseguiu recuperar, ou pela primeira vez a Itália leva a Taça ao país que há muitos anos sem êxito, procura este galardão de vela no seu palmarés.

Que ganhe o merecedor.

 

Nota: ver mais informação aqui e na RM n.º 1009 (Maio-Junho 2019) exclusivo para assinantes. Quer assinar?