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… de um mar de oportunidades, às oportunidades para as profissões do mar

O projeto Escola do Mar dos Açores (EMA) largou amarras, fazendo-se ao largo para abraçar o desafio de navegar nas rotas da formação e qualificação profissional para o mar. Embarcação pronta e aparelhada (inaugurada em junho de 2020), este projeto ruma agora para a capacitação da sua guarnição e para o desenho das rotas que queremos navegar a curto, médio e longo prazo!

Enquanto Centro de Formação e Estabelecimento de Ensino Profissional, a EMA é a “embarcação operacional” da Associação para o Desenvolvimento e Formação do Mar dos Açores (ADFMA), uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, constituída a 3 de abril de 2019, com sede no edifício da ex-Estação Rádio Naval da Horta, porto de abrigo desta escola. Fruto de uma parceria público-privada, que conta como sócios fundadores a Região Autónoma dos Açores, a Universidade dos Açores, o Município da Horta e a Escola Náutica Infante D. Henrique, a ADFMA tem como principal área geográfica de intervenção a Região Autónoma dos Açores e zonas marítimas sob jurisdição nacional adjacentes ao arquipélago, podendo estender-se a outras regiões nacionais ou estrangeiras, assumindo-se desde logo a importância da extensão da sua ação no Oceano Atlântico.

A Escola de Mar dos Açores, está localizada nas antigas instalações da Estação Rádio Naval da Horta (imagem EMA)
A Escola de Mar dos Açores, está localizada nas antigas instalações da Estação Rádio Naval da Horta (imagem EMA)

Acreditamos que a EMA tem se assumir como ponto de encontro e polo agregador de oportunidades que emergem na Região Autónoma dos Açores, mas também no espaço mais alargado do país, da Macaronésia, do Atlântico …

Concertada com a estratégia do Governo Regional dos Açores, a Escola do Mar dos Açores tem como missão a promoção da formação profissional técnica, não superior, para o cluster do Mar. Esta é uma demanda urgente e fundamental para a Região Autónoma dos Açores: urge efetivamente consolidar este projeto com vista à criação de uma oferta formativa profissional e tecnológica para as profissões do mar, capaz de dotar os ativos empregues em atividades diretas e conexas ao mar (a bordo e em terra), de um perfil de competências capaz de responder aos requisitos de empregabilidade no século 21! Urge, pois, a consolidação deste projeto, não só como polo potenciador da capacitação de marítimos e demais profissionais que atuam em espaço marítimo e costeiro, como também espaço de diálogo e partilha entre especialistas, entidades e profissionais, que são a força motriz das atividades do mar. Efetivamente, este diálogo e partilha de conhecimento e experiência adquirida entre agentes é estruturante para a economia local e regional dos Açores. Acreditamos que a EMA tem se assumir como ponto de encontro e polo agregador de oportunidades que emergem na Região Autónoma dos Açores, mas também no espaço mais alargado do país, da Macaronésia, do Atlântico … e acreditamos que o potencial de campanha está diretamente relacionado com a qualidade das parcerias e sinergias que daí advierem. Este tem que ser um dos princípios orientadores na nossa navegação, pois só através da articulação concertada com as entidades públicas e privadas envolvidas, direta ou indiretamente, nos assuntos do mar, como sejam a comunidade científica, o tecido empresarial, as associações profissionais, os profissionais e as empresas públicas da Administração Regional, será possível delinear uma estratégia e um plano de ação em torno de objetivos comuns e tendentes ao desenvolvimento de oferta formativa, de qualidade e certificada, para as profissões do mar, que seja, por si, conducente à criação e desenvolvimento de dinâmicas empreendedoras e de capacitação de empresas capazes de tornar viável o cluster do Mar. Este deverá ser o nosso contributo para as estratégias regionais, nacionais e europeias para o mar.

Tripulantes da ATLANTICOLINE. As tripulações dos navios de transporte de passageiros vão beneficiar da formação dada na EMA (imagem João Gonçalves)
Tripulantes da ATLANTICOLINE. As tripulações dos navios de transporte de passageiros vão beneficiar da formação dada na EMA (imagem João Gonçalves)

Os Açores, pela sua posição geográfica, desde sempre tiveram uma importância estratégica à escala internacional.

Cientes da abrangência do leque de ofertas formativas a contemplar na EMA, enquanto estabelecimento de ensino e formação de especialidade para a capacitação de ativos para o cluster do Mar do Séc. XXI, a estratégia definida para este triénio, que agora arranca, tem como principal objetivo a criação de condições operacionais e técnico-pedagógicas que permitam tornar a EMA numa escola de referência para a qualificação e certificação de profissionais em áreas tão diversas como a navegação, transporte, atividades marítimo-turísticas, segurança, monitorização do espaço marítimo, operações portuárias e logísticas, manutenção, reparação e construção naval, e processamento, conservação e valorização comercial do pescado, entre outras. Na preparação de cada campanha, importa igualmente assumir um compromisso sério com os princípios da conservação e sustentabilidade marinhas, não só através dos curricula, como também através de uma linha de ação transversal de cidadania e literacia do Oceano, devidamente alinhada com a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e com as diretrizes nacionais e internacionais de Literacia do Oceano.

A Escola de Mar dos Açores vai beneficiar a indústria das atividade marítimo-turísticas (imagem João Gonçalves)
A Escola de Mar dos Açores vai beneficiar a indústria das atividade marítimo-turísticas (imagem João Gonçalves)

Os Açores, pela sua posição geográfica, desde sempre tiveram uma importância estratégica à escala internacional, nomeadamente devido ao intenso tráfego marítimo das rotas transoceânicas, que faziam cruzar nas nossas ilhas pessoas e bens, marcando profundamente as diversas atividades marítimas e costeiras que são hoje estruturantes na Região. Entre estas destacam-se a pesca, o transporte de pessoas e mercadorias, a construção naval, a náutica e o turismo e lazer, a investigação científica marinha e a conservação do ambiente e dos recursos marinhos. Este é precisamente o nosso espaço físico e humano de operação. E esta é a conjetura geoestratégica que coloca os Açores e a EMA enquanto centro de excelência para a dinamização de processos de ensino, formação e qualificação de ativos para o cluster do Mar, tirando partido de uma condição única de “porto” entre estes “destinos” e potencial local de encontro entre parceiros.

É, pois, assumindo como porto de partida a cidade da Horta, cuja matriz histórica está marcada pelas gentes do mar, que a EMA deverá colocar a carta de navegação na mesa e traçar rota rumo a um novo paradigma da educação / formação / qualificação de ativos para as atividades do mar … rumo a Novos Rumos!