Mergulho

CORCEIRA: um novo spot de mergulho na Madeira

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A corveta AFONSO CERQUEIRA,  encontra-se assente no fundo, direita, a uma profundidade de cerca de 30 metros.

Após o afundamento da antiga corveta ex-N.R.P. PEREIRA D’EÇA, em 2016, ao largo da Ilha de Porto Santo, seguiu-se em 4 de setembro de 2018 o afundamento da corveta ex-N.R.P. AFONSO CERQUEIRA, agora na costa sul da Ilha da Madeira. Este será o primeiro de um total de três antigos navios da Armada que estão previstos ser afundados na costa da Madeira, até finais de 2020. Para além da AFONSO CERQUEIRA, afundada na zona do conhecido Cabo Girão, umas dezenas de milhas a oeste do Funchal, está previsto o afundamento de um navio patrulha da classe CACINE (44 metros de comprimento) e uma outra corveta (84 metros de comprimento), estes dois, possivelmente, entre o Funchal e a Ponta de São Vicente.

A corveta N.R.P. Afonso Cerqueira, numa das suas últimas presenças nos Açores, no dia 17 de dezembro de 2013, durante a manobra de aterragem a Vila do Porto, na ilha de Santa Maria. (imagem Mário Silva)
A corveta N.R.P. Afonso Cerqueira, numa das suas últimas presenças nos Açores, no dia 17 de dezembro de 2013, durante a manobra de aterragem a Vila do Porto, na ilha de Santa Maria. (imagem Mário Silva)

A CORCEIRA, de seu indicativo de chamada radiotelefónico, ou como também era conhecida – foi afundada pela mesma equipa que afundou a PEREIRA D’EÇA, em Porto Santo, encontrando-se assente no fundo, direita, a uma profundidade de cerca de 30 metros. Como é habitual, todos os materiais poluentes ou potencialmente poluentes foram retirados, e o navio foi preparado em termos de ser seguro aos mergulhadores habilitados a realizar a penetração no seu interior (talvez um pouco demais, na minha opinião). Assente num fundo de areia, pode ser visitada por mergulhadores com os vários tipos de certificação. No interior, tem vários pontos de interesse para os fotógrafos, como a cozinha e alguns equipamentos dispersos pelo navio. Já no exterior, para além de, desta vez, ter sido afundada com as hélices, também levou consigo a peça de 100 mm, na proa, e as duas peças de 40 mm, a meio navio.

No interior da ponte, a roda do leme já não será segura por mais nenhum marinheiro do leme, da mesma maneira que a cadeira do comandante não poderá ser ocupada. (imagem Augusto Salgado)
No interior da ponte, a roda do leme já não será segura por mais nenhum marinheiro do leme, da mesma maneira que a cadeira do comandante não poderá ser ocupada. (imagem Augusto Salgado)
Vista superior de meio-navio a Estibordo, identificando-se uma das peças Bofors de 40mm e parte do parque do héli (imagem Augusto Salgado)
Vista superior de meio-navio a Estibordo, identificando-se uma das peças Bofors de 40mm e parte do parque do héli (imagem Augusto Salgado)

Embora no Verão as águas na zona sejam habitualmente limpas, na minha ida ao navio, agora no início de abril, tal não ocorreu. Chuvas fortes e vento de uma direção “errada” trouxeram muitos sedimentos e a visibilidade, infelizmente, estava francamente má.

A vida marinha começa aos poucos a colonizar o destroço, principalmente pequenos peixes e, pelo menos, dois pequenos polvos. No interior, a finíssima areia vulcânica cobre quase todas as superfícies, pelo que os mergulhadores devem ter cuidado em não prejudicar o mergulho dos restantes visitantes, em especial, dos mergulhadores fotógrafos.

Infelizmente, não existem Centros de Mergulho nas proximidades da CORCEIRA, pelo que as idas ao local obrigam a uma viagem de, pelo menos, 25 minutos. Percebendo embora que há o interesse em diversificar os locais/zonas de mergulho na costa da Ilha da Madeira, apetece-me perguntar a alguém por que razão o primeiro dos três navios foi afundado neste local tão afastado …

A CORCEIRA está afundada ao largo do Cabo Girão (pormenor duma Imagem de Frank Nürnberger por Pixabay)
A CORCEIRA está afundada ao largo do Cabo Girão (pormenor duma Imagem de Frank Nürnberger por Pixabay)
Augusto Salgado

O Cte Augusto Salgado é oficial da Armada, doutorado em História dos Descobrimentos, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Membro efetivo ​da Academia de Marinha e da Comissão Portuguesa de História Militar. Tem vasta obra publicada sobre História Naval e Arqueologia Subaquática. É colaborador da Revista de Marinha desde finais de 2003.

2 Comentários

  1. Schieder Da Silva Responder

    O naufrago serve como se de um Luna Parque se tratasse para os peixes.
    No meu caso em particular nao gosto,porque me faz lembrar os muitos marinheiros mortos em naufragios durantes as guerras,è sinistro este ato,mas se para alguns nao è,entao tenho que aceitar o feito como ato praticado,mas nunca irei ver tal obra,mesmo quando vem na imprensa passo ä frente,mudo de canal.

  2. Schieder Da Silva Responder

    Eu pessoalmente nao concordo com o afundamento dos navios,estes pertencem ä sucata para fazer novos materiais,os peixes nao precisam de navios para se abrigarem,os navios sao para se navegarem,fora disso isto aqui e no atual quadro de poluiçao nao passa disso mesmo,poluiçao dos mares em grande estilo,porque os navios nao devem de ser utilizados para este fim.
    No entanto se os responsäveis assim o entendem,que o façam,sem esquecer de que para se adquirir ferro tem-se que cavar as profundezas da Terra,e para isso sao precisos homens para o fazer e nao è tarefa fäcil.

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