Ciência e Tecnologia

COVID-19 e Guerra Biológica

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Com virus que matam Humanos e que não conseguimos aniquilar não há proporcionalidade. Há guerra biológica.

É como alguém que quer entrar armado, a disparar, contra alguém que está em casa e nem arma tem. Tem de se atrasar a entrada do ataque de quem vem armado a disparar até que venha Autoridade e acabe com a ameaça que é, tal como o vírus, total e completamente assimétrica.

A guerra biológica tem doutrina escrita, tem métodos e táticas de emprego bem estabelecidas. São feitas manobras, exercícios, é treinada (os hospitais na China montados em meia dúzia de dias são a demonstração que, semana sim, semana sim, treinam contramedidas de guerra biológica).

O antigo Hospital da Marinha, no Campo de Santa Clara, foi fechado em 2006.
O antigo Hospital da Marinha, no Campo de Santa Clara, foi fechado em 2006.

Em Portugal até havia o Hospital das Infectocontagiosas na Boa Hora e outros com Pessoal treinado em guerra biológica e enquanto houve Hospital de Marinha também. Há ou havia pelo menos até ao Comando das Forças Armadas do General Pina Monteiro uma companhia especializada em guerra NBQR (nuclear, biológica, química e radiológica) com standards de prontidão da NATO. Seria bem falar com o Pessoal que sabe e treina sobre este assunto.

O que a China faz, o que a Rússia faz e os EUA estão a fazer é desencadear, no terreno, o que sabemos de contramedidas numa guerra biológica em todos os aspectos. A Europa, com excepção da Alemanha, nem tem noção da realidade que em tudo se comporta como um ataque de guerra biológica. Não resulta da agressão de um país a outro, mas de um vírus à espécie Humana; mas não deixa por isso de ser guerra biológica.

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Equipa Avançada do Laboratório de Defesa Biológica e Equipa de Descontaminação do Elemento de Defesa Química Biológica e Radiológica (foto Revista Militar)

A incúria Europeia, com excepção da Alemanha, é escondida por detrás de argumentos relativamente à China de que é um país comunista e uma ditadura, à Rússia de que também é quase uma ditadura e aos EUA de que têm o Presidente que têm.

O que a China, a Rússia e os EUA estão a fazer é a pôr no terreno a tática e a doutrina da Guerra Biológica e a conseguir utilizar o Pessoal de Saúde apenas na última linha de defesa. Têm na linha da frente da frente de combate Militares, GNR, Polícia, Protecção Civil e a População em geral a garantir a desinfecção pública e sobretudo  o isolamento usando força se necessário for para que nesta luta assimétrica (vírus que mata e não é possível exterminá-lo)  sejam, através do isolamento, infectados o menor número possível para que não chegue uma avalanche às portas do último reduto, o hospital.

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Antigo Hospital Militar de Belém, na Boa Hora, em Lisboa (foto Ricardo Filipe Pereira via wikimedia)

Não se pode deixar tudo à mercê e chegar ao Pessoal da Saúde e o Hospital com massas de infectados. Não podemos transformar a retaguarda (o Pessoal de Saúde e o hospital) na frente do combate.

O que a Europa faz é isto: só dá batalha na última linha de defesa.

Não podemos numa guerra biológica não ter o envolvimento de todos e deixar que o Pessoal na frente da frente sejam Médicos e Enfermeiros e Gente da Saúde. Esses devem estar a defender o último reduto, a barbacã dos tempos medievais. Não podem ser quem está na frente da frente.

Na frente, na frente da frente da guerra biológica temos de estar todos nós, garantindo higiene pública e individual e isolamento com muita solidariedade e quando e se necessário garantido pela força do Estado. Quem, só por que sim, não se isola o máximo que pode, está a baldar-se para o lado do vírus e entregar a nossa vida à ameaça biológica mortal que o vírus traz.

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O edifício do Laboratório Militar, em Lisboa (foto LMPQF)

Não pode ser como agora em que na Europa, os hospitais, são, apenas, o que constitui a única linha da frente desta guerra biológica. É bem sabido o que acontece a quem ponha a sua defesa apenas no último reduto.

Para estarmos todos, a agir eficazmente, temos de enfrentar este vírus com as bem estabelecidas táticas de condução de uma guerra biológica. E nesta não há proporcionalidade. Há mobilização. Nós temos todos que ser os peões de Infantaria para que ao Pessoal dos Hospitais que na metáfora são os Cavaleiros possam apenas estar focados na derradeira luta, a luta pela vida no hospital. Eles, o Pessoal de Saúde e o hospital não podem ser a linha da frente da frente. Nós temos de ser a linha da frente da frente.

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Módulo contentorizado do actual Hospital de Campanha (foto Revista Militar)

Nós todos, com a Autoridade Militar, Policial e Civil mobilizados solidária e eficazmente na primeira linha da frente a garantir higiene individual e pública com isolamento individual ao máximo possível; para que chegue o menor número de casos à retaguarda da frente deste combate onde está o competentíssimo e abnegado Pessoal de Saúde e o Hospital.

Eu não sei, a não ser de alguns cálculos sobre o assunto (estão abaixo no P. S.) e por ver por muito de perto, muito do que descrevi da doutrina e da condução de guerra biológica na Emerging Security Challenges Division nos treze anos de Quartel Geral da NATO; mas porque ensino que só verdadeiramente sabe quem já fez(os outros ouvimos dizer)espero que como, em Portugal, há nas Forças Armadas, quem saiba (porque fez e treinou) como a guerra biológica se conduz seria bom que fossem consultados e sobretudo utilizados os seus conhecimentos (*).

Forte Abração do vosso,

FCR

(*) nota da redação: Ver atigo da Revista Militar sobre o Laboratório de Defesa Biológica do Exército

P.S.

Entropy of plagues: A measure for assessing the loss of social cohesion due to epidemics(Elsevier 1993)

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/037722179390259P

http://fernandocarvalhorodrigues.com/PDF%27s/entropia/pdfs%20_entropia/entropy_of_plagues.pdf

A Novas Tecnologias, o Futuro dos Impérios e os Quatro Cavaleiros do Apocalipse por F. Carvalho Rodrigues (Discórdia, 1991 e Europa América, 1995)

Em Português:

https://www.fernandocarvalhorodrigues.eu/PDF’s/4cavaleiros.pdf

https://www.fernandocarvalhorodrigues.eu/PDF’s/4cavaleiros_capas.pdf

Em Russo(MIR 1996)

https://www.fernandocarvalhorodrigues.eu/PDF’s/4cavaleiros_russa.pdf

https://www.fernandocarvalhorodrigues.eu/PDF’s/4cavaleiros_capas_russo.pdf

Fernando Carvalho Rodrigues

Professor Emérito no IADE - Instituto de Arte, Design e Empresa. Membro da Academia de Ciências de Lisboa e da Academia de Marinha, bem como da Sociedade Internacional de Astronáutica. Mantém uma canoa tradicional do Tejo, a “Ana Paula” registada na Marinha do Tejo de que é o Associado Fundador com o número um.

2 Comentários

  1. Perfeito .Estimado Carvalho Rodrigues . Fiquemos em casa , fechadinhos impavidos e serenos , ignorantes , apaticos , a ver o tempo passar … que estes governantes cuidam de sermos loucos . nao concordo com esta pasmaceira !!!!!

    • Schieder da Silva Responder

      Vamos considerar a terra como um corpo,tal como o nosso corpo o è,se esforçarmos uma parte do nosso corpo demasiado,pode haver uma inflamacao,um derrame ou outro problema derivado deste excesso de movimento de uma parte do corpo.
      Vamos agora transportar para o planeta.
      A China è a fäbrica do mundo,faz de tudo e para todos,isto quer dizer que em um paìs deste planeta a capacidade de regeneraçao da terra foi ultrapassada,importa-se demais,porque a China tem que importar muoto para produzir o que exporta,vamos exemplar como uma pessoa avarenta de quer tudo para si,quer fazer tudo.
      Acontece que o ar na China ficou poluido de forma a que os seus habitantes teem dificuldade em respirar,compram latas de ar com ar fresco como quem compra uma conserva,mesmo assim ignoraram que dessa forma nao poderiam continuar a viver,nao quiseram parar de livre vontade,entao foi a natireza que teve de reagir e da pior forma,parando o planeta inteiro.
      Mas porque o planeta inteiro tem que sofrer? Porque nös mandamos para lä as fäbricas sabendo de anterior que os estavamos a sobrecarregar,sem nos importarmos se era possìvel manter este estado de para os chineses a trabalhar para o mundo inteiro,enquanto nös fazemos um mes de fèrias,tempos feriados,e outras possibilidades de nao trabalhar,por estarmos doentes ou nao nos apetecer levantar de manha cedo,tudo isso estä vedado aos chineses,por isso trabalham atè que poluem demais impedindo a terra naquele local de se desenvolver na sua plenitude.

      Todos somos responsäveis por esta situaçao.
      Nao è sö sobreviver ao vìrus,è preciso que nao volte a acontecer retirando progressivamente as fäbricas da China para que se reorganizem,porque nao vamos estar ä espera de que eles tenham entendido a mensagem da Terra.

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