Efemérides

Dia da Marinha do Tejo

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Honrar e Preservar o Património Fluvial do Rio Tejo e as suas Gentes

O Dia da Marinha do Tejo é sempre um momento de especial significado e único pelas suas características, reunindo anualmente não só as Embarcações Típicas do Tejo que se encontrem inscritos no Livro de Registos da Marinha do Tejo, cuja guarda se encontra confiada ao Museu de Marinha, mas também os seus proprietários e arrais e também a população em geral. Este ano, porém, de uma forma mais contida, ditada pelas regras de combate à pandemia, onde a Revista de Marinha esteve presente.

Este ano as comemorações do Dia da Marinha do Tejo realizaram-se no dia 12 de junho, tendo tido como grande aliciante a possibilidade de as embarcações se reunirem na reabilitada Doca da Marinha recentemente inaugurada, e que doravante será local onde ficarão baseadas as Embarcações Tradicionais do Tejo, mercê do acordo nesse sentido havido entre a Associação de Turismo de Lisboa (ATL) e a Direção da Marinha do Tejo.

Para o efeito, as embarcações tradicionais e a sua comunidade náutica deslocaram-se de vários pontos do estuário para a Doca de Marinha onde teve lugar a celebração da cultura associada à preservação do rico património fluvial do Rio Tejo.

Embarcações típicas do Tejo, na Doca de Marinha (imagem Marinha do Tejo)
Embarcações típicas do Tejo, na Doca de Marinha (imagem Marinha do Tejo)

A beleza individual das embarcações devidamente aprimoradas e engalanadas para este dia permitiu criar, mais uma vez, um cenário de rara beleza que muito orgulha a comunidade da Marinha do Tejo, honrando, desta forma, a comunidade de marítimos e de artífices que ao longo dos séculos navegaram e habitaram ao longo das margens do Rio Tejo e do seu magnifico Estuário.

Por força das circunstâncias ao invés do habitual Cais das Colunas a habitual Cerimónia de Assinatura do Livro Registos decorreu desta vez no Museu de Marinha, em Belém, no magnífico espaço do Pavilhão das Galeotas, repositório de tantas memórias do nosso passado marítimo.

A Cerimónia de Assinatura do Livro Registos decorreu em Belém, no Pavilhão das Galeotas do Museu de Marinha (imagem Marinha do Tejo)
A Cerimónia de Assinatura do Livro Registos decorreu em Belém, no Pavilhão das Galeotas do Museu de Marinha (imagem Marinha do Tejo)

A cerimónia foi presidida pelo Vice-Chefe do Estado-Maior da Armada, Vice-Almirante Jorge Novo Palma, em representação do Chefe do Estado-Maior da Armada, na qual estiveram ainda presentes o Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Marinha do Tejo, Comandante Paulo Sousa Costa, o Presidente da Direção da Marinha do Tejo, Eng. Paulo Andrade, o Almirante José Castanho Paes, Membro Honorário da Marinha do Tejo, o Diretor da Comissão Cultural da Marinha Contra-Almirante José Garcia Belo, bem como o Diretor do Museu de Marinha, Comodoro José Croca Favinha, e o Decano Marinha do Tejo, João Fortuna.

Marcaram presença na cerimónia mais de uma centena de Proprietários e Arrais de Embarcações Tradicionais do Tejo sentados na plateia em rigoroso cumprimento das regras de distanciamento impostas pelo combate à pandemia, os quais assinaram, à vez, o Livro de Registos da Marinha do Tejo, o qual se encontra confiado à guarda do Museu de Marinha, confirmando desta forma o seu compromisso de fazer parte do polo vivo do Museu de Marinha.

Este ano foram registadas 84 embarcações, mais uma que no ano anterior. Em 2020, devido às restrições em vigor, não foi possível celebrar o Dia da Marinha do Tejo e promover as assinaturas dos proprietários e arrais das 83 embarcações inscritas.

Em face disso, foi solicitado ao Senhor Almirante Vice-CEMA que outorgasse uma caixa de texto colocada na coluna das assinaturas de 2020 do Livro de Registos que atestou e confirmou as Embarcações da Marinha do Tejo referentes ao ano anterior.

O Vice-almirante Novo Palma entrega o Livro de Registos ao Presidente da Direção da Marinha do Tejo, Eng. Paulo Andrade (imagem Marinha do Tejo) - Dia da Marinha do Tejo
O Vice-almirante Novo Palma entrega o Livro de Registos ao Presidente da Direção da Marinha do Tejo, Eng. Paulo Andrade (imagem Marinha do Tejo)

No seu discurso o Presidente da Direção da Marinha do Tejo recentemente empossado, Eng. Paulo Andrade, enfatizou no seu discurso alguns dos grandes objetivos da Marinha do Tejo consubstanciados no respetivo Plano Estratégico a 10 anos (Horizonte 2030), entre os quais se contam:

Aumentar a proximidade da Marinha do Tejo ao Museu de Marinha de modo a dar maior protagonismo ao papel de polo vivo deste Museu;

Promover junto das populações ribeirinhas o interesse e o gosto pela proteção e preservação do património fluvial constituído por embarcações típicas tradicionais;

Formar pessoal nas áreas de operação, manutenção e construção de embarcações típicas tradicionais, por ser fundamental assegurar a passagem de testemunho às novas gerações dos conhecimentos dos Mestres das Ribeiras;

Lutar pela facilitação do acesso à via-da-água nas zonas ribeirinhas e garantia de navegabilidade nos canais de navegação.

Na sua intervenção o Presidente da Direção da Marinha do Tejo aproveitou para homenagear toda a comunidade das Embarcações Tradicionais que marcou presença neste Dia da Marinha do Tejo, contribuindo desta forma para a preservação deste património com séculos de existência e de experiência viva.

As embarcações reuniram-se na reabilitada Doca da Marinha recentemente inaugurada (imagem Marinha do Tejo)
As embarcações reuniram-se na reabilitada Doca da Marinha recentemente inaugurada (imagem Marinha do Tejo)

Referiu ainda que a Marinha do Tejo continua apostada em marcar uma cada vez maior presença no grandioso Estuário do Tejo, através de um programa anual com mais de 40 eventos, incluindo regatas e encontros nos diferentes locais da borda de água, em colaboração com as diferentes associações náuticas que possuem embarcações típicas.

Terminou convidando todos a conhecer as Embarcações Tradicionais, deslocando-se aos centros e associações náuticas que integram a Marinha do Tejo, ou, brevemente, no sítio da Associação da Marinha do Tejo em www.marinhadotejo.pt.

Seguiu-se uma animada confraternização entre todos os presentes e todos aqueles que se quiseram associar a bordo das Embarcações Tradicionais estacionadas na Doca de Marinha, um espaço de excelência que desde 1930 esteve vedado ao usufruto dos lisboetas e de todos os visitantes, nacionais e estrangeiros, que se deslocam à capital, a que a Revista de Marinha também se associou.

Nota do autor: Notícia redigida a partir de um texto de base elaborado por Rui Rosado – Vogal da Direção responsável pela Comunicação da Marinha do Tejo

Eduardo Almeida Faria

Licenciado em gestão, tem uma larga experiência no associativismo desportivo, é especialista no tema da Náutica de Recreio, tendo feito parte do Conselho Nacional da Náutica de Recreio e, no âmbito do Fórum Oceano, integrado o Grupo Dinamizador do Portugal Náutico. É autor da obra “Náutica de Recreio em Portugal – Um pilar do Desenvolvimento Local e da Economia do Mar” e de inúmeros artigos e noticias na Revista de Marinha e no Jornal da Economia do Mar. Como desportista náutico tem muitas milhas percorridas pela costa portuguesa e pelo Mediterrâneo em veleiros de cruzeiro, quer em lazer, quer em regata.

1 Comentário

  1. José António Rodrigues Pereira Responder

    Que me perdoe o autor ou autores, mas….
    Convém explicar os motivo pelos quais a Doca de Marinha — “um espaço de excelência” — esteve vedado, desde 1930, “ao usufruto dos lisboetas e de todos os visitantes, nacionais e estrangeiros, que se deslocam à capital”.
    A Doca de Marinha era uma instalação militar onde atracavam navios de guerra nacionais e estrangeiros e de onde partiam e chegavam as embarcações que transportavam o pessoal, militar e civil, para a Base Naval do Alfeite, o Arsenal do Alfeite e a Base Aérea do Montijo.
    Servia também de base aos navios do Agrupamento de Navios da Escola Naval, às embarcações da Polícia Marítima e à Direcção de Combate à Poluição no Mar. Ali desembarcavam também as guarnições do navios de guerra nacionais e estrangeiros que por razões diversas ficavam fundeados no Rio Tejo.
    Estava portanto sujeita a uma segurança militar, mas através da sua vedação podia observar-se o seu interior o o movimento no rio.
    Não era um “ghetto” como outras instalações portuárias de Lisboa para dentro das quais não se pode olhar devido às suas vedações opacas.
    É verdade que as suas instalações foram perdendo importância, passando a ser cobiçadas por outros interesses, curiosamente não portuários.
    Hoje a Marinha Portuguesa deve ser das poucas, senão a única, que não tem cais privativo na capital do país que é também o seu principal porto.

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