Conferências

“Diálogos com o Mosteiro dos Jerónimos” falam do Mar

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Ao longo deste ano o Mosteiros dos Jerónimos tem organizado sessões de debate de ideias sobre o ontem e o amanhã permitindo assim criar um espaço de discussão sobre diversas temáticas acerca de Portugal e dos Portugueses nas quais se tem debruçado diversas personalidades de reconhecido saber.

No passado dia 21 de junho, na bonita e emblemática sala do antigo refeitório do Mosteiro, coube o tema ser o “Mar” tendo como ideia-base os encontros e reencontros de Portugal com o nosso Mar, para cujo debate foram convidados, como oradores, o Alm. António Silva Ribeiro e o Dr. Tiago Pitta e Cunha, que produziram muito interessantes intervenções.

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Aspeto da conferência na bonita e emblemática sala do antigo refeitório do Mosteiro. (foto OTO)

Silva Ribeiro percorreu a história de Portugal reconhecendo os períodos em que houve encontro de Portugal com o Mar tendo o primeiro, como marco inicial, sido o Tratado de Alcanizes (1297), ou seja, quando Portugal viu resolvida e estabelecida definitivamente as fronteiras terrestres. Tal facto deu lugar a que a estratégia portuguesa passasse a ter no Mar o seu pilar principal, estratégia que se viu interrompida sempre que as fronteiras terrestres estiveram em causa. Realçou o facto de essa estratégia relacionada com o Mar ter sido sempre posta em prática por figuras, Reis e elites, que, para além de estarem imbuídos da sua vantagem conseguiram liderar para tal toda a Nação. Tal foi bem notório a partir de D Diniz e até D. Manuel I. E terminou apontando para que hoje em dia estão reunidas novamente as condições de estabilidade de fronteiras que permitirão colocar novamente o Mar no centro da estratégia nacional. Para isso será necessário que se coloquem em prática dez requisitos que vão desde o aparecimento de elites verdadeiramente conscientes, pela elaboração de uma estratégia sustentada, uma política de educação adequada a até uma organização científica, económica e de efetivo poder do Estado no Mar.

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O Alm. António Silva Ribeiro. (foto OTO)

O Dr. Pitta e Cunha abordou o Mar como o mais importante sistema de sustentabilidade futura da humanidade. Até hoje o Mar, nomeadamente nas questões ambientais, tem sido encarado como um problema exógeno ao ser humano. Desde sempre para os Estados a questão fundamental ao longo dos séculos tem sido a sua apropriação tendo a questão económica como ponto central, que foi o paradigma do século XX.  Mas em breve virão os tempos em que a preocupação pelo Mar passará a fazer parte da humanidade e que certamente será esse o paradigma para o atual século.  Ou seja, a preocupação pelo Mar será pelo facto de o seu uso estar intimamente ligado à humanidade em geral. Para tal será necessário um esforço grande na educação das novas gerações, desde o início da escolaridade, e de políticas claras e compreensíveis.

A sessão terminou com um pequeno debate com a assistência na qual se encontrava o Prof Adriano Moreira que, como é habitual, colocou questões assertivas e deixou uma interessante pergunta:

quando se fala que nós temos de efetuar mudanças, quem é este nós?